Por DIEGO MÜLLER

terça-feira, 28 de junho de 2011

Despercebidamente...

...À son insu!!!...
(Diego Müller)


...E restou em mim um tanto
Das forças que teve um “não”...
Parte ainda das minhas forças
Pra guiar-me à direção...
...Restou em mim deste tanto,
Das esperanças buscadas,
Quando abraçaram outro rumo
No oposto da paz sonhada!

Ilusão: este é o meu mundo...
– Vida na dor: é verdade!
...Talvez o orgulho calado
De não dizer que é saudade...
Que não percebo – pra os olhos –
Nas ruínas decaídas,
Os enganos desenhados
Ante a vida, tão perdida!

...E restou em mim um tanto
Das forças que teve um “não”...
Forjou aço... E pintou o quanto
Não pensar com o coração...
...Restou um tanto deste erro,
De não errar novamente,
Que não aprendi que o rumo
É de um tentar insistente!

Só um lado sai perdendo
Quando só um lado esquecer...
Mas perdi – tão mais que a perda –
A humildade de um renascer...
Mais que isso – pedra e ferro –
Vejo o todo... Não os momentos...
...E nem percebi se um gesto
Insinuou arrependimentos!!!

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(Molina campos - Argentina)

"Os únicos conhecimentos que eu tenho paciência de aprender são aqueles que não têm uma real aplicação na vida."
(Calvin e Haroldo)

Calvin...

...e Haroldo!!!



Calvin é um pirralho de 6 anos que dedica parte integral do seu tempo para infernizar a vida de seus pais, sua vizinha, sua babá, sua professora e, não raro, de seu tigre de pelúcia. Um guri que possui as preocupações de um adulto, mas as reações de uma criança. Daí o barato. Segundo o autor, o nome Calvin veio de um teólogo chamado Calvin Jean, que viveu entre 1509 e 1564 e acreditava piamente em predestinação (várias tiras retratam Calvin discutindo predestinação com Haroldo). Ao contrário de que muitos pensam, Calvin não foi baseado nas memórias de infância do autor. Palavras do autor: "Uma das coisas mais divertidas em escrever Calvin é que geralmente não concordo com suas atitudes... Eu uso Calvin como um modo de deixar minha imaturidade fluir".

Haroldo é o tigre de pelúcia que tenta, na medida do possível, enfiar um pouco de juízo na cabeça de Calvin. Conforme o próprio Calvin, Haroldo é o melhor amigo que alguém poderia ter. O nome Hobbes (Haroldo) vem de um filósofo do século XVII chamado Hobbes Thomas. Thomas possuía uma visão obscura e pessimista da humanidade, que o tigre compartilha. Muitas coisas que fazemos e nos parecem normais, para ele são estúpidas e sem qualquer explicação lógica, como podemos ver em tiras em que Haroldo aparece questionando o tratamento que estamos dando ao planeta. Como na maioria dos animais, Haroldo possui a paciência e o bom senso, que são cada vez mais raros em muitos de nós. Haroldo foi inspirado em Sprite, uma das gatas que o autor possuía. "Sprite não apenas me forneceu as características faciais e a idéia do corpo longo do Haroldo, como também foi modelo para a sua personalidade única." diz Watterson.





Os personagens segundo Bill Waterson

CALVIN

"O nome Calvin veio de um teólogo chamado John Calvin (1509-1564) que acreditava em predestinação. A maioria das pessoas acham que "Calvin" vem do nome de uma filho meu, ou então que o personagem foi baseado nas memórias da minha própria infância. Para falar a verdade, eu não tenho filhos e, na minha infância, eu fui uma criança muito calma e obediente, praticamente o oposto de Calvin.
Uma das coisas mais divertidas em escrever sobre o Calvin é que, geralmente, eu não concordo com suas atitudes. Muitas das facetas do Calvin são, na verdade, faces de mim mesmo. Eu suspeito que grande parte de nós envelhece sem crescer, e dentro (às vezes não tão dentro) de cada adulto existe uma criança que quer que tudo aconteça de acordo com sua vontade.
Eu uso o Calvin como um modo de deixar minha maturidade fluir, como uma maneira de manter a minha curiosidade sobre o mundo natural, como uma maneira de ridicularizar as minhas próprias obsessões, e comentar sobre a natureza humana. Eu não gostaria de ter o Calvin na minha casa, mas no papel ele me ajuda a levar a vida e a entendê-la."

HAROLDO

"O nome Haroldo veio de um filósofo do século 17, Thomas Hobbes, que tinha uma visão obscura da natureza humana.
Haroldo tem a dignidade, paciência e o bom senso da maioria dos animais que conheci. Haroldo foi muito inspirado em uma gatinha cinza, a Sprite. Ela não só me forneceu as características faciais e a idéia do corpo longo de Haroldo, como foi um modelo para sua personalidade única. Ela era bem-humorada, inteligente, amistosa, e me entusiasmava o jeito que ela chegava de mansinho e me dava o bote. Sprite sugeriu a idéia de Haroldo receber Calvin na porta em pleno ar e em alta velocidade.
Como a maioria das histórias de animais, o humor vem de seu comportamento humano. Haroldo fica de pé e fala, mas eu tento preservar seu lado felino, tanto em seu comportamento físico quanto na sua atitude. Sua privacidade e tato parecem muito felinas para mim, junto com seu contido orgulho em não ser humano. Como Calvin, eu normalmente prefiro a companhia de animais a pessoas e Haroldo é minha idéia de amigo ideal.
As duas versões de Haroldo é, algumas vezes, mal entendida. Eu não penso nele como um boneco que milagrosamente ganha vida quando Calvin está por perto. Também não penso nele como um produto da imaginação de Calvin. A natureza da realidade de Haroldo não me interessa, e cada história foge desse caminho para evitar resolver a questão. Calvin vê Haroldo de uma maneira e todos os outros vêem de outra maneira. Eu mostro duas versões da realidade e cada uma faz total sentido para os participantes que as vêem. Eu acho que é assim que a vida funciona. Nenhum de nós enxerga o mundo exatamente da mesma maneira, e eu simplesmente desenho isso literalmente na tira. Haroldo está mais para a natureza subjetiva da realidade do que bichos de pelúcia ganhando vida. "

PAIS

"Eu nunca dei nomes aos pais do Calvin porque, na tirinha, eles são importantes apenas como o pai e a mãe de Calvin. O pai de Calvin foi concebido para ser um auto-retrato. Todos os meus personagens sã sempre metades minhas, mas o pai de Calvin é também uma sátira ao meu próprio pai. Todas as tirinhas em que se mostra como o "sofrimento constrói o caráter", são na verdade transcrições de frases do meu pai me explicando porque nós estávamos congelando, exaustos, famintos ou perdidos em viagens de acampamentos. Essas coisas são bem engraçadas, depois que já se passaram 25 anos.
A mãe de Calvin interpreta o papel da disciplinadora do dia a dia, um trabalho que a leva à loucura diariamente. Eu lamento que as tirinhas mostrem em sua maioria o seu lado impaciente, mas sempre que possível eu tento passar também outros aspectos da sua personalidade e alguns de seus interesses, mostrando o que ela está fazendo quando calvin chega.
Como personagens secundários, eu tentei fazer os pais de Calvin o mais realista possível, com um razoável senso de humor sobre o que é ter uma criança como Calvin dentro de casa. Eu considero que eles fazem um trabalho melhor do eu faria."

Susie

"Susie Derkins é séria e inteligente... Eu suspeito que Calvin tenha uma queda por ela, por que ele passa tentando aborrecê-la, mas Susie não se abala com isso e devolve enaltecendo a "estranheza" de Calvin. Isto apenas faz com que Calvin faça ainda mais maluquices, então eu acho que esta é uma boa dinâmica. Nenhum dos dois entende o que acontece entre eles, o que geralmente acontece na maioria dos relacionamentos."

A Professora

"Eu tenho muita simpatia pela Sra. Wormwood. As tirinhas às vezes nos dão algumas dicas de que ela está esperando para se aposentar, que ela fuma demais e que ela toma muitos remédios. Eu acho que ela realmente acredita nos valores da educação, então eu acho que eu nem preciso dizer que ela é uma pessoa infeliz."


Rosalyn

"Provavelmente a única pessoa que Calvin teme é a sua babá. Eu a coloquei em uma das tiras de domingo sem nunca ter pensado em ela ser um personagem regular, mas a intimidação de Calvin por ela me surpreendeu, então ela fez algumas aparições desde então. Rosalyn também parece intimidar os pais de Calvin se aproveitando da necessidade deles de sair de casa para conseguir adiantamentos e aumentos. A relação de Rosalyn com Calvin é única, então as histórias com a babá são cada vez mais difíceis de se escrever, mas para um personagem que entrou depois na tirinha, eu acho que ela cumpriu o seu papel."

Bill Watterson

William B. Watterson II , nascido em 5 de julho de 1958 em Washington , é o criador das histórias de Calvin & Haroldo , um garoto de seis anos e seu melhor amigo , um urso de pelúcia chamado Haroldo. Se formou no Kenyon College em Gambier , Ohio , em 1980 com grau em ciência política. Casado com melissa , moram em Hudson , Ohio.
Infelizmente Bill Watterson parou de desenhar as tiras de Calvin & Haroldo no dia 1 de Janeiro de 1996. As tiras de quadrinhos eram diárias e distribuídas em 14 países pela Universal Press Syndicate.A primeira tira foi lançada no dia 11 de Novembro de 1985 e desde então Calvin & Haroldo ganhou fama pelo mundo. Seus livros venderam mais de um milhão no primeiro ano de venda sendo que o último , Os Dez Anos De Calvin & Haroldo , alcançou a lista dos mais vendidos do New York Times.

Bill Watterson foi nomeado para ganhar o "1992 Reuben Award" pelo prêmio "Outstanding Cartoonist of the Year" pela Sociedade Nacional dos Cartunistas , e ganhou os prêmios de 1986 (mais jovem cartunista a ganhar o prêmio) e 1988.

Bill Watterson é tão bom escritor quanto desenhista. O gênio do mau comportamento que é Calvin é feito tanto de grandes diálogos quanto de um desenho personalíssimo. Ele não dá entrevistas nem posa para fotos , seu endereço e telefone são segredos bem guardados , até seus contatos profissionais são feitos pela esposa. É difícil que o autor apareça para se justificar para os órfãos de Calvin. O que se sabe é que há anos Watterson disse ser impossível continuar mantendo indefinidamente seu altíssimo padrão de qualidade num trabalho para publicação diária. Ele não tem equipe e trabalha só. Nunca aceitou vender os direitos da história para camisetas , bonecos e desenhos de tv.











Depoimentos do autor


"Eu não penso nos quadrinhos como apenas entretenimento. É um privilegio raro ser capaz de falar para milhões de pessoas num dado dia, então , fico ansioso por dizer algo significativo quando posso. Sempre há pressão para escrever alguma piadinha rápida que vai me ganhar mais 24 horas de folga com os prazos, mas nada me deprime tanto quanto pensar que eu me tornei uma fabrica de piadas para encher espaço de jornal.Sempre que possível, eu uso a tira para falar das coisas que são importantes para mim."
"Eu acho que os melhores quadrinho (como os melhores romances, pinturas e etc) são trabalhos pessoais e idiossincráticos, que refletem uma sensibilidade única e honesta. Para atrair e manter uma audiência, a arte deve entreter, mas o significado de qualquer arte repousa em sua habilidade de exprimir verdades - para revelar e nos ajudar a entender nosso mundo. As tiras de quadrinho, à sua própria maneira humilde, são capazes de fazer isso."
"os melhores quadrinhos expõem a natureza humana e nos ajudam a rir da nossa própria estupidez e hipocrisia.Eles se permitem exagero e absurdos, ajudando-nos a ver com outros olhos o mundo e recordando-nos de como é importante brincar e ser ridículo. Quadrinhos retratam os eventos comuns e mundanos da nossa vida e nos ajudam a lembrar da importância de pequenos momentos. Astutamente, eles eles ressumem os nossos pensamentos e expressões não exprimidos. Às vezes, eles mostram o mundo da perspectiva de crianças e animais, encorajando-nos a ser inocentes por um momento. Os melhores quadrinhos, isso quer dizer, são espelhos de casa maluca, que distorcem aparências apenas para nos ajudar a reconhecer e rir das nossas características essenciais."
"A surpresa é a essência do humor e nada é mais surpreendente do que a verdade. Quando os quadrinhos cavam alem das piadas loquazes, sentimentalismo barato e historias arrumadelas para experiência mais profundas e verdadeiras, eles podem realmente tocar as pessoas e ligar a nós todos. Por mais frustrado que eu esteja com a maneira que este negocio funciona, eu continuo a acreditar que os quadrinhos são um a forma de arte capaz de qualquer nível de beleza, inteligente e sofisticação."
"Eu escrevi mais de 3000 tiras de Calvin e Haroldo até agora, e na extensão que atira reflete os meus interesses, valores e pensamentos, meus quadrinhos são uma espécie de auto-retrato.Quanto mais eu trabalhei, mais eu usei a tira para explorar questões pessoais. Quando eu apareço com uma idéia que me surpreende, fico feliz em oferecê-la a qualquer um que compartilhe com meus interesses. Fico lisonjeado quando as respondem ao meu trabalho, mas não me sinto ao devedor de explicações às exigência publicas. Tentar agradar as pessoas encoraja o calculo e a tira é valiosa para mim, apenas enquanto for honesta e sincera."


"Não é difícil escrever piadas - bons personagens sempre terão algo divertido a dizer a respeito da sua situação - mas é muito difícil manter o mundo da tira energizado e expansivo ano apos ano. No começo de uma tira, praticamente todo capitulo explora novo território, mas é assustadora a rapidez com que as historias e situações se tornem previsíveis. A inovação engraçada de hoje é a formula rançosa de amanha.
"Minhas primeiras tiras parecem grosseiras e forcadas para mim agora, mas os personagens ainda estavam se apresentando a mim. Os primeiros 2 anos foram esforços exploratórios pra criar um mundo interessante e personagens redondos. Eu comecei a escrever historias mais longas, quando vi como acrescentavam dimensão às personalidades e relacionamento entre os personagens. Ultimamente, eu tive problemas em escrever narrativas extensas que me satisfaçam e tenho feito menos delas. Em vez disso meu entusiasmo se afastou para as possibilidades visuais da tira maior de domingo. Ao longo dos anos, Calvin e Haroldo mudou de direção, mas eu não controlo para onde ela vai. Quando tudo esta funcionando, eu fico mais surpreso pelo destino da tira do que qualquer um."
"O truque em escrever uma tira de quadrinhos é cultivar uma atitude brincalhona mental - uma curiosidade natural e interesse por aprender. Se eu mantiver meus olhos abertos e seguir os meus interesses, cedo ou tarde o esforço rendera questões, pensamentos e idéias - caminhos inesperados para novo território. Como Calvin, eu apenas saio no jardim em busca de esquisitice e com a atitude certa, eu faço descobertas."
"Colocar-me na cabeça de um garoto fictício, de seis anos e um tigre, me encoraja a ser mais alerta e inquiridor do que eu seria normalmente. Às vezes, eu me ressinto da pressão para explorar cada momento que passo acordado para idéias de tiras, mas no seus melhores momentos, a tira me faz examinar eventos e viver mais pensativamente. Eu adoro a solidão deste trabalho e a oportunidade de trabalhar com idéias que me interessam. Esta é a maior recompensa dos quadrinhos para mim."
"Eu sempre adorei quadrinhos. Com Calvin e Haroldo, eu tentei devolver um pouco da diversão, magia e beleza que desfrutei em outros quadrinhos. Foi imensamente satisfatório desenhar Calvin e Haroldo e eu sempre serei grato em ter tido a oportunidade de trabalhar nesta maravilhosa forma de arte."

"BILL WATTERSON"


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"Nós estamos tão atarefados olhando com que está a nossa frente, que não temos tempo de aproveitar onde nós estamos."
Calvin e Haroldo

domingo, 26 de junho de 2011

festas juninas...


...Caipiras e gaúchos!!!


Características folclóricas, aspectos sociais e problemas 
pedagógicos nas escolas 

J. C. Paixão Cortes 
Correio do Povo de 04 de julho de 1965 


Há dias as Escolas Presidente Roosevelt e Roque Gonzales honraram-nos com um convite para uma palestra sobre as festividades juninas e a presença de caipiras e gaúchos. 

Tivemos então a oportunidade de falar a professores, jardineiras, mães, pais e alunos sobre o assunto, dando a nossa opinião. Do interesse despertado, resultou o presente artigo, refundido do que já havíamos publicado há tempos e acrescido de outras anotações. 

O céu voltou a ter suas estrelas habituais. A noite tornou-se menos iluminada. O ar já não cheira a fumaça e a vida volta à tranqüilidade. 

24 de junho passou. 
É que se foi São João. 

Mas ainda na retina e na mente de muitos, ficaram aquelas cenas do “Casamento da Roça” do Nho Calixtrato dos Anzões Direito com Nha Zefa do Buraco. Carroças enfeitadas, carretas coloridas, gente em pilungos e um verdadeiro batalhão de caipiras se deslocando em todas as direções. 

Falamos de um modo geral dos acontecimentos juninos nas vilas e cidades brasileiras. Naturalmente que em cada região do país, sofrem mutilações e adendos que as populações lhes dão, vindo a constituir “novos” motivos folclóricos, ligado unicamente à data, pelos festejos de significado religioso. 

No Estado de são Paulo, de onde advém as comemorações caipiras e que tivemos a oportunidade de assistir, possuem elas um significado religioso expressivo e o verdadeiro, o autêntico caipira tem uma devoção fervorosa a São João, embora Santo Antônio seja o casamenteiro e São Pedro guarde a chave do céu. 

Não só no interior, como nas vilas e cidades dos arredores da Capital paulista, é tradicional nos terreiros das residências o levantamento de um mastro alto, tendo na extremidade um quadro de madeira onde está a imagem de São João, bordada e adornada com variados símbolos de liturgia católica e especialmente arranjada para resistir aos efeitos das intempéries, por muito tempo. 

Essa tradição do Brasil-Sul não poderia deixar de atingir ao Rio Grande. 
Quando chegavam as Festas juninas, encontrava-se na zona de campo, outrora pelos Rincões do Alto Uruguai, Planalto Médio, Campos de Cima da Serra e Litoral, onde a influência bandeirante foi mais acentuada, também lenha disposta de forma característica e especial para cada fogueira : Santo Antônio, São João e São Pedro; o “Capitão do Mastro”, a lata de pinhão, a batata doce. 


Nas residências de desenvolviam os jogos de prenda e nos oratórios e capelas rezavam-se muitos terços, pois o caráter festivo de São João, estava intimamente ligado ao sentido religioso. Depois vinham os aspectos misticos da água da noite de São João, da limpeza de alma dos que passeavam descalços por cima das brasas da fogueira, etc. 

Se aparecia uma gaita era só para alegrar o ambiente, mas não para propiciar danças e nem para alguém entoar melodias especiais de “pula a fogueira Iaiá, pula a fogueira Ioiô”, ou o “balão vai subindo” ou ainda falando na noite de São João.
Nesse sentido não encontramos em nossas pesquisas nada musical, poético ou coreógrafico que se pudesse incorporar ao folclore junino. 
Para completar a noite vinham as “sortes” e uma infinidade de adivinhações e outros aspectos que merecem um artigo especial sobre o assunto. 

Hoje, em quase todo o Brasil, as festividades juninas tomaram caráter festivo social, desligadas do seu sentido de religiosidade e passaram a ser um acontecimento em que o ridículo e a fantasia representam o ponto “alto”. Aliás esta característica foi tomada dos grandes centros irradiadores de “modas” ou “novidades”. 

O caipira com calça a meia canela, casaquinho apertado , botinas ringideiras, lencinho de riscado ao pescoço e com chapéu de palha, tendo ao seu lado a companheira, com ar envergonhado, vestido de chita, com fita no cabelo, chapéu de palha, boca de coração, tomou conta de todo o Brasil nas festas juninas . Essa é a verdade ! Talvez em nenhuma parte do mundo, a não ser em nosso pais, se admita festa de São João sem caipira, o que poderá constituir, por si só, um acontecimento tradicional brasileiro. 


Sabemos que o Caipira é um tipo humano representativo de uma região brasileira, assim como o é o Vaqueiro, o Jangadeiro e o próprio Gaúcho, merecendo portanto como nosso irmão o nosso respeito. 

A vida simples e rústica, a falta de instrução, a deficiência de higiene, fatores hereditários e uma série de outros motivos fizeram do caipira um tipo humano, característico do interior paulistano. 

Por isso não podemos esquecer que também eles possuem belíssimas tradições regionais, que chegaram até nossos dias, cultuadas através de gerações de uma forma mais ou menos eloqüente sem a interferência ou incentivo maior de entidades preocupadas em revive-las. 

Se deturparam a figura do caipira, tornando-a extremamente ridícula e ate mesmo cômica, transformando-o em verdadeiro palhaço, foi pela falta de conhecimento do tipo verdadeiro. A imaginação jocosa não viu no caipira as qualidades e virtudes que possuí, ante as condições desfavoráveis do seu existir. 

Se as comemorações, hoje, pecam pela falta de autenticidade, é outro problema. Mas em traços gerais as festividades juninas constituem uma manifestação folclorica típica de uma região do Brasil, de irmãos do Estado de São Paulo, apropriada, com música, com balões coloridos, bebidas, salões com bandeirinhas multicores e, mais do que isso, vem enquadrar-se, e nosso Estado, no processo folclórico de adaptação à órbita citadina. 


Quanto ao tipo humano, como já vimos, é bem distinto do gaúcho, não só na maneira de falar, com corruptelas originais, como no vestir, pois não usa bombacha, bota, espora, guaiaca, tirador, camisa lisa, chapéu de feltro, barbicacho, pala, boleadeira, etc... 

Não vemos razão para confusões. Não entendemos também porque determinados grupos ou certa “gauchada”, querem terminar com as festas caipiras, por esta ou aquela razão, julgando-as um “carnaval fora de época”, em ”extravasamento de recalques” ou uma “ridicularização de costumes”. Será por que, pela ignorância do que é certo, num baile gaúcho aparecem “fantasiados” de caipira ou vice-versa ? Ou por que a sociedade tal anuncia “baile à caipira” “com roupa característica” à gaúcha ? Ou por que a professora da Escola X disse aos seus alunos que iria fazer uma grande festa com pinhão, batata doce, etc ... bem “à gaúcha” e que todos viessem “à caipira” ? 

Não ! Não somos contra a festa caipira, dentro dos princípios tradicionais e corretos. Somos , sim, contrários à mistura de costumes de caipiras e gaúchos, em festas como a de São João. 

E mais, a pretensa substituição da festa caipira por festa gauchesca. Se nos, gaúchos, temos uma tradição e a cultuamos, também os caipiras a possuem, e a mesma deve ser respeitada, pela sobrevivência do folclore nacional em suas mais puras manifestações. 
As festas juninas no Rio Grande do Sul, no seu sentido verdadeiramente folclórico, como já descrevemos em traços gerais, eram distintas das comemorações caipiras, e assim devem continuar sendo. 

Se o Movimento Tradicionalista procura através de suas atividades, dentro e fora do Estado, ensinar, divulgar e cultuar nossos motivos regionais por que não respeitar as tradições de outra região da nossa Pátria, representadas por um tipo genuinamente brasileiro (não discutimos o valor) como é o caipira, e já muitos anos nesta época cultuada por adaptações. Talvez se eles viessem de Pigale ou New York, sua consagração seria bem outra, cercados de vastos e bem dirigidas publicidades. 

Se as festas juninas praticadas no Rio Grande do Sul não representam a tradição gaúcha, mas um acontecimento social e festivo de determinada época do ano, que se aproveite esse embasamento psicológico de motivação folclorica para no dia 29 de junho, evocarmos o gaúcho na pujança de suas manifestações, com as danças do Siriri, do Pézinho, Balaio; com mastro, com comidas típicas; com prendas e vestidos compridos; bombachas, chiripás, e sem a presença do espirito acaipirado. Que se crie uma festa gauchesca (como se fez com o 20 de setembro) no mesmo impulso junino, para que, em torno de São Pedro – Padroeiro do Rio Grande -, se institua uma forma pedagógica de transmitir festivamente através de escolas, clubes e outros agrupamentos sociais, a mensagem mais pura da tradição gauchesca.


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(Capurro - Uruguai)

Só um livro é capaz de fazer a eternidade de um povo!
(Monteiro Lobato)

Fegart 1989...

...e ainda não se deram conta!!!



CONSIDERAÇÕES DA COMISSÃO JULGADORA DE 
DANÇAS DO IV FEGART 1989 

No sentido de orientar aos participantes, enriquecendo com conhecimento experiente , os jovens que com tanto talento mostram o belo resultado de seus trabalhos nestes festivais, trazemos os seguintes considerandos , visando o interesse maior da Cultura Gaúcha. 

a) Freqüentemente há existência exagerada do levantar das saias das prendas, em forma de “Borboleta Avoaçante”. 

b) Exagero de movimentação dos braços dos peões em criações que lembram “Asa Delta” ou “Cristo Redentor”, principalmente nas entradas e saídas de certos números coreógraficos. 

c) O uso inadequado do bombo leguero, instrumento alienígena dentro do folclore riograndense, sendo muitas vezes utilizado como elemento rítmico, desfigurando o andamento musical, de determinados gêneros de música. Fato este que traz desequilíbrio, em momentos coreográficos entre outros dançantes, com sensível perda de harmonia de conjunto. 

d) A ocorrência freqüente, de instrumentos musicais mal afinados, com vozes (fora do tom) , execução de musicas fora da tonalidade. 

e) O uso inadequado de passagens musicais e sapateios espanholados, “do folclore rioplatense”, em total afronta ao espirito do festival, que é de raiz de cultura nativa riograndense brasileira. 

f) Andamentos acelerados ou exageradamente lentos de temas musi-coreográficos. 

g) Entrada na dança, fora do tempo forte de compasso. 

h) Extensão das “entradas” de apresentação que usam mais tempo no acessório do que na dança principal. 

i) Arranjo de melodias que desfiguram e descaracterizam, as coreografias das danças do “Manual”. 

j) A falta de alinhamento em danças definidas. 

k) O Caráter “militar”, de certas posturas corporais rígidas do homem, em danças descontraídas e não marciais, ex. Anu. 

l) A errônea postura espanhola em danças de origem portuguesa. 

m) O excesso de machismo dos peões com as prendas durante a dança, caracterizando o comumente conhecido “cara de cavalo”. 

n) Harmonização exagerada, desfigurando a linha melódica, do tema musical central. 

o) A falta de espiritualidade entre os pares demonstrada pela falta de correspondência amorosa de enlevo, sendo que muitas vezes , nem sequer olham para as prendas (nos olhos). 

p) O sarandeio sem entusiasmo, sem vida, em danças “alegres, vivas”. 

q) A passagem de largos passos masculinos para ajustar a distância entre as figuras, conhecida como “Atropelo de matungo”. 

r) Falta de naturalidade esquecendo que a dança é um prazer, um lazer, uma recreação. 

s) O uso de botas “ditas russilhonas”, não existem na referência histórica de nosso povo, representando nada mais que um “modismo”; da mesma forma temos que olhar as botas brancas que lembram pés engessados, advertindo-se ainda, que botas brancas tem muito pouca conotação masculina. 

t) Gritos exagerados, inoportunos, em passos de danças cerimoniais. 

u) Flexões bruscas “peneu furado”, indevidas prejudicando o movimento harmonioso dos pares, também referimos o excesso de posturas ajoelhadas (pedir esmolas). 

Acreditamos estarmos sendo úteis, oferecemos esta colaboração. 

Atenciosamente:

João Carlos Paixão Cortes 
Ery Assenato 
Sônia Abreu 
Gentil Fernandes Nerry 
Helena Maria Munhoz

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"Dançar é sentir, sentir é sofrer, sofrer é amar... Tu amas, sofres e sentes. Dança!"

sexta-feira, 24 de junho de 2011


(Eleodoro Marenco)

Fronteiros...   
(Jayme Caetano Braun)

Sem figuras de retórica,
O andejo fronteiriço,
Foi isso, e mais além disso
Na definição histórica,
Não a figura folclórica,
Mas a estrutura – O esteio,
Que – após dominar o meio,
Abarbarado e hostil,
Se fez querência e Brasil
Na guerra e no pastoreio!

E ocorreu nos quatro lados,
Com Paraguay – Argentina
E a província Cisplatina,
Os quatro irmãos falquejados
Ao longo dos descampados,
Nas lutas demarcatórias,
Gestas emancipatórias,
Da mesma lonca comum,
Conservando – cada um,
O enfoque de quatro histórias!

Daí – o entrelaçamento,
Permanente, das culturas...
Águas das vertentes puras,
Sob o mesmo firmamento,
O mesmo sopro do vento,
Penteando os mesmos umbús,
Os mesmos impulsos crús,
Domando as mesmas distâncias
E a gama das mesmas ânsias
Que moldaram os chirús!

...Como é linda essa fronteira
Que não divide países,
Mas acentua matizes
De mesma origem campeira,
Frutos da saga guerreira
Que se agiganta na paz,
Um rio que leva e que traz,
Um céu e um sol que alumiam,
Juntando os que se extraviam,
Sempre ao tranquito, “no mas”...

Crises – Penares e ânsias...
Alegrias – Sofrimentos...
Vão – no vai e vem dos ventos,
Espalhando ressonâncias,
Nas lavouras – nas estâncias,
Nas vilas e na cidade,
Porém o homem-liberdade
Que vem dos tempos – do fundo,
Em, qualquer parte do mundo
Tem a mesma identidade!

Mesma origem – Mesma sina...
Mesma idéia espiritual...
Mesma força universal...
Essa é a América Latina,
Que um sistema discrimina,
Esmaga – mata e explora...
Parece chegar a hora,
Desse mundo espezinhado,
Declarar-se emancipado
Mandando o intruso embora!!!



Ao Rio Grande 
 (Balbino Marques da Rocha) 

Meu velho chão altaneiro... 
De vaqueanias e andanças... 
De patas, tropéis e lanças... 
De clarins e de cordeonas... 

De recaus e de choronas... 
De carreteadas e domas... 
Dos umbus de verdes comas... 
De tropas e cavalhadas... 

No teu altar estrelado, 
De oferendas, lado a lado, 
Fulgurando iluminadas, 
Venho trazer-te um morrão... 

...Vela de sebo, mui pobre, 
Triste pavio, cor de cobre, 
De uma fraca inspiração!!!

(De Francisco Madero Marenco)

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(Tito Saubidedt)


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sapecada da canção de Lages/SC...

...O primeiro canto!!!




O PRIMEIRO CANTO
Letra: Sérgio Carvalho Pereira
Música: Roberto Borges
Intérpretes: Luiz Marenco e Xiru Antunes

Descampado, sin alambre
Várzea, sanga e canhadão
No céu a constelação
Da cruz del sur alumbrando
Vento gelado arrepiando
Pasto e gado cimarrón.

Foi a época do couro
Carnal, carneadeira e flor
Garrão cortado de touro
Mão certeira e sangrador
A soga, a pedra, o estouro
E o grito do boleador.

Subiu a poeira do tombo
E a poeira do esquecimento
Só uma payada, um lamento
Prendeu a voz deste estrondo
El cantar siempre es más hondo
Si al canto lo carga el tiempo.

Se o livro ainda não sabia
Que já chegara o gaúcho
O payador, monge e bruxo
Teimava que ele existia
Dos gritos tirou poesia
Do couro tirou seu luxo.

Três séculos... quase nada
Pras estrelas e os fogões
Que escutaram as orações
Dessa primeira payada
Na pureza desta aguada
Bebem todas gerações.

E aqui estou, e este meu canto
Na outra ponta da história
Tem muito desta memória
E tem de mim outro tanto
Da mesma poeira levanto
Pra riscar minha trajetória.

Intérprete: Luiz Marenco
Intérprete: Xiru Antunes
Violão e Vocal: Roberto Borges
Guitarron e Vocal: Cristian Camargo
Violão e Vocal: Cícero Camargo
Baixo: Luciano Fagundes
Acordeom e Vocal: Aluisio Rockembach
Percussão e Vocal: Davi Batuka
Arranjos: Roberto Borges, Luciano Fagundes, e Aluísio Rockembach



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"Não é um dever ser gaúcho, é um previlégio ser gaúcho!"
(Paixão Côrtes)


sexta-feira, 17 de junho de 2011

Vozes do Jacuí...


...em São Jerônimo!!!


Este final de semana (a partir de hoje, sexta-feira) acontecerá a primeira edição do festival VOZES DO JACUI, onde, enquanto muitas cidades estão com seus festivais na corda bamba, devido a questões muitas vezes políticas e burocráticas, quanto a captação de recrusos, São Jerônimo dá uma aula de cultura,m criando mais um festival para o calendário necessitado de evenos culturais do ano Rio-grandense. As músicas que estarão no palco do Vozes do Jacuí estãolistadas aqui, onde o evento será um marco para a região.
Aguardamos a presença de todos, e quem não puder comparecer, se faça ouvinte atravéz da rádio TERRA GAÚCHA do caro amigo Matias Moura 
que vai transmitirAO VIVO as três noites de festival.

O juri do evento será composto por uma mescla de grandes nomes do nosso nativismo, mesclando artístas e compositores já amadurecidos com a nova geração festivaleira. 
Eles são: Diego Müller (letrista e compositor, de Canoas/RS), Antônio Gringo (cantor e compositor, de Santa Maria/RS), Chico Luiz (compositor, de Santa Crus do Sul/RS), Leonardo Paim (cantor, do Alegrete/RS) e Dudu Lopes (instumentista e compositor, de Charqueadas/RS).

CLASSIFICADAS NA FASE ESTADUAL:

INVERNO BRABO
Letra: Telmo de Lima Freitas
Música: Telmo de Lima Freitas

PRA DOMA, BRIGAS E AMORES 
Letra: José Dias Motta
Música: José Dias Motta

NEGRA MORENA 
Letra: Rodrigo Jacques
Música: Rodrigo Jacques

ESO SI QUE HAY EN MI PAGO 
Letra: Martim Cesar Gonçalves
Música: Miguel Dario Diaz

A PEDRA 
Letra: Severino Rudes Moreira
Música: Zulmar Benitez

VISITA 
Letra: Rômulo Chaves
Música: Robledo Martins

QUANDO A ALMA DESABITA
Letra: Jaime B. Carlos
Música: Christian Guterres

“FLOR DO PASSO” 
Letra: Gustavo Gonzales e Luiz Carlos Ranoff
Música: Gustavo Gonzales

NA ALMA DE UMA MILONGA 
Letra: Eron Carvalho
Música: Tuny Brum

EN MI CANTAR DE PAISANO 
Letra: Martim Cesar Gonçalves
Música: Miguel DarioDiaz

O MOURO DA ORELHA ATORADA 
Letra: Rômulo Chaves
Música: Everson Maré

ENTÃO APERTO A CORDEONA
Letra: Wilson Vargas
Música: Sérgio Rosa

A FLOR, O BEIJA- FLOR E O ESPINHO 
Letra: Vagner Pessolotto
Música: Sérgio Rosa

TEUS OLHOS, MINHA SAUDADE 
Letra: Gilberto Caramão
Música: Jair Oliveira de Medeiros

UM VELHO PORTÃO DE PEDRA
Letra: Rodrigo Bauer
Música: Zulmar Benitez

A ESPERA 
LetrA: Telmo Vasconcelos
Música: Eduardo Monteiro Silva


CLASSIFICADAS NA FASE REGIONAL:

GAITEIRO E CANTADOR 
Letra: Elisandro Corrêa
Música: Jankiel Santos

DA BUENA LIDA CAMPEIRA 
LETRA: Juliano Oliveira
Música: Fernanda do Amaral

MATE DE ESTRIBO 
Letra: Rodrigo Barreto
Música: Wilson Vargas

ABA LARGA 
Letra e música: Adriano Steffler

MEU VERSO 
Letra: Elisandro Corrêa
Música: Gustavo Netto

SOU UM PRODUTO DO CAMPO 
Letra: Ricardo Hass
Música: Jader Duarte

ESTRADAS QUE LEVAM 
Letra: Neco Machado
Música: Airam Cardoso

DO FIEL INTÉ A SOITEIRA 
Letra: Acélio Fontoura Jr e Diego Guterres
Música: Airam Cardoso

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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Como un tambor...

...Candombero!


Como un tambor candombero - Candombe
(L: Diego Müller / Martim César/M: Robledo Martins/I: Shana Müller)

El alba me trae recuerdos
...De tiempos hoy ya muy viejos...
Nochecitas de febrero
Que se quedaron tan lejos...

Veladas carnavaleras
Sobre las calles del pueblo,
Mientras la luna, aún llena,
Se iba apagando en mi cielo...

Lunita llena de hechizo,
Que alumbró mis madrugadas
Cuando yo era cautivo
De otra alma apasionada...

Como un tambor candombero,
Redoblando en mi corazón
¡Seguís con el mismo lucero
Pero mi luz... se apagó!!!

Hoy me figura, mi luna
Que distinto me estás mirando
Parece que me preguntas
Qué cosas ando buscando...

Quizás la luz de aquel cielo
¡Mis sueños de juventud!
Que perdí en un febrero
En alguna calle del Sur...


Candombe é um ritmo musical afro-uruguaio.

O candombe teria surgido no Uruguai, ainda no século XVIII, a partir da mistura dos ritmos africanos trazidos ao Rio da Prata pelos escravos com sonoridades da música ibérica. A partir de 1750, com o início do tráfico de escravos para o Uruguai, então colônia espanhola, Montevidéu passou a receber levas contínuas de africanos de diversas regiões, sobretudo da África Oriental e Equatorial. Tal afluxo de escravos fez com que, no início do século XIX, a população negra de Montevidéu excedesse os 50% (cinqüenta por cento).

O termo candombe, a princípio, referia-se genericamente às danças praticadas pelos negros no Uruguai. Com o tempo, passou a designar o ritmomusical, calcado sobretudo nos tambores - chamados de tangó ou tambó, nome também usado para designar o lugar onde realizavam suascandomberas e a própria dança. Essas manifestações culturais à céu aberto chegaram a ser reprimidas pelas autoridades no século XIX, e por muito tempo foram realizadas apenas em ambientes fechados, em clubes secretos organizados pelos africanos e afrodescendentes.

Em geral, o candombe é executado por três tipos distintos de tambores - tambor piano, tambor chico e tambor repique -, que são denominados, em conjunto, como comparsa. No Carnaval uruguaio, formam-se agrupamentos musicais chamados de cuerdas, que saem às ruas acompanhados por multidões de dançarinos e populares. O cortejo é conduzido pelo Escobero, em geral um jovem que tem a função de arauto; o mestre dos tambores é conhecido como gramillero, sempre acompanhado de sua mama vieja - uma mulher vestida de trajes coloridos e com um leque à mão.

Na capital uruguaia Montevidéu, os bairros de Cuareim e Ansina são conhecidos como berços do candombe.



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(Carlos Muntefusco)

"Quis escrever músicas que fizessem as pessoas sentirem-se bem. Música que ajuda e cura, porque eu acredito que a música é a voz de Deus." 
(Brian Wilson)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Rivotrill...

...Curva de vento!


“Fazer música instrumental com bom humor e qualidade”. Este é o mote principal que norteia a concepção musical do Rivotrill. Em dois anos e meio, o grupo, formado por Eluizo Júnior (flauta, saxofone e teclados), Rafael Duarte (contrabaixo) e Lucas dos Prazeres (percussão), vem mostrando que esse intento está sendo cumprido a risca. Além disso, apesar do pouco tempo de formação, o trio vem solidificando seu nome como um dos mais inteligentes e talentosos projetos em música instrumental do nosso país, o que contribui para que 
essa trajetória seja longa e intensamente produtiva.

(Chuva verde)

CD Curva de vento


curva de vento – o disco Com algumas excelentes participações em importantes eventos musicais como o RecBeat (que faz parte da programação “alternativa” do carnaval recifense), o XVII Festival de Inverno de Garanhuns, o Festival de Música Instrumental de Guarulhos e a Feira da Música de Fortaleza, o Rivotrill foi conquistando respeito da crítica especializada e consolidando cada vez mais o seu trabalho como uma grande e feliz novidade no cenário da música instrumental contemporânea. No esteio disso, e tendo como suporte o respaldo positivo que começara a ganhar a partir de então, o grupo cai em campo para registrar oficialmente suas composições. E, com o apoio da Chesf, o Rivotrill lança para o grande público Curva de Vento, seu primeiro álbum, que tem a direção musical co-assinada por Yuri Queiroga. Porém, Curva de Vento não é só, e nem simplesmente, o primeiro álbum do Rivotrill. Ele surge também como uma extensão a mais das possibilidades de experimentação do grupo. A começar pelo próprio processo de gravação, não muito convencional. Em março de 2007, a equipe formada pelos três músicos e mais toda a produção técnica e artística se aloja numa casa, que foi escolhida para ser o estúdio de gravação do disco. A idéia era fazer tudo à sua maneira, com liberdade de criação suficiente e que pudesse dar vazão ao turbilhão de idéias e mirabolâncias que essa turma se propunha a partir de então. Para conseguir imprimir ao disco a quantidade de nuances e timbres dos quais o Rivotrill lança mão, e também para se manter fiel aos sons originalmente por eles criados, microfones foram espalhados por todos os cantos da casa. E todos os cômodos, com a sua acústica peculiar, serviram para captar os sons de forma diferenciada e característica. Contrabaixo ligado na área de serviço, pandeiros embaixo de escadas, flautas captadas no banheiro e até mesmo um djembê gravado dentro de uma cisterna. Tudo cuidadosamente registrado, com seus efeitos sonoros naturais, com suas ambiências distintas, a fim de fazer chegar até quem ouve a exata textura e profundidade de cada instrumento, criando um arsenal de sonoridades diferentes em cada música. Além disso, toda e qualquer coisa que fosse musicalmente estimulante serviu como instrumento para compor a malha sonora criada pelo Rivotrill. Apitos, panelas, pratos, sons de cigarras em fim de tarde, chuva, saquinhos de risada de brinquedo. Nada passou despercebido pelos músicos. Tudo está ali, presente. E estão também presentes no disco o carnaval, o folclore, um passeio por Cuba dentro de Pernambuco, lendas, histórias, florestas, duendes, a natureza, respirações. Curva de Vento é um passeio por diferentes territórios e concepções. Momentos por vezes áridos, por vezes intensamente verdes, delineados hora por um ritmo frenético, hora por uma cadência delicada e emotiva. Além disso, o disco conta com a participação de vários convidados, que dão um requinte todo especial ao trabalho. Naná Vasconcelos, Maestro Spok, Renata Rosa e Fabinho Costa, além do próprio Yuri Queiroga, compõem o time que participa de Curva de Vento. Neste seu álbum de estréia, o grupo traz um trabalho inovador no que diz respeito à concepção de música instrumental, de grande inspiração, criatividade e qualidade. O resultado só vem confirmar o potencial do Rivotrill e de seu som como algo denso e carregado de originalidade, capaz de despertar um olhar diferenciado sobre a música. 

(Por Leonardo Villanova - Jornalista e músico)

(Karaí)



(Groovetube)

Junior Crato | Flauta
Lucas dos Prazeres | Percussão
Rafa Duarte | Contra-baixo


O trio vem mostrando criatividade e inovação em suas composições, além de solidificar seu nome como um dos mais inteligentes e talentosos projetos em música instrumental do nosso país, o que contribui para que essa trajetória seja longa e intensamente produtiva.

Vigor e suavidade são traços que se complementam e se harmonizam em performances de tirar o fôlego de qualquer platéia!

sunset.assessoria@gmail.com

http://myspace.com/bandarivotrill


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"Como pode alguém sonhar o que é impossível saber? Não te dizer o que penso já é pensar em dizer. E isso, eu vi, o vento leva. Não sei, mas sinto que é como sonhar, que o esforço pra lembrar é à vontade de esquecer... E como será? O vento vai dizer, lento o que virá. Que leve, então!"