Por DIEGO MÜLLER

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Versos...


...In versos!!! 
(Diego Müller) 


Fiz um verso à tua partida, 
Porque partir é saudade... 
– Cada olhar uma lonjura, 
Se a lonjura é uma verdade... 
...Volta rocío ante os olhos, 
E um tanto choro em poesia... 
Se o que preciso é de rimas 
Pra reencontrar-te... um dia! 

Em versos te reconstruo... 
Em coplas te tenho amigo... 
– Cada olhar uma lonjura, 
Se há longitudes comigo... 
...Um mate, e o olhar bem fundo 
Que no verde, se perdendo, 
Campeia as charlas cambiadas 
Bajo um galpão fumacento! 

Volta... em versos teu corpo: 
Tua carne em ligação... 
– Que no estirar da bordona 
Bate o tom de um coração... 
Mas partir? ...partiu pra onde, 
Se aqui esta tua presença, 
Na voz de um cardenal macho, 
Cantando sua benquerença! 

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Quis solfejar tua partida 
Em versos – de um jeito cru – 
Mas te fiz o inverso dela, 
Te mantendo tão xirú... 

– Cantei toda a tua presença, 
Mais real do que as estradas... 
...Inverso ao próprio motivo 
De só cantar-te... e mais nada!... 
...Mais forte ao próprio motivo 
De só cantar-te... más nada!!!


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Queria agradecer a todos que de alguma forma lembraram do meu aniverssário... e principalmente ao meus 30 anos, que se encerram nesse ciclo! Agradeço de coração, pois meus 30 anos, até agora, foram os melhores anos da minha vida. E que os 31 sejam cada vez melhores, cheio de amadurecimento pessoal, profissional, cultural, musical, de humildade e conhecimento! Agradeço também a dança e a música, qu.........e me fazem cada vez mais feliz! Ao pessoal da A3 por esse ano bueno e cheio de planos! A todos os amigos e festas que tivemos... desde janeiro, parcerias e tudo mais... vendo as fotos vejo cada coisa! hehehe! Desde o ano novo! Aniverssários (como o da Pamela), praias, viagens, ao PR, a SC, rodieos um melhores que os outos, ao Enart, aos convites, as participações nas palestras do Paixão (mestre e amigo), aos concursos, às oportunidades, portas abertas, aprendizados, ensinamentos a alunos e parceiros, musicas, festivais, parcerias, etc e etc. A todos que deram os parabens pessoalmente, aqui fica meu abraço mais sinsero, e aos que usaram o celular, ligando ou por mensagem, aos do face, orkut (ainda em uso, hehe), MSN e tudo mais... sem contar os que me visitaram! Em especial ao Cabelo (fica pra outra aniver o assado. hehe), ao Tisgo pela carona, a Nanda (pelos 3 parabéns, hehehe, ou 4, não me lembro), ao Rui e a Regina por ligarem novamente, minha gratidão por tudo, sempre e sempre contem comigo!... Ao Rodrigo (neto do Rui, pelos parabens tambem no fone, hehehe)... Ao Leandro e a Eni por virem aqui... a todos do grupo OS CAUDILHOS (temo junto, sempre), ao Maurão e ao Samir, por cobrarem a carne, mas sairá. hehehe! A Ju por cobrar a festa, quem sabe sairá essa semana! Daniel, pai, mãe... e outos tantos que pode ser q esqueça alguem: James e sua baita mensagem e parceria, Adri, Déia, Taty, Isadora, Fran e ao Macos (por me homenagearem com uma foto deles dançando (hehe, mas se bem que estampa tinham, hehe), Paty e Felipe, Rui fernando pelas palavras sempre bem vindas e de coração, Glorinha por suas expressoes (to te esperando, hehe), ao pessoal do Rancho da Saudade por toda a humildade de aprender sempre, por cada desafio novo e po cada frase de gratidão: Rodriguinho, Leo, Juarez, Vituxo, Boka, Emerson, etc e etc.... muita gente para agradecer! Agradeço a cada mensagem no face, obrigado!
Diego Müller de sempre!!!
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"A gente consegue saber se um homem é inteligente pelas suas respostas e se é sábio pelas suas perguntas!"
(Confúcio)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Chamamé de Chimarrita...


J. C. Paixão Cortes 
Correio do Povo . 

Quando em 1964, visitamos Buenos Aires, tivemos a oportunidade preciosa de conhecer pessoalmente o grande musicólogo argentino Carlos Vega, recentemente falecido, que nos convidou para uma “charla” em sua residência.
Nossa palestra prolongou-se pela madrugada a dentro e focalizamos aspectos especialmente ligados ao folclore musical e coreográfico do gaúcho sul-americano. No outro dia estávamos no Instituto de Musicologia Argentina, “invitados” por aquele mestre que o dirigiu até sua morte. Lá nos colocou à disposição todo o material que aquela instituição cultural dispunha, material este que na maior parte fora coletado pelo próprio Carlos Vega, durante longos anos de pesquisas pelo interior do país. Revisamos, assim inúmeros instrumentos folclóricos e preciosas gravações sobre danças e canções de diferentes regiões argentinas. 



Detivemo-nos em especial análise, do fichário de oito mil registros musicais até então catalogados. 

Também nessa mesma estada na Capital portenha, a convite do Professor Strauss , diretor do Instituto de Cultura Brasileiro-Argentina, órgão adido à Embaixada Brasileira, naquele país amigo, realizamos uma série de cinco conferências sobre o Rio Grande do Sul. 



Quando nos referimos ao folclore musical e coreográfico do gaúcho sul-rio-grandense, projetamos uma série de slides que foram complementados com gravações especiais. E foi aí que um grupo de argentinos de Entre-Rios, componentes de uma sociedade de estudos folclóricos, que perguntou sobre a Chimarrita ou Chamarrita, de raízes portuguesas, já que naquela Província argentina, eles haviam encontrado, por mais de uma vez referências sobre uma melodia com tal denominação e que lhes interessava sobremodo, para estudos referentes à presença brasileira-luso em diferentes aspectos da região. 


Falamos então a esse grupo de estudiosos entre-rianos de que havíamos escutado, no próprio Instituto de Musicologia de Buenos Aires, mais de uma música gravada em disco (na época em que foram feitas as pesquisas não existiam as fitas magnéticas atuais), em que se pode apreciar a ascendência nitidamente brasileira, especialmente ligada ao folclore do gaúcho rio-grandense. Entre outras estava a nossa dança “Caranguejo” (não cangrejo como é denominado esse animal em espanhol). 

Por coincidência, naquele momento surgia no mercado de discos argentino um ritmo novo, rotulado de chamarrita, lançado por um conjunto de música nativista. 


E para os ilustres folcloristas de Entre-Rios dissemos o que já havíamos escrito com Barbosa Lessa, em nosso livro “Manual de Danças Gaúchas” sobre essa dança e acrescentamos aspectos outros que estão inseridos no nosso livro inédito – “Danças Gaúchas”, com um estudo introdutório sobre a formação das danças brasileiras (1). 


“A larga popularidade que gozou a “Chimarrita” no Rio Grande do Sul fez com que essa dança ou melhor, a sua cantiga, perdurasse após o advento e domínio das danças de pares enlaçados”. 



Em quase todo o Rio Grande do Sul, a partir de então, a “Chimarrita” foi dançada como uma espécie de chotes e valsa, ao passo que a música se assemelhava a uma havaneira. Coincidem, nesse sentido, as informações de pessoas das mais diversas regiões do Rio Grande do Sul. 


Dessa mistura de danças – o “chotes” e a “valsa” perduraram na região serrana; porém o “chotes”, na região fronteiriça com a Argentina, era mais valsa do que qualquer outra coisa. Aliás, as quadrinhas populares da “Chimarrita” na região serrana, confirmam nossa observação. 

“Vou cantar a chimarrita 
Que inda hoje não cantei 
Deus lhe dê muito bom dia 
Que inda hoje não lhe dei”. 

“Este chotes chimarrita 
Não se dança ele assim : 
Só se dança ele valseando 
Na costa do Quaraim”. 

Foi deste modo valseado que a “chimarrita” atravessou o Rio Uruguai, chegando às províncias argentinas de Corrientes e Entre-Rios , onde se difundiu com o nome de “chamarrita”. Amoldada ao rasqueado das guitarras a “chamarrita” gozou de enorme popularidade naquelas províncias. Nosso informante Pedro Oliveira Lima (br., 73 anos, natural de Palmeira), que agenciava trabalhadores correntinos e paraguaios para as empresas ervateiras de Palmeira das Missões e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, recorda-se de ter ouvido muitas vezes a “chamarrita” em Corrientes, mas depois desta cantiga dança já ter abandonado os bailes do Rio Grande. 


Com a nossa “chimarrita” ocorreu um curioso exemplo de migração. Transpôs o Rio Uruguai e foi popular em Corrientes. Já em nossos dias segundo o depoimento do musicólogo argentino Joaquim Lopez Flores uma empresa gravadora de discos, de Buenos Aires, resolveu dar ampla divulgação a esse ritmo correntino, porém, com o nome de “chamamê”. Assim lemos à página 157 do livro “Danzas Tradicionales Argentinas”, de Joaquim Lopez Flores : “Em Buenos Aires, precisamente na Cidade que mais contribuiu para o abandono de nosso formoso folclore e que em boa hora está reagindo – nasceram dois novos nomes para “La Chamarrita” e “La Polca Correntina”. O mais ridículo – “Chamamé”; o mais irritante – “Campera”. Com relação ao primeiro nome, creio que nasceu na gerência de uma grande firma produtora de discos fonográficos desta cidade, pois lhes posso assegurar que nenhum correntino, que conheça bem a sua Província, saberá explicar donde surgiu o nome “Chamamé” : ninguém sabia o que significava esta palavra, e com o agravante de que o provinciano em alguns aspectos é muito ingênuo e por conseguinte aceita como verídico ou real qualquer inovação inexplicável que tenha partido da primeira cidade da República. Já faz tempo que venho lutando para conseguir que se torne a dar a essas produções musicais seu verdadeiro nome, isto é, as lentas “Chamarritas” e as mais vivas “Polcas Correntinas”. 


A verdade, porém, é que as estações de rádio, lançaram para toda a Argentina a nova música “chamamé”. Em Buenos Aires o sucesso desta dança foi tamanho que um dos clubes populares do “Parque Retiro” adotou justamente o nome “Chamamé”, como atração. 
E refletindo este sucesso, as estações de rádio fizeram o “chamamé” invadir mesmo a fronteira do Brasil. O “chamamé” hoje é dança popular nos bailes campeiros dos municípios de Uruguaiana, Itaquí, São Borja e São Luiz. 
Um jovem gaiteiro com quem palestramos numa viagem de ônibus, de Santo Ângelo para São Luiz (e que casualmente voltava de um baile campeiro para que fora contratado) nos fez esta curiosa revelação : 


“Aqui na fronteira, gaiteiro que não toca chamamé se arrisca a ser corrido a relho de um baile, só podendo voltar depois que aprenda”. 
O “chamamé” penetrou na fronteira do Rio Grande do Sul por volta de 1948. É dança simples de pares enlaçados e sua coreografia limita-se quase à execução de passos de valsa comuns. Tal como o nosso “baião” urbano, é manifestação culta, lançada pelas cidades : a esta altura, não pode ser considerado manifestação folclórica, subordinado que está, inteiramente às estações de rádio e compositores portenhos. 


Em síntese : a velha chamarrita dançada pelos colonizadores açoritas que chegaram à então província do Rio Grande do Sul no século 18 e que o gaúcho rio-grandense incorporou ao seu folclore como chimarrita (mais popularmente), cruzou um dia o Rio Uruguai e firma gravadora portenha sentou-lhe a marca “Chamamé” com sabor comercial. Recentemente determinado conjunto nativista argentino lança “novo” ritmo, a “chamarrita”, que nada tem a ver com a linha migratória luso-brasileira naquele país, a não ser o nome. 

Assim se “fabrica” folclore, levando muitas vezes, pessoas menos avisadas a chegarem a conclusões infundadas ... 

1) Danças Gaúchas – com estudo introdutório sobre a formação das danças brasileiras – J. C. Paixão Cortes e L. C. Barbosa Lessa – Menção Honrosa – Discoteca Municipal de São Paulo (no prelo desde 1952). 


INFORMANT
(que merecem todo e o maior respeito):
- Deonisia Ferreira de Souza, pr., 102 anos, de Canguçu, parte leste da campanha. 
- Germano Vieira da Rosa. br., 57 anos, Piratini, idem. 
- Clemente Bitencourt, br., 50 anos, Torres, litoral. 
- Antônio T. Siqueira, br., 80 anos, Rio Pardo, bacia Jacuí. 
- Josino Eleutério dos Santos, br., 93 anos, Palmeira, Missões. 
- Amância, pr., 108 anos, natural de Santo Amaro, passou a mocidade na região serrana. São Borja, ... 25.2.1951. 

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(J. M. Blanes - Uruguay)

"É oportuno lembrar que todo professor, ao ensinar uma dança, não deve ater-se somente aos fundamentos coreográficos e musicais, mas também transmitir elementos que sejam capazes de enriquecer culturalmente aqueles que se destinam... Muita gente dança, mas nem todos a sentem folcloricamente: Folclore é alma. Folclore é coração. É bom que se diga em alto tom: Tradicionalismo não é só dança. Chegar...á o momento – e nisto temos confiança absoluta – em que nosso povo, inclusive aqueles que integram entidades tradicionalistas, abandonará a impressão, hoje generalizada, de que somente aquele que estiver em traje típico é gaúcho e que só assim poderá dançar os motivos folclóricos riograndenses. Ai, então, estaremos diante de uma verdadeira consciência folclórica tradicionalista, vivendo as festas da querência, onde os participantes não terão a obrigação de se exibirem em trajes característicos (inclusive “fardados”) nem a preocupação exclusiva de apresentarem espetáculos ou “shows”!" 
Paixão Côrtes

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

João Simões Lopes Neto...

SIMÕES LOPES NETO

(1865-1916)
 

     João Simões Lopes Neto (Pelotas, 9 de março de 1865 — Pelotas, 14 de junho de 1916) foi, segundo estudiosos e críticos de literatura, o maior escritor regionalista do Rio Grande do Sul.

     Filho dos pelotenses Catão Bonifácio Lopes e Teresa de Freitas Ramos, era neto paterno do Visconde da Graça, João Simões Lopes Filho, e de sua primeira esposa Eufrásia Gonçalves, e neto materno de Manuel José de Freitas Ramos e de Silvana Claudina da Silva. Nasceu na Estância da Graça, propriedade de seu avô paterno.

      Com treze anos de idade, foi para o Rio de Janeiro, estudar no famoso colégio Abílio. Retornando ao Sul, fixa-se em sua terra natal, Pelotas, então rica e próspera pelas mais de cinqüenta charqueadas que lhe davam a base econômica.

     Envolveu-se em uma série de iniciativas de negócios que incluíram uma fábrica de vidros e uma destilaria. Os negócios fracassaram. Uma guerra civil no Rio Grande do Sul - a Revolução Federalista - e a economia local fora duramente abalada. Depois disto, construiu uma fábrica de cigarros. Os produtos, fumos e cigarros, receberam o nome de "Diabo", "Marca Diabo", o que gerou protestos religiosos. Sua audácia empresarial o levou ainda a montar uma firma para torrar e moer café, e desenvolveu uma fórmula à base de tabaco para combater sarna e carrapatos. Fundou ainda uma mineradora, para explorar prata em Santa Catarina.

     Casou-se em Pelotas, aos 27 anos, com Francisca de Paula Meireles Leite, de 19 anos, no dia 5 de maio de 1892, filha de Francisco Meireles Leite e Francisca Josefa Dias; neta paterna de Francisco Meireles Leite e Gertrudes Maria de Jesus; neta materna de Camilo Dias da Fonseca e Cândida Rosa. Não tiveram filhos.

     Como escritor, Simões Lopes Neto procurou em sua produção literária valorizar a história do gaúcho e suas tradições.Entre 15 de outubro e 14 de dezembro de 1893, J. Simões Lopes Neto, sob o pseudônimo de "Serafim Bemol", e em parceria com Sátiro Clemente e D. Salustiano, escreveram, em forma de folhetim, "A Mandinga", poema em prosa. Mas a própria existência de seus co-autores é questionada. Provavelmente foi mais uma brincadeira de Simões Lopes Neto. Em certa fase da vida, empobrecido, sobreviveu como jornalista em Pelotas.

     Publicou apenas quatro livros em sua vida: Cancioneiro Guasca (1910), Contos Gauchescos (1912), Lendas do Sul (1913) e Casos do Romualdo (1914).

     Morreu em Pelotas, aos 51 anos, de uma úlcera perfurada.


A GALINHA MORTA

Vou cantar a galinha morta:
Por cima deste telhado.
Viva branco, viva negro,
Viva tudo misturado!

Eu vi a galinha morta,
Agora, no fogo fervendo...
A galinha foi p´ra outro,
Eu fiquei chorando e vendo!

Minha galinha pintada...
Ai! Meu galo carijó...
Morreu a minha galinha,
Ficou o meu galo só.

Minha Galina pintada...
Com tão bonito sinal!
Meu compadre me roubou
Pelo fundo do quintal.

Minha galinha morta
Bicho do mato comeu:
Fui ao mato ver as penas,
Dobradas penas me deu.

A galinha e a mulher
Não se deixam passear:
A galinha o bicho come...
A mulher dá que falar!

Eu vi a galinha morta,
A mesa já estava posta;
Chega, chega, minha gente,
A galinha é p´ra quem gosta!

Minha galinha pintada,
Pontas d´asas amarelas:
Também serve de remédio
P´ra quem tem dor de canelas...


A POLCA MANCADA

A mancada ´sta doente,
Muito mal, para morrer;
Não há frango nem galinha
Para a mancada comer.

A dita polca mancada
Tem mau modo de falar:
De dia corre co´a gente,
À noite manda chamar.

A mancada está doente,
Muito mal, para morrer;
Na botica tem remédio
P´ra mancada beber.


QUERO-MANA

Tão bela flor digo agora,
Tão bela flor quero-mana.
Que passarinho é aquele
Que está na flor da banana.
Co´o biquinho dá-lhe, dá-lhe,
Co´as asinhas, quero-mana!

Tão bela flor digo agora,
Tão bela flor quero-mana.
Que eu ando neste fado,
A própria sombra m´engana.

Tão bela flor quero-mana,
As barras do dia aí vêm.
Os galos já estão cantando.
Os passarinhos também.

Retirado do blog de CESAR CATTANI
http://produtoculturalgaucho.blogspot.com/



 
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(Capurro)

"Talvez as melhores amizades sejam aquelas em que haja muita discussão, muita disputa e mesmo assim muito afeto!"

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Transformando suor em ouro...



Liderança, competência e obstinação são traços marcantes na carreira de Bernardinho, um profissional com ambição constante pela vitória É uma pessoa extremamente estudiosa, dedicada e apaixonada pelo que faz Essas características o tornam um dos melhores técnicos da história do voleibol mundial ”

”O Bernardinho é vitorioso em tudo o que fã, ele nasceu para ganhar, com muito trabalho e atitude ” NALBERT, JOGADOR DE VÔLEI DE PRAIA E MEDALHA DE OURO EM ATENAS

”Falar do Bernardo é fácil Meu amigo incondicional desde a década de 1970, ele continua sendo um grande líder, íntegro e focado como sempre foi Seus princípios e valores são o reflexo de uma estrutura familiar maravilhosa Fico muito feli7 pelo seu sucesso, porque ele é mais do que merecedor de suas conquistas

RENAN DAL Zorro, TÉCNICO DE VÔLEI DO ClMED E MEDALHA DE PRATA EM LOS ANGELES

” Bernardinho é um vencedor por colocar no seu trabalho valores e princípios que tanto apreciamos liderança, determinação, competência para treinar e motivar equipes e capacidade de levar crescimento pessoal e alegria aos jovens ”
Bernardinho




Não tem essa balela de fator psicológico. No Brasil, além de todo mundo ser técnico, agora todos são psicólogos. Perdemos tecnicamente. 

Obs.: Técnico da seleção de vôlei feminino, após a derrota para Cuba nas semifinais, em 27 de setembro. 

“A disposição de uma equipe e o entendimento e a colaboração entre os jogadores na quadra podem ser mais decisivos que o brilho individual.” 

“A traçoeira armadilha do sucesso é um alçapão em que costumamos cair quando , 

embriagados por eventuais êxitos, passamos a nos achar melhores que os outros, quando não invencíveis, e nos afastamos da essência do sucesso: a preparação.” 


“Coaching é uma relação de parceria que revela e liberta o potencial das pessoas de forma a maximizar seu desempenho.” 

“O planejamento deve visar a metas factíveis. Ambiciosas, mas realizáveis. Se não for assim, as frustrações virão inevitavelmente.” 


“Os três pontos fundamentais na montagem de uma equipe são representados pela seguinte equação: C + F + U (C de condicionamento, F de fundamento e U de unidade).” 

“A confiança é a base de qualquer relação. E é sobre esse pilar que devemos construir o relacionamento com nossos colaboradores.” 


“O questionamento constante é uma grande fonte de crescimento. E o crescimento, por sua vez, é uma fonte de satisfação.” 

“Meta: onde queremos chegar? Planejamento: como vamos chegar?” 

“Não importa o tamanho do seu talento se você é incapaz de fazer parte de um grupo de uma comunidade, e se dá mais importância ao ‘eu’ do que ao ‘nós’.” 

“A missão do líder e sua contribuição de buscar o máximo de cada um muitas vezes contrariam interesses, mas ele deve seguir suas convicções sem buscar popularidade, e sim o melhor para sua equipe.” 

“Comprometimento pressupõe divisão de responsabilidades. Já cumplicidade é fruto de egos e vaidades sob controle.” 

“Disciplina não é somente impor e seguir regras rígidas. É, sobretudo, obter o envolvimento de todos numa mesma dinâmica de trabalho.” 


“É fundamental que o líder monitore intensamente sua relação com os colaboradores em momentos de sucesso.” 

“Atenção a todos os momentos – a decisão quase sempre está nos detalhes.” 


“É importante criar dificuldades para os que têm talento. As facilidades os limitam.” 

“A maior tristeza não é a derrota, mas não ter a oportunidade de tentar de novo.” 

“O sucesso tem muitos pais. Mas o fracasso é quase orfão.” 

“Em qualquer atividade, diferenças muito pequenas podem mudar a percepção do mundo em relação à nossa capacidade.” 

“É obrigação do treinador, do líder, em buscar em si mesmo as causas do insucesso e assumir responsabilidades em vez de recorrer a desculpas.” 

“A única forma de se manter a frente m qualquer área é dedicar-se ao processo de preparação com pelo menos o mesmo entusiasmo do segundo colocado.” 


“Expectativa gera responsabilidade, o que leva à necessidade de mais trabalho e a uma atenção ainda maior aos detalhes.” 


“O líder deve ser um facilitador de bons desempenhos, mas não deve buscar a popularidade.” 

Bernardo Rocha de Rezende
BERNARDINHO


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O bom profissional é aquele que nunca acha que o que conquistou é o bastante, que sempre quer algo mais que está disposto a sacrifícios individuais em nome de um objetivo coletivo. E o bom líder é aquele que consegue incutir esse questionamento em seus colaboradores.” 
Bernardinho

domingo, 27 de novembro de 2011

Olhe...


Do meu olhar
 (Diego Müller) 

Meus olhos trago cansado por procurar calmarias 
Nas distâncias incessantes assombradas de rebeldia... 
Tormentas de ter partidas, ressabiadas de voltar, 
Pondo marejos nas horas aos cristais do meu olhar! 

Sombras que vigiam rumos, pelo negrume dos rastros, 
Adormecendo sorrisos, bombeando horizonte vasto... 
Há silêncios nas retinas repovoando o cantar 
Num brado de voz calada do facho do meu olhar...!!! 

...Dói na alma esta paisagem que o olhar teima em chorar: 
Solidão de voz e cisma no anseio de ser “buscar”... 
Percurso em céu de lonjura com lumes de bem-querer... 
– Um dia, talvez, reencontre o que não busca esquecer!!! 

Um olhar de espelho gasto refletindo ao pensamento 
Outro olhar – trevas de vida – que buscou nos sentimentos... 
...Visão de olhos fechados, num mundo pra o recriar, 
Quando o breu puxa os nuances da distância, além do olhar! 

Por isso escuto um silêncio que fala só com este olhar: 
Se a vida não cruza à porta olhos servem pra buscar... 
E a sina é céu e noite, como a luz que é o luar: 
Vejo ela pro infinito, porém sem poder tocar...!!! 

...Dói na alma este luzeiro que o olhar teima em buscar: 
Voz de cisma, em soledades, no anseio de ter chorar... 
Lonjura em céu de percurso com um bem-querer de lumes... 
– Um dia, talvez, reencontre o que só a saudade assume!!!


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O olhar de quem odeia é mais penetrante do que o olhar de quem ama.

Enart 2011

Primeiros lugares
ENART 2011



1º CTG RANCHO DA SAUDADE 
CACHOEIRINHA 
1ª 

UNIÃO GAÚCHA J. SIMÕES LOPES NETO - PELOTAS 26ª

CTG TIARAYÚ - PORTO ALEGRE 1ª 

CTG ALDEIA DOS ANJOS - GRAVATAI 1ª 

DTG CLUBE JUVENTUDE - ALEGRETE 4ª


Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" para ser insignificante.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ENART 2011...

CTG Rancho da Saudade
Cachoeirinha/RS

Rancho da Saudade no ENART 2011


O CTG Rancho da Saudade produziu um vídeo para apresentar a sua rica proposta para o ENART 2011. 
Esse vídeo é uma pequena amostra do trabalho de pesquisa realizado, com entrevistas feitas com autoridades em tradicionalismo e folclore gaúcho, como Manoelito Savaris e Antônio Augusto Fagundes. 
Mostra referências bibliográficas utilizadas, de autores como Auguste de Saint-Hilaire, Nicolau Dreyes, Paixão Côrtes, Barbosa Lessa, Lilian Argentina e Luiz Celso Gomes Hyarup, 
e ainda o trabalho realizado por amigos e parceiros, como Alexandre Ourique, 
Diego Müller, Jorge Marino e Alex Balaka.


Esse vídeo foi apresentado no evento de pré-estréia, e está disponível para todos agora.

Apreciem!!!

...e compareçam no ENART para assistir,
Ou acompanhe ao VIVO pelo PORTAL MTG:


Ao todo são 40 entidades divididas em cinco blocos. 
Os 20 melhores colocados se apresentam novamente no domingo, 20, quando, à noite, são conhecidos os campeões. 
Em 2010, DTG Clube Juventude consagrou-se campeão e neste ano é reponsável pela cerimônia de abertura. 

"Perdido seja para nós aquele dia em que não se dançou nem uma vez! 
E falsa seja para nós toda a verdade que não tenha sido acompanhada por uma gargalhada!"

Grupo de Tropeirismo Biriva OS PROVINCIANOS
No Rodeio de Vacaria de 2010

BLOCO 1
01.CTG CAMINHOS DO PAMPA - PORTO ALEGRE
02.CTG RONDA CHARRUA - FARROUPILHA
03.CTG SENTINELA DA QUERÊNCIA - ERECHIM
04.CTG ESTÂNCIA GAÚCHA - CANOAS
05.GTF CEL. APARICIO BORGES - SANTO ANGELO
06.CTG OS FARRAPOS - PELOTAS
07.CTG OS TEATINOS - RIO GRANDE
08.CTG RODEIO DA QUERÊNCIA - FREDERICO WESTPHALEN

BLOCO 2
01.DT CONTINENTE DE SÃO PEDRO - CRUZ ALTA
02.CTG LANCEIROS DE SANTA CRUZ - SANTA CRUZ DO SUL
03.CTG TROPILHA CRIOULA - SÃO BORJA
04.CTG CEL. THOMAZ LUIZ OSÓRIO - PELOTAS
05.GAN IVI MARAÉ - SÃO LEOPOLDO
06.CTG SENTINELA DA QUERÊNCIA - SANTA MARIA
07.CPF PIÁ DO SUL - SANTA MARIA
08.DTG LENÇO COLORADO - PORTO ALEGRE

BLOCO 3
01.CTG FARROUPILHAS - SANTA MARIA
02.GRUPO TEBANOS DO IGAI - PASSO FUNDO
03.CTG GILDO DE FREITAS - PORTO ALEGRE
04.CTG RINCÃO DA ALEGRIA - SANTA CRUZ DO SUL
05.UNIÃO GAÚCHA J. SIMÕES LOPES NETO - PELOTAS
06.CTG HERDEIROS DA TRADIÇÃO - CAXIAS DO SUL
07.CTG M´BORORÉ CAMPO BOM - CAMPO BOM
08.CTG LALAU MIRANDA - PASSO FUNDO

BLOCO 4
01.CTG ESTÂNCIA DA SERRA - OSORIO
02.DTG GENERAL CANABARRO - TEUTÔNIA
03.CTG ALDEIA DOS ANJOS - GRAVATAI
04.CTG RANCHO DE GAUDÉRIOS - FARROUPILHA
05.DT QUERÊNCIA DAS DORES - SANTA MARIA
06.GTCN VELHA CARRETA - CAXIAS DO SUL
07.DTG CLUBE JUVENTUDE - ALEGRETE
08.CTG TRÍPLICE ALIANÇA - URUGUAIANA

BLOCO 5
01.CTG CAMPO DOS BUGRE - CAXIAS DO SUL
02.CTG GUAPOS DO ITAPUÍ - CAMPO BOM
03.CTG TIARAYÚ - PORTO ALEGRE
04.DTG CANDEEIRO CRIOULO - PELOTAS
05.CTG HEROIS FARROUPILHAS - CAXIAS DO SUL
06.CTG CLUBE FARROUPILHA - IJUI
07.CTG CARRETEIROS DO SUL - PELOTAS
08.CTG RANCHO DA SAUDADE - CACHOEIRINHA


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"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. 
Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro!"

domingo, 13 de novembro de 2011

Oração ao tempo...



Oração Ao Tempo
Caetano Veloso

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...


- * - * - * - * - * - * - * - * -

(Alberto Güiraldes)

"Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de abraçar e tempo de afastar-se; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz."
( Eclesiastes )

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Das miradas...


...e apenas!


Mirada 
(Diego Müller)

Jogo a mirada nas saudades que carrego...
– Nostalgias tantas debruçadas num cantar!...
Sentir saudades é ter mirada nos ventos
E bem saber aonde a mesma quer pousar!

Cada ansiedade, e estas faltas já se assomam,
Sabendo ver por aonde os sonhos vão também:
Pegar a estrada na demora dos caminhos,
Sem dor de espinho... dos quais eu conheço bem!

Procuro um rumo – que sei qual, mas não senti!...
Busco um luzeiro – dos olhares, que eu mirei!...
Persigo um gosto – que decifro, junto aos mates!...
...Insisto ao norte – nas miradas... que eu deixei!

Cada mirada... e a mesma cena!...
– Rosto moreno – se me entender!...
Distância e um sonho... que me condena
A ter mirada em teu bem-querer!!!

Jogo as saudades nas miradas debruçadas,
Pois sei que a vida quer somá-las, pra entregar!...
...Regalo e um sonho – que a paisagem pinta altiva –
Se a alma, bem viva, mira o teu céu, por amar!

Cada paisagem, e estas angústias fisgando,
Não compreendendo porque prender meu olhar...
– Será teu rumo, só outro rumo ante as estradas,
Que dá num nada... e nem parei pra me quedar?

Se bem mirei é por querer – mais que as miradas –
Os teus olhares, entregues somente a mim...
– Mas sei que um dia seremos “mesma mirada”,
Mirando um sonho que pede ser nosso... enfim!!!

Cada mirada... linda morena!...
– Pro nem tentei – e o que não perdi!...
O tempo mira... pintando a cena
De um sonho nosso que sonho em ti!!!


"Por vezes pessoas, das quais nem imaginamos o quanto, nos deixam lembranças mínimas, onde  nos tornam escravos das mesmas, mais e mais, buscando-as constantemente. 
Somos miradas fonte ao tempo, olhares num futuro, ansiedades que querem longe, note adiante, sonho e rumo!
Cada lembrança tem muito das minhas miradas, cada quimera o "adelante"... 
Sonho estar nos sonhos que vem! Estar nos olhos além!
Sonho estar nessas quietudes mirando fundo no olhar!... se mirada - uma apenas - no que pede o meu sonhar!"

Abraço ao pessoal de Caxias do Sul, em especial a todos do Pampa do Rio Grande, e meus amigos da família Gomes de Andrade, por sempre me abraçarem como amigo e familiar!

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(Francisco Madero Marenco)

"Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção!"

Compromissos...


(Foto de Reno Villagran)

...e trabalhos!
(Alex Silveira)

Tô com saudade dos meus amigos, das jantas, do futebol, das guitarreadas,de um rodeio, dum festival.
Tenho pensado. 
Nem escrever mais fazer poesias tenho feito um dom que Deus me deu, de um mate com um parceiro pra falar de poesias e cavalos. 
Só correria e trabalho e mais trabalho e compromissos de trabalho.
Minha alma pede um pouco pra mim mesmo.
A gente precisa trabalhar mas será que as vezes vale a pena?... não ter tempo pro resto pras coisas que se gosta de fazer?
O tempo vai passando e hoje me dei conta que não era assim, que tinha tempo pra tudo. 
Como a gente fica pobre de espírito quando só pensa numa meta.
Sei que trabalho no que gosto, mas as vezes um mate com um amigo vale muito.
Desculpem minha sinceridade mas quantos não estão assim envolvidos no trabalho que esquecem do resto das simples coisas.
Isto é uma reflexão de vida.não quero que seja tarde pois o tempo passa!...

(Foto de Diego Müller e Michel Martins - Estância da Floresta)

Poemita campeiro 
 (Aureliano de Figueiredo Pinto) 

Verde e plana! Plana e verde! 
Linda por verde e por plana 
A chapada campechana 
Que aquém do posto se perde! 

As crianças do posteiro 
Alegres de ingenuidade 
Ali corriam... Brincavam... 
Com vestidos e bombachitas 
Vermelhas, como florzitas 
Que na campanha brotavam! 

Essa, a impressão que tivera 
Um doutor que lá pescara, 
Num lagoão de água mui clara, 
Da invernada da Tapera! 

Uma feita – madrugada – 
Lá foi chamado o doutor 
Por um chasque em disparada: 
– “Não vê que uma das crianças, 
Sentia febre e uma dor 
Do jeito de uma pontada!” 

O famoso 29 
Bufou e urrou no peludo 
De barro negro... E só às 9 
Foi chegando o sabe-tudo!!! 

E então na mesa da sala 
Do rancho asseado e pobre, 
O olhar do doutor descobre, 
Com infinita tristeza... 

De vermelho, e sem mais cores, 
A meninita Aleonores, 
Com um manjolo de flores 
Murchando em riba da mesa!!!

(Foto de Diego Müller e Michel martins - Estância do Batovi)

"Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro!"

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Índio que a gente conhecia...


O Índio que eu conheci...
(Rogério Villagran)


Existem pessoas que escrevem a sua historia com muito pouca coisa... Eu conheci um homem que escreveu a sua, apenas com um par de esporas de ginetear em pelo e uma rédea pescoceira!!!! Apenas isso!!! Ele era índio!!!! Os índios são exímios cavaleiros apenas saltando em pelo sobre o lombo do cavalo... E este índio que eu conheci era o melh...or de todos!!! Não sei de qual tribo ele era, mas sei que todas as outras “tribos” o idolatravam e admiravam... Muitos queriam ser índio que nem ele!!! Ser o índio que ele era, ter a mesma coragem, a mesma destreza, saber das manhas que só ele sabia... Ter, da mesma forma, o domínio que ele tinha sobre os seus objetivos, quando lentamente ele caminhava na direção do palanque onde lhe esperava, atado, mais um capitulo da sua estória, que ali continuaria sendo escrita!!! Um cavalo aporreado!!! Poderia ser qualquer um... Poderia ter qualquer pelagem... Desde que fosse muito veiaco!!! Que tivesse um nome que intimidasse... Que fosse desafiador... Que tivesse fama... Que fosse invicto...Que fosse uma topada dura...e alem disso tudo, que fosse muito veiaco!!!! Por que assim ele poderia dar continuidade a sua história... Gineteando!!!! Eu vi este índio ginetear... E agora vejo o quanto, foi importante aquele grito que eu dei, junto a tantos, que também gritaram na beira da cerca... Não froxa Indio!!!! Quando a mão do palanqueiro puxou a soga ali no seu pedido de “solta”... Muitos tombos, Muitísimos triunfos...isso tudo faz parte de uma história!!!! História de quem gineteava muito... Um homem muito de a cavalo...um ser humano perfeito!!!! Com todos os defeitos e todas as qualidades que todos nós, temos o direito ou obrigação de ter... Creio que isso sim, faz uma pessoa ser perfeita!!!! Eu lhe admirava muito, lhe tinha um carinho enorme... Era um índio amigaço!!! Um índio gaúcho!!! De poucas palavras, mas palavras verdadeiras... E, porém muito irreverente quando podia ser!!! Alguém que sei que tinha o mesmo respeito por mim... Sempre dizendo: Rogério, quando vier a Lages aparece la por casa pra tomar um mate!!! Sempre vou dar muito valor a sua imagem e a sua história, ainda mais porque sei, que ela foi escrita apenas com um par de esporas de ginetear em pelo e uma rédea pescoceira...isso é para poucos meus amigos!!!


IVAN RIBEIRO!!!! Este é o nome de quem falo...Todos lhe chamavam de ÍNDIO!!!! E hoje estou muito triste porque, á tardinha, quando eu estava julgando umas gineteadas aqui na minha terra, recebi a triste noticia de que o meu amigo INDIO havia morrido... Ficou aquela sensação de que estava faltando alguém por montar...aquela vontade de pedir para o narrador chamar mais uma vez...dizer: Índio!!! Ivan Ribeiro!!! Teu cavalo ta no palanque!!!! É muito triste saber que a vida, ou mesmo talvez o que chamamos de destino, mesmo tendo os seus motivos, não foram nem um pouco generosos achando-se no direito de escrever este capitulo tão doloroso, numa história que era tão linda... Não era pra ser assim!!!
Amanha vou pedir, que, por ti, um aporreado seja solto Índio... E vou dar a tua “nota” com o meu coração!!! Vou pedir pra Deus que te “saque” na garupa... E que Nossa Senhora Aparecida te entregue o maior de todos os prêmios!!!! O reconhecimento de todos que te queriam bem, que torciam por ti, que seriam capazes de fazer o mesmo que tu fizeste, onde querendo ser aquele que faz um costado, que amadrinha, que livra do tombo, que salva, perdeste a tua própria vida...Isso é ser um grande homem!! Valoroso!!! Destemido!!! O ginete Lageano!!!! Um dos homens mais cavaleiros que conheci!!! Uma grande perda!!! Te deixo aqui um grande abraço meu amigo!!!! Um grande abraço Índio!!!

Que orgulho sinto eu...segurar esta bandeira, deste estado que sempre me deu muito valor: Santa Catarina!!!! vou guardar para sempre este recuerdo Índio...mais orgulhoso fico eu, por dividir este momento contigo...Ivan Ribeiro!!!!
 Minha família toda sente muito o teu destino...meus pais te admiravam muito...minha mãe pela pessoa humilde que ela via em ti...meu pai pelo verdadeiro homem ginete que tu representava!!!

Um grande abraço Ivan Ribeiro!!!

Que Deus o tenha junto dele!!!!



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Se foi num dia de novembro
Vestido de primavera
Ficaram garras e cordas
E uma gineta quimera
Seu nome os ventos repetem
Seu basto ficou tapera!

Pedimos para um Deus criollo
Que lhe dê como regalo
Um funeral ded cordeona
Com relinchos de cavalo!!!

(João Sampaio e Filipe Corso)

Nossa reverência ao grande ginete Ivan Ribeiro que se foi,
extensivo a toda a sua família, principalmente ao nosso parceiro de arte Edvan, também... 
Índio Ribeiro!!!
(Carlos Muntefusco)

"Enquanto houver alguém que lembre da gente a gente não morre. E quando ninguém mais lembrar,aí já não importa, pois é sinal de que estamos todos juntos." 
ANÔNIMO.