Por DIEGO MÜLLER

terça-feira, 31 de maio de 2011

Antônio Soares de Oliveira...



...Tio Bilia!


Antônio Soares de Oliveira, o Tio Bilia 
foi um compositor e gaiteiro brasileiro.

Nasceu em Serra de Cima, no município de Santo Ângelo (RS). Desde menino teve a vocação pela música, autodidata, consagrou-se como um dos melhores intérpretes da musica regionalista criola. Sua 8 baixos traduzia o estilo guapo da região missioneira.

Começou a tocar aos 10 anos, no interior do atual município de Entre-Ijuís. Aprendeu a dedilhar o instrumento sozinho, ouvindo outros gaiteiros. Apesar de ter se tornado famoso só na década de 1950, Tio Bilia já animava os bailes do interior há muito tempo, pois tocava em bailes desde os quatorze anos de idade.

Teve como incentivadores o Major Maximiano Bogo e Oneide Bertussi. Gravou seu primeiro LP, o "Baile Gaúcho", com Virgilio Pinheiro e seu conjunto. Foi um marco de autenticidade musical do legítimo baile tradicional gaúcho, com melodias criolas, conservadas pelos próprios executantes, característica que preservou em toda a sua obra.


Até os 85 anos, quando morreu, gravou 111 músicas. Gravou seu primeiro LP, o Baile Gaúcho, com Virgilio Pinheiro e seu conjunto.

Foi um autodidata. É bastante reverenciado nas Região das Missões. No bairro Pippi, em Santo Ângelo, uma escultura de três metros de altura foi erguida em sua homenagem.


(Tito Callegaro - Canoas/RS - e Alejandro Brittes - Argentina - 
tocando Tio Bilia)

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Cordeona 
(Jayme Caetano Braun) 

De onde me vem, 
Cordeona, o formigueiro 
Que sinto na alma, 
Ao te escutar floreando? 

E essa vontade 
De morrer peleando... 
Será que um dia 
Eu já não fui gaiteiro? 

De onde me vem 
Esse tropel no pulso, 
E esse calor de fogo 
Que incendeia? 

Por que será 
Que fico assim, convulso, 
E só de ouvir-te 
O sangue corcoveia??? 

É o atavismo, eu sei, 
– Cordeona amiga – 
Sem que tu digas, 
Sem que ninguém diga... 
Parceira guasca 
Que nos apaixonas! 

E se mil vidas 
Deus me desse, um dia, 
Uma por uma 
Delas, eu daria, 
P´ra ter mil funerais 
De mil cordeonas!

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Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. Ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender. 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Francisco Madero Marenco...


...El Pancho!!!



Argentino nacido en Buenos Aires en 1980...

...El artista plástico que aborda la temática criolla se expone a una doble critica ya que la mayor parte de quienes la contemplan son tradicionalistas sabedores que, además de fijar su atención en la composición, el color, la perspectiva... Observan con espíritu, en ocasiones no generoso, detalles tales como pelajes, integración de los aperos, modo como se ha puesto una manea, posición de los remos delanteros y traseros en los distintos andares, ubicación con respecto al vacuno o yeguarizo, de quien aplica la marca, forma en que se halla colocado el chiripa, etc.


Pero Francisco Madero Marenco, nuestro joven amigo “Pancho”, conoce muy bien arte y costumbres camperas y tanto el pincel como la guitarra y el lazo, primero por haberlo visto desde niño en las obras de su abuelo, nuestro recordado Eleodoro Marenco, de quien es un ferviente admirador – admiración que comparto-, y luego por vivirlo personalmente ya que reside y trabaja en campos de su familia.
De esta su segunda exposición – si bien no he visto sus nuevas obras al momento de escribir estas líneas- no dudo de su calidad y autenticidad y ya estoy gozando de ellas por anticipado.
Tendremos oportunidad de apreciar su maduración y su perfeccionamiento, tanto desde el punto de vista técnico y artístico como desde el costumbrista ya que asistiremos a una exposición de obras de una promesa, ya cumplida, de la plástica de temática criolla, abordada con calidad y pasión por nuestro hombre de a caballo a través de sus distintas actividades rurales.


Muestras Individuales: 

2005 Espacio Ag
2004 100 Años Automovil Club Argentino, filial Necochea.
2004 Galeria Espacio Ag, Capital.
2002 Instituto de la tradición, “Martin Fierro”, Rosario.
2002 60 años Fortin Pergamino.
2002 31 Fiesta Provincial del Caballo, Bragado.
2001 Galería de Arte Sara Garcia Uriburu, Capital.
1999 28 Fiesta Provincial del Caballo, Bragado.



Muestras Colectivas: 

1998 Sociedad Rural de Tapalqué.
1998 Fiesta del Gaucho de General Madariaga.
1999 Fiesta de la Tradición en Lobos, junto con muestra de recados antiguos de la Fundación Ferrari.
1999 Muestra de la Tradición en Bahía Blanca, con Fundación Ferrari.
1999 Fiesta del Hombre de Campo en Tandil.
2000 Fiesta del Hombre de Campo en Tandil.
2002 Exposición Otoño Caballos Criollos, SRA Palermo.
2002 50 años Centro Tradicionalista El Fogón, Chivilcoy.
2003 Sociedad Rural de Tapalqué.
2004 Exposición Otoño Caballos Criollos, SRA Palermo.




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A vida é para quem topa qualquer parada, e não para quem pára em qualquer topada.
(Autor desconhecido)

domingo, 29 de maio de 2011

Chamigo...

...mira que lindo...


Chamigo
Chamamé
(L: Diego Müller/M: Antônio Gringo)


Chamigo... Mire que lindo 
Mi chamamecito avá, 
Bien del modo crudo y bello 
Que canta el paraguayguá... 

Chamigo... Baila conmigo, 
Con las güainas pretendidas, 
En este chamamé maceta 
Haciendo amores pa´ la vida! 

Que yo lo canto – Chamigo – 
Como cantan los catés 
Guaranies misioneros 
De mi pueblo imaguaré... 

Soy uno de ellos – Chamigo – 
Paysano guaranicero... 
Hombre del río y el estero: 
Hijo “güeno”, y misionero! 

Chamigo... Mire que lindo 
Che caáguassú avá... 
Selva añeja – verde y viva – 
Oloroso de m´burucuyá... 

Chamigo... viene conmigo, 
En el ka´ay y en el tereré, 
Viajar por mi pátria índia 
Que se llama El Chamamé!!!






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Ao ver um gigante, verifique antes a posição do sol; pode ser que seja a sombra de um pigmeu. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Chapadão...

...de Tom Jobim!



Este poema que se segue, da autoria de Tom Jobim - Chapadão - é um poema famoso como o seu Segundo a sua esposa, Ana, Tom levou 8 anos para completar o poema. http://www.raizonline.org/oitentaeum/sessentaequatro.htm


Chapadão
Tom Jobim

Vou fazer a minha casa
No alto do chapadão
Vou levar o meu piano
Que ficou no Canecão

Vou fazer a minha casa
No alto do Chapadão
Vou levar don'Aninha
Prá me dar inspiração

Vou fazer a minha casa
No alto de uma quimera
Vou criar um mundo novo
Inventar nova megera

Vou fazer a minha casa
Com largura e comprimento
E peço ao Paulo uma sala
Pra botar Aninha dentro

Vou botar minha biruta
No taquaruçu de espinho
Vou fazer cama macia
Pra te amar devagarinho

Seremos dois belezudos
Neste mundo de feiosos
As noites serão tranquilas
E os dias tão radiosos

Quero minha casa feita
Com régua prumo e esmero
Quero tudo bem traçado
Quero tudo como eu quero

Quero tudo bem medido
De largura em comprimento
Não quero que minha casa
Me traga aborrecimento

Vou fazer a minha casa
Do alto de uma canção
E agradecer a Deus Pai
A sobrante inspiração

Sob a axila do Christo
Neste sovaco christão
Vou fazer a minha casa
No alto do Chapadão

E vou dar festa bonita
Com bebida e com garçon
E ao Lufa que foi amigo
Dou champagne com bombom

Vou fazer a minha casa
No centro do ribeirão
Quero muita água limpa
Pra lavar meu coração

Minha casa não terá
Nem sábado nem domingo
Todo dia é dia santo
Todo dia é dia lindo

Todo dia é sexta-feira
Sexta-feira da paixão
Vou convidar o Alberico
Para o peixe com pirão

E dentro da minha casa
Nunca vai juntar poeira
Pelo meio dela passa
Uma enorme cachoeira

Quero água com fartura
Quero todo o riachão
Quero que no meu banheiro
Passe inteiro o ribeirão

Quero a casa em lugar alto
Ventilado e soalheiro
Quero da minha varanda
Contemplar o mundo inteiro

Vou fazer o meu retiro
Na grota do chororão
A minha casa será
Uma casa de oração

Vou me esquecer do pecado
Entrar em meditação
E não saio mais de casa
Só saio de rabecão

Vou entrar pra Academia
Vou comer muito feijão
E acordar à meia-noite
Pra vestir o meu fardão

Mas na minha Academia
Sem chazinho e sem garçom
Só entra Mário Quintana
Só entra Carlos Drummond

Que já chega de besteira
Já basta de decoreba
Que a cultura verdadeira
Tá na asa do jereba

Porque tem urubu-rei
E tem urubu-ministro
Dois de cabeça amarela
E um preto que registro 

Registro neste debuxo
Os dois condores também
Embora urubus de luxo
Têm direito no além

Sob a axila christã
Neste sovaco christão
Vou fazer de telha-vã
A casa do Chapadão

Vou dormir meu sono velho
Neste sovaco do Christo
Vou comprar muito sossego
Vou regar o meu hibisco

Vou viver na minha casa
Vou viver com a minha gente
Vou viver vida comprida
Prá não morrer de repente

Vou contemplar grandes pedras
Vazio de compreensão
Vou esquecer o meu nome
No alto do Chapadão

Vou plantar um roseiral
Vou cheirar manjericão
Vou ser de novo menino
Vou comprar o meu caixão

E vou dormir dentro dele
Bem relax tranqüilão
Dormir de banho tomado
Já pronto para a extrema-unção

Vou fazer a minha casa
No alto do cemitério
Vou vestir a beca negra
E exercer o magistério

Vou vestir a roupa lenta
Que leva ao desconhecido
E eis que chego aos sessenta
Como um homem sem partido

Nesta passagem de vento
Nesta eterna viração
Vou fazer a minha casa
Com as pedras do ribeirão

Vou fazer a minha toca
No bico d'urubutinga
No pico da marambaia
Lá na ponta da restinga

Será no rastro das antas
Na trilha da sapateira
Que é pra onça do telhado
Cair dentro da fogueira

Que eu gosto de onça assada
Mas na brasa da lareira
Conversando ao pé do fogo
A conversa rotineira

Das queixadas dos macucos
Conversa pra noite inteira
Da memória das caçadas
Na floresta brasileira

Deste planalto central
Este projeto christão
A ninguém faltará teto
A ninguém faltará pão

Desta prancheta ideal
Na luminosa manhã
Dr. Lúcio faz o risco
Do projeto telha-vã

Nesta oficina serena
Carpintaria christã
Dr. Lúcio mais Oscar
No projeto telha-vã

Neste canteiro de obras
Onde manda mestre Adão
Os milhares de operários
Colocar as telhas vão

Neste desvão principal
Nesta branca e azul manhã
Vou erguer a minha casa
De vermelha telha-vã

Vou fazer a minha casa
No meio da confusão
Que o jereba se alevanta
No olho do furacão

Vou fazer a minha casa
Na asa d'urubu peba
Que casa só é segura
Feita em asa de jereba

Vai ser na vertente seca
Na virada da chapada
Onde o peba se suspende
Na fumaça da queimada

Não quero mais ter galinha
Vendo toda a capoeira
Vou mandar cortar o mato
E vender toda a madeira

Mas quem pôs fogo no mato ?
E espontânea a combustão ?
Esse fogo vem de longe
Esse fogo é de balão 

Inda que mal lhe pergunte
Esse fósforo aí grandão
O compadre me desculpe
E só de acender balão ?

Vou botar fogo no mato
Comandar rebelião
Incendiar a floresta
Tacar fogo no sertão

E o urubu de queimada
Vai surgir na ocasião
Pra comer todas as cobras
Sapos ratos pois então !

Caracóis e lagartixas
e todos bichos do chão
Urubu santo lixeiro
Tu és da Comlurb então ?

Trabalhando o ano inteiro
Tem décimo terceiro não ?

Camiranga meu amigo
Obrigado meu irmão
Que limpa toda sujeira
Desse povo porcalhão

Q'inda por cima te xinga
De feioso e azarão
«Doação ilimitada
A uma eterna ingratidão»

E vou viver no deserto
Quero o ar puro do sertão
Não quero ninguém por perto
E nem que passe avião

Não pode ter venda perto
Nem estrada de caminhão
Não quero plantas nem bichos
Nem quero mulher mais não

Quero vestir meu pijama
Smith e Wesson na mão
Quero ler na minha cama
Papo-amarelo no chão

As histórias do corisco
Vividas nesse sertão
Que Sérgio Ricardo e Glauber
Cantavam ao violão

«Eu não sou passarinho
Prá viver lá na prisão
Não me entrego ao tenente
Nem me entrego ao capitão
Eu só me entrego na morte
De parabelum na mão»

Minha casa é por aí
E no mundo monde mondo
Que eu só durmo no sereno
Quem faz casa é marimbondo

Vou cerzir a minha asa
Na casa do Sylvio então
Pra voar que nem jereba
Bem longe do Chapadão

Vou vender o meu pandeiro
Vou levar meu violão
Favor mandar meu piano
De volta pro Canecão

Vou-me embora vou-me embora
Aqui não fico mais não
Adeus minha bela morena
Vou pegar meu avião

Adeus minha roxa morena
Minha índia tupiniquim
O meu amor por você
É eterno até o fim

Não quero partir chorando
Já tá tudo tão ruim
Não chore meu bem não chore
Não me deixes triste assim
Adeus minha moreninha
Não vá se esquecer de mim

Mas não vou ficar solteiro
Você pára de chorar
Que com a sobra do dinheiro
Mando logo te buscar

Avião papa jereba
Passa mal e cai no chão
Avião foge do peba
Peba derruba avião

Por favor seu urubu
Me deixe passar então
Não entre em minha turbina
Não derrube o avião

Eu já tô tão tristezinho
E tantos outros já estão
Não derrame meu uisquinho
Não abata o meu jatão

Vou-me embora desta terra
Meu desgosto não escondo
O afeto aqui se encerra
Quem faz casa é marimbondo

Vou-me embora vou-me embora
Você não me leve a mal
Se Deus quiser fevereiro
Venho ver o carnaval

E não quero mais ter casa
Precisa de casa não
Quem tem casa é marimbondo
Minha casa é o avião

Telefonei pro aeroporto
Não tinha avião mais não
Vou fazer minha viagem
Na asa do peba então

(Acho asa de jereba
Mais segura que avião)...

(Chapadão - interpretada por TOM JOBIM - Seu autor)


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(Tito Saubidet - Argentina)

A gente leva da vida a vida que a gente leva.

Festivais...

(Martim Fierro: Diego Muller, Quarteto Coração de potro, Ramiro Amorim e Gicela Mendez Ribeiro)

Dias 3 e 4 de junho estaremos presente no festival TROPILHA CRIOULA DA MÚSICA GAÚCHA, onde estrearemos junto com sua primeira edição, com o tema TIERRA ANTIGUA, um chamamé com temática folclórica correntina, em parcerias com os amigos Raineri Sporh e Otávio Severo, sendo interpretado por Danieli Rosa e Julio Froz.

* Tierra antigua - Chamamé
L: Diego Müller / M: Raineri Spork e Otávio Severo
I: Julio Froz e Danieli Rosa


Já nas datas de 10 a 12 de junho o festival será em BUTIÁ, na COXILHA NEGRA, que retorna à ativa. Levaremos para o seu palco o tema do folclore Uruguaio (um candombe), COMO UN TAMBOR CANDOMBERO. O tema é em parceria com os grande amigos MARTIM CESAR e ROBLEDO MARTINS, levando a cultura carnavalesca Uruguaia aos palcos gaúchos, com maestria.

* Como un tambor candombero - Candombe
L: Diego Müller e Martím César / M: Robledo Martins
I: Shana Müller


E para encerrar o mês, de 17 a 19 de junho o festival é em SÃO JERONIMO, na primeira edição (também) do VOZES DO JACUÍ, onde dessa vez serei jurado, juntamente com os amigos e parceiros ANTÔNIO GRINGO, CHICO LUIZ, LEONARDO PAIM e DUDU LOPEZ. Esperamos todos lá para confraterizar nesse grande evento, inédito em São Jerônimo.


Abraços a todos, e consumam o Blog!!!!!!!!!!

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"Que haverá com a lua, que sempre que a gente a olha é com o súbito espanto da primeira vez?"
(Mestre Mário Quintana)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A sétima vez...



A sétima vez

Eu ontem morri de novo
E foi a sétima vez
Mas amanhã eu não morro
Ao menos não neste mês

Só se for nalgum domingo
Com dia pleno de luz
Mas não me peguem pra Cristo
Que não me agrada uma cruz

E que seja um tiro certeiro...
- ato de extrema paixão -
Talvez de um amor caborteiro
Que quis bandear-se de mão

Eu ontem morri de novo
Mas hoje morro mais não
É triste morrer tão moço
Faz mal pra o meu coração

Só se for de madrugada
E em frente à janela tua
Por querer dar serenata
Sob a luz clara da lua

Que venha enfim o punhal
Pra o morrer definitivo
Que está pegando tão mal
Morrer de amor... e estar vivo!

Martim César

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(Carlos Muntefusco)


Violino...

...chamamecero!!!



VIOLINO CHAMAMECERO 
(L: Diego Müller & João Sampaio / M: Robledo Martins) 

Alma antiga missioneira 
Num corpo añe de madeira 
Duetando co’a voz do vento... 
É a selva que foi talhada 
Por mão índia trabalhada 
Pra ser alma e sentimento! 

Voz de Tupã nas retinas 
Onde o arco se ilumina 
Com um timbre aváñe’é... 
O sonido missionero 
De um violino musiquero 
Preludiando um chamamé!!! 

Foram os anjos jesuítas 
Da minha raça bendita 
Que plantaram coisas bonitas 
Nesse instrumento divino... 
Rangidos de cachapé 
Pios de marreca irerê 
Vivem junto com chamamés 
No interior deste violino!!! 

Rabeca que toca o avá 
Com verdulera e m’baracá 
Da selva que já foi minha... 
Em prelúdios celestiais 
Ouço a voz dos ancestrais 
Quando a alma está sozinha! 

Tua magia emociona 
Com guitarrón e cordeona 
E um sapukay missioneiro... 
Minha alma paysana e macha 
Só com teu som se emborracha, 
Violino chamamecero!!!



Luego del proceso de mestizaje la forma musical que se determina (con la guitarra española, el violín, luego el acordeón y mas tarde el bandoneón) se produce el fenómeno de caracter creativo que generaran ritmos que identificaran y promovieran un estilo y una modalidad coreográfica inédita (que aún perduran en la actualidad de manera masiva en todo el país) además de la manera de cantar y de ejecutar los instrumentos musicales: el chamamé!

El violin, así, fue popular desde principios de siglo. Samuel Aguayo lo incorporó a su orquesta chamamecera en 1930!

(Guyanuba da canção nativa - 2008)

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( Carlos Galicci )

"Não é importante ser gaúcho! É um previlégio ser gaúcho!"
(Paixão Côrtes)

O rio que eu era...

...morreu!



O RIO QUE EU ERA... MORREU! 
(L: Diego Müller & João Sampaio / M: Marco Aurélio Vasconcellos) 

Fui o rio de pedras e espumas 
Levando canções sinuelas 
Com céus e sóis dentro d’água 
Lumes de luas e estrelas! 

Fui rio de murmúrios suaves 
Em direção a algum mar 
Guardando o canto das aves 
E um afluente no olhar... 

Fui rio que tinha nas veias 
A água e o sol da poesia 
Sol e lua, estrela e chuva 
Que dentro de mim corria! 

Fui cosmos de peixe e pão 
Chalana, remanso e ponte 
Sem bandeira, sem fronteira 
Ébrio de luz e horizonte! 

Fecundei cantos balseiros 
Na foz que um dia secou 
E inundei sonhos costeiros 
Do rio que foi meu avô! 

De tantos prantos que eu tive 
Ficou só um, que sou eu 
Ninguém me ajudou na vida 
E o rio que eu era... Morreu!... 
.................................................

(Marco Aurélio Vasconcellos na Califórnia)


(Rio Uruguai)

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( Carlos Muntefusco )

 "Se voce acha a cultura cara, tente passar uma semana com a ignorância!"
(Ditado americano)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A presença açoriana...


...no folclóre gaúcho!


J. C. Paixão Cortes  – Tramandai 1990. 



Comemora-se, historicamente, que a colonização portuguesa-açoriana teve o seu inicio, no Rio Grande do Sul, em 1752. 

Do “forte” Jesus, Maria e José (hoje a importante cidade de Rio Grande) estendeu-se pela estreita faixa entre a Lagoa dos Patos e a orla oceânica do Atlântico, chegando ao Porto dos Dorneles, mais tarde Porto dos Casaes e finalmente nossa bela Porto Alegre. 

(Terno de reis)

Seguindo os cinco rios que formam o estuário do Guaíba, dedicaram-se esses colonizadores, a agricultura e estabeleceram-se os “ilhéus” (assim chamados por virem do Arquipélago dos Açores), os primeiros núcleos dos “Casaes-de-número”, elementos basilares da primitiva sociedade Rio-Grandense. 

(Folia do divino)

De modestos recursos financeiros, nos deixaram, oriundos de uma cultura singela, preciosas manifestações de grandiosidade da alma portuguesa, manifestações estas preservadas com carinho pelo gaúcho e muitíssimas incorporadas ao seu folclore, que tem no açoreta, a base de sua cultura popular de herança. 

A abrangência luso-açoriana se relaciona, entre outros assuntos, a temas ligados a comidas, bebidas, lendas, danças, cantos, ditos populares, crendices, regionalidade, hábitos, festas, jogos, diversões, etc. 

(Arquitetura)

Entre estes motivos folclóricos portugueses ainda em vigência ou incorporados ao estudo do folclore gaúcho, (alguns hoje ausentes do próprio Arquipélago dos Açores), aqui no Rio Grande do Sul são conhecidos : DANÇAS – Pézinho, Chimarrita, Cana-Verde; CANTOS; TROVA – Tira-teima; CANTIGAS DE TRABALHO e de DESAFIO – Ole-la-rai; MOTIVOS RELIGIOSOS – Velação, Pão-por-Deus, Coberta D`Alma; EX-VOTOS – Pão-de-promessa; FESTA DOS SANTOS – São Gonçalo do Amarante, São Luiz, São Miguel; FESTAS CICLICAS JUNINAS – São João, Santo Antônio, São Pedro; TERNO DE REIS – Natalinos, Folias do Divino; DIVERSÕES EQUESTRES - Cavalhadas; COMIDA – sorda, sarrabulho; BEBIDAS – Jurupinga; ARQUITETURA – Janelas-guilhotinas e sino-saimão; JOGOS RURAIS – carreira de bois; etc., etc. 

(São Gonçalo do Amarante)

Haverá, para a presente palestra, projeção de slides pesquisados “in loco” pelo autor, no Arquipélago dos Açores, afora as investigações documentais em diversas regiões do Rio Grande. 

(Ilhas)

Para consulta bibliográfica foram tomadas as seguintes obras do palestrante : 
- Folclore Gaúcho (1987) – Festas, bailes, música e religiosidade rural 
- Folia do Divino (1983) 
- Natal Gaúcho e Os Santos Reses (1983) 
- Festejos do Ciclo de São João na Tradição Gaúcha (1986) 
- Festas Juninas e dos Santos Padroeiros (1980) 
- Aspectos da Música e Fonografia Gaúcha (1984) 

E em parceria com Barbosa Lessa : 
- Manual de Danças Gaúchas 
- Aspectos da Sociabilidade Gaúcha 
- Danças e Andanças da Tradição Gaúcha 

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Cultura não se paga... Se é pago, não é cultura! Entreterimento, no máximo! 
(Paixão Côrtes)

Mário Quintana...

...o Poeta!


Mário Quintana era filho de Celso de Oliveira Quintana e de Virgínia de Miranda, fez as primeiras letras em sua cidade natal, mudando-se em 1919 para Porto Alegre, onde estudou no Colégio Militar, publicando ali suas primeiras produções literárias. Trabalhou para a Editora Globo, quando esta ainda era uma instituição eminentemente gaúcha, e depois na farmácia paterna.


Considerado o "poeta das coisas simples", com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica, ele trabalhou como jornalista quase toda a sua vida. Traduziu mais de cento e trinta obras da literatura universal, entre elas Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust, Mrs Dalloway de Virginia Woolf, e Palavras e Sangue, de Giovanni Papini.
Em 1953, Quintana trabalhou no jornal Correio do Povo, como colunista da página de cultura, que saía aos sábados, e em 1977 saiu do jornal.
Em 1940, ele lançou o seu primeiro livro de poesias, A Rua dos Cataventos, iniciando a sua carreira de poeta, escritor e autor infantil. Em 1966, foi publicada a sua Antologia Poética, com sessenta poemas, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, e lançada para comemorar seus sessenta anos de idade, sendo por esta razão o poeta saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira, que recita o poema Quintanares, de sua autoria, em homenagem ao colega gaúcho. No mesmo ano ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de Escritores de melhor livro do ano. Em 1976, ao completar setenta anos, recebeu a medalha Negrinho do Pastoreio do governo do estado do Rio Grande do Sul. Em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis, da ABL, pelo conjunto da obra.


Mário Quintana não se casou nem teve filhos. Solitário, viveu grande parte da vida em hotéis: de 1968 a 1980, residiu no Hotel Majestic, no centro histórico de Porto Alegre, de onde foi despejado quando o jornal Correio do Povo encerrou temporariamente suas atividades, por problemas financeiros e Quintana, sem salário, deixou de pagar o aluguel do quarto. Na ocasião, o comentarista esportivo e ex-jogador da seleção Paulo Roberto Falcão cedeu a ele um dos quartos do Hotel Royal, de sua propriedade. A uma amiga que achou pequeno o quarto, Quintana disse: "Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas".
Essa mesma amiga, contratada para registrar em fotografia os oitenta anos de Quintana, conseguiu um apartamento no Porto Alegre Residence, um apart-hotel no centro de Porto Alegre, onde o poeta viveu até sua morte. Ao conhecer o espaço, ele se encantou: "Tem até cozinha!".
Em 1982, o prédio do Hotel Majestic, que fora considerado um marco arquitetônico de Porto Alegre, foi tombado. Em 1983, atendendo a pedidos dos fãs gaúchos do poeta, o governo estadual do Rio Grande do Sul adquiriu o imóvel e transformou-o em centro cultural, batizado como Casa de Cultura Mario Quintana. O quarto do poeta foi reconstruído em uma de suas salas, sob orientação da sobrinha-neta Elena Quintana, que foi secretária dele de1979 a 1994, quando ele faleceu.
Segundo Mário, em entrevista dada a Edla Van Steen em 1979, seu nome foi registrado sem acento. Assim ele o usou por toda a vida.
Em 2006, no centenário de seu nascimento, várias comemorações foram realizadas no estado do Rio Grande do Sul em sua homenagem.


O poeta tentou por três vezes uma vaga à Academia Brasileira de Letras, mas em nenhuma das ocasiões foi eleito; as razões eleitorais da instituição não lhe permitiram alcançar os vinte votos necessários para ter direito a uma cadeira. Ao ser convidado a candidatar-se uma quarta vez, e mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, o poeta recusou.

Só atrapalha a criatividade. O camarada lá vive sob pressões para dar voto, discurso para celebridades. É pena que a casa fundada por Machado de Assis esteja hoje tão politizada. Só dá ministro.
— Mário Quintana

Se Mário Quintana estivesse na ABL, não mudaria sua vida ou sua obra. Mas não estando lá, é um prejuízo para a própria Academia.

Não ter sido um dos imortais da Academia Brasileira de Letras é algo que até mesmo revolta a maioria dos fãs do grande escritor, a meu ver, títulos são apenas títulos, e acredito que o maior de todos os reconhecimentos ele recebeu: o carinho e o amor do povo brasileiro por sua poesia e pelo grande poeta e ser humano que ele foi…


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A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.
(Mário Quintana)