Por DIEGO MÜLLER

terça-feira, 10 de abril de 2012

A dama da viola...


...Helena Meirelles 


(Bataguassu, 13 de agosto de 1924 — Presidente Epitacio, 28 de setembro de 2005

Foi uma violeira, cantora e compositora brasileira, reconhecida mundialmente por seu talento como tocadora da denominada viola caipira (às vezes denominada simplesmente viola). Nascida na fazenda Jararaca, que ficava na estrada Boiadeira, que liga Campo Grande ao porto 15 do Rio Paraná, divisa com o estado de São Paulo, considerada a melhor violeira do mundo. Filha do boiadeiro paraguaio Ovídio Pereira da Silva e da mato-grossense Ramona Vaz Meirelles, apesar de nascer e crescer em uma época em que a viola era um instrumento proibido às mulheres, seu mundo não existiria sem esse instrumento. Cresceu rodeada de peões, comitivas e violeiros pantaneiros. Aprendeu a tocar sozinha e escondida, fugiu de casa aos 15 anos e teve o primeiro filho aos 17, de seu primeiro marido, com quem teve mais dois e viveu 8 anos. Começou a surpreender desde jovem quando chegava e tocava até de graça em festas, bailes e bares de Mato Grosso do Sul e no interior oeste do Estado de São Paulo. Sua música seguiu os ritmos de sua região, com influências paraguaias, entre eles, chamamé, rasqueado e polca. Sua música é reconhecida pelas pessoas nativas do Mato Grosso do Sul como expressão das raízes e da cultura da região. Sua primeira apresentação profissional em um teatro aos 67 anos. Começou a ser divulgada fora de sua região, quando foi apresentada (1980) por Inezita Barroso no seu programa Mutirão, na rádio USP de São Paulo, tocando ao vivo e mostrando seu trabalho. Depois a mesma Inezita apresentou a violeira em seu programa de música caipira Viola, minha viola, na TV Cultura. Depois dessas oportunidades, gravou uma fita, mas não recebeu atenção dos diversos meios de comunicação onde tentou a divulgação. Na década seguinte (1992), teve nova oportunidade ao se apresentar ao lado de Inezita Barroso e da dupla Pena Branca e Xavantinho, no Teatro do Sesc, em São Paulo. Porém, como muitas vezes acontece, o reconhecimento da violeira veio de fora do Brasil. 


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Documentário: Dona Helena

Gênero:
Documentário 

Atores:

Direção:

Idioma:
Português, 

Legendas:
Português, Inglês, Espanhol, Francês, 

Ano de produção:
2004 

País de produção:

Duração:
55 min. 

Distribuição:

Áudio:
Dolby Digital 2.0 (Português) 

Vídeo:
Letterbox (4x3) 

Cor:
Colorido 


Sua história e sua arte são mostradas neste documentário obrigatório para os amantes da música.








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Tudo começou quando um seu sobrinho enviou para uma revista especializada norte-americana, uma fita com gravações feitas de maneira praticamente amadora. Assim, no ano seguinte, aos 69 anos, a revista estadunidense Guitar Player a escolheu como Instrumentista Revelação do Ano, com o Prêmio Spotlight (1993). Foi um extraordinário prêmio par quem injustamente antes não obtivera o merecido reconhecimento em seu país, talvez por puro preconceito contra sua arte. Foi eleita então, pela devida revista (com voto de Eric Clapton), como uma das 100 melhores instrumentistas do mundo, por sua atuação com diversos cordofones, em especial viola e violão. Desde então passou a ser observada e valorizada por onde passou, tendo inclusive, no mesmo ano participado de um grande show em São Paulo com a dupla Tonico e Tinoco e, nos anos seguintes, gravou vários cd's. 


Sua técnica de solos era muito distinta do que se tinha por habitual à viola caipira, usava uma afinação diferente (não muito bem nomeada por ela, mas vezes evocada como paraguaçú, três cordas ou rio abaixo) além de priorizar o uso horizontal e as variações rítmicas de palhetadas. 


Aos 81 anos, esteve internada na Santa Casa de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, por dez dias com pneumonia crônica nos dois pulmões, recebeu alta e, dois dias depois, morreu em casa, vítima de uma parada cárdio-respiratória, aos 81 anos, tendo seu corpo sido velado no cemitério Parque das Paineiras, na avenida Tamandaré. Ela tocava também bandolim, rebeca e violão, mas foi com a viola que ela consagrou-se e revelou os encantos musicais de uma região de um país musical, dedicando a vida inteira ao som do mato e traduzindo a alma do pantaneiro. Casou uma vez e depois viveu com vários parceiros seguidamente e teve onze filhos. 


Não havia notícia conhecida, até seu aparecimento, sobre esse jeito peculiar de se tocar -prioritariamente solado- e após sua morte não houve repercussão técnica e mimética considerável de Helena Meirelles; os dois violeiros até então influenciado, manutentores e inovadores da herança técnica e sonora deixada por Helena são Milton Araújo e Rainer Miranda



Álbuns 

§ 1994 - Helena Meirelles 
§ 1996 - Flor de guavira 
§ 1997 - Raiz pantaneira 
§ 2002 - Ao vivo (também conhecido como De volta ao Pantanal) 
§ 2004 - Os bambas da viola (compilação com um tema de Helena Meirelles) 



Filmes 

§ Helena Meirelles, a dama da viola (2004); dir. Francisco de Paula 
§ Dona Helena (2004); dir. Dainara Toffoli 



Ligações externas 



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(Foto: Edson Larronda - Bagé/RS)

"A mulher que ama mais não trai, a que trai por amar... O filho que a casa deixou a mão que escreve palavras assim belas. Talvez queira nelas
Contar a sua própria dor, vou assim... Transferindo para as palavras o que meu coração jura negar, espelhando o rosto de amores alheios, querendo que o meu olhe por um só instante o que eu teria a dizer... Chora viola... Chora viola!!!"
(Letícia Pessoa)

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