Por DIEGO MÜLLER

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Pássaro perdido...

Pássaro Perdido

(texto publicado no jornal ZERO HORA de 06 de outubro de 2012)


Há quarenta anos nascia em Uruguaiana a Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul. Depois dela, o Sul do Brasil lançou, pelo menos, outros cinquenta Festivais que cantaram a Música Gaúcha. Considerada a Mãe dos Festivais, a Califórnia da Canção também é Patrimônio Cultural do Estado. Durante a década de setenta foi realizada no Cine Pampa, bem no Centro da Cidade agregando também a Feira do Livro e Artesanatos. A partir de 1983, transferiu-se para o Parque Agrícola e Pastoril da Associação Rural de Uruguaiana. Ou simplesmente “Pastoril” pra gurizada que, como eu, dava um gás nos estudos pra passar por média e assim estar liberado já na primeira semana de dezembro pra curtir a Califa.
A Califórnia foi o nosso Woodstok Campeiro, nosso veraneio e carnaval, num tempo em que a AIDS e o CRACK ainda não habitavam esse pampa. Na época em que a Ipiranga, que teve com berço as margens do Rio Uruguai, bancava o maior festival folclórico do Brasil. Enquanto Luciano do Valle narrava uma final de Califórnia ao vivo para todo Brasil, parece que esquecemos de formar um Produtor Cultural. Nos anos noventa o Festival migrou para o Ginásio Municipal. Da virada do Século pra cá, também visitou Estádios, Parques e Clubes, voltou ao Ginásio, até que, em Dezembro de 2009, num domingo ao meio-dia, deu-se a 36ª e última edição da Mãe dos Festivais. Já são três anos sem Califórnia e a Pastoril está anunciando o Show de uma dessas duplas que pagam pra tocar na radio e na TV. 
Depois do sucesso do CARNAVAL FORA DE ÉPOCA o Velho Oeste apresenta o SÃO JOÃO FORA DE ÉPOCA. O que mais se vê é a gurizada de camisa xadrez, calça rasgada e ouvindo música caipira!




Volta Califa !!! Volta Pastoril !!!
Queremos a árvore, o fogo de chão, o artesanato, as artes plásticas, o livro, a trova, a culinária campeira e o sagrado jogo do truco para nossos filhos, sobrinhos e demais parentes. 
Sim meu querido Rio Grande, é um pedido de socorro.
A Mãe está na UTI precisando do nosso sangue!

PIRISCA GRECCO
Músico de Uruguaiana
vencedor de três Calhandras de Ouro


"Muchas Gracias Érlon Péricles, que me indicou ao jornalista Francisco Dalcol (ZH).
Obrigado Biratuxo, Nandico, Cajuzinho e demais Membros da Akadimia pela monitoração.
O Blógue está com as porteiras abertas."
Piriska Grecco

Adelante!



Há dois anos sem edições, o Festival Califórnia da Canção Nativa é um dos mais tradicionais do Rio Grande do Sul. É sobre o evento que fala a canção de Pirisca Grecco, com letra de Rodrigo Bauer, chamada "Cada dezembro que passou em minha vida" fala (confira a apresentação extra no vídeo abaixo). "Não é propriamente uma reclamação à sua ausência, mas uma aclamação à sua existência. Temos o desejo de que o Festival volte, sentimos falta", explica Pirisca.

Natural de Uruguaiana, na Fronteira Oeste do estado, o músico conquistou o Festival em três edições (2002, 2004 e 2005). A forma de protesto encontrada para questionar a falta do evento na cidade veio em forma de canção. "Na ausência de uma classe que represente os músicos, decidimos criar a música para fazer a nossa reclamação", diz Pirisca.


O músico, ao lado do grupo La Comparsa Eletrica, mantém um projeto no bar Dhomba, em Porto Alegre, com o objetivo de realizar diversas misturas de gêneros musicais. O Clube da Esquila acontece uma vez por mês, sempre às terças-feiras, e propõe a fusão do som regional com artistas de outros estilos, provocando uma maior expansão da música. "Esse é um projeto bem legal, já consolidado, que acontece há dois anos", conta Pirisca.


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“ A Califórnia está de volta”
(Rodrigo Bauer)

* Musicada por Pirisca Grecco

Eu me criei acompanhando a Califórnia!
Cada canção, de certa forma, me marcou…
Desde “Guri” eu fui guardando na memória
todo esse encanto que jamais me abandonou!

Cada dezembro que passou na minha vida
foi confirmando essa paixão e esse amor…
Minha comparsa segue os passos dessa lida;
sobram rebanhos para o bom “Esquilador”!

No ”Roda-Canto” do destino milongueiro,
fiz meu caminho sonhador estrada afora…
Pela querência eu ando tal “O Forasteiro”,
girando a sorte na “Mandala das Esporas”!

Porém os tempos, cada vez mais “Desgarrados”,
plantam barreiras muitas vezes sem sentido;
e a Califórnia, com seu canto silenciado,
fez da Calhandra mais um ”Pássaro Perdido”!

Todo o Rio Grande emudeceu nesse silêncio,
pois nosso canto necessita de sua voz…
A Califórnia unifica a cor do lenço:
são maragatos, são chimangos, somos nós…

Mas aqui estamos, outra vez, em plena forma…
A Califórnia está de volta e nos irmana!
E esse “Guri” que fui um dia, a mim retorna
num “Veterano” pra cantar Uruguaiana!



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"Sede como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas!"

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