Por DIEGO MÜLLER

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Caio Fernando Abreu

 
 
"Descobri — numa carta de Clarice Lispector para Lucio Cardoso — que polisipo, em grego, significa “pausa na dor”. Têm sido, estes dias, polisipos."
Caio Fernando Abreu
 
Caio Fernando Loureiro de Abreu
(Santiago, 12 de setembro de 1948 — Porto Alegre, 25 de fevereiro de 1996)
foi um jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro.
 
Apontado como um dos expoentes de sua geração, a obra de Caio Fernando Abreu, escrita num estilo econômico e bem pessoal, fala de sexo, de medo, de morte e, principalmente, de angustiante solidão. Apresenta uma visão dramática do mundo moderno e é considerado um "fotógrafo da fragmentação contemporânea".
 
 
"São os atos e não as palavras que podem salvar."
Caio Fernando Abreu
 
Biografia
Caio Fernando Abreu estudou Letras e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde foi colega de João Gilberto Noll. No entanto, ele abandonou ambos os cursos para trabalhar como jornalista de revistas de entretenimento, tais como Nova, Manchete, Veja e Pop, além de colaborar com os jornais Correio do Povo, Zero Hora, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo.
Em 1968, perseguido pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), Caio refugiou-se no sítio de uma amiga, a escritora Hilda Hilst, em Campinas, São Paulo. No início da década de 1970, ele se exilou por um ano na Europa, morando, respectivamente, na Espanha, na Suécia, nos Países Baixos, na Inglaterra e na França.
Em 1974, Caio Fernando Abreu retornou a Porto Alegre. Chegou a ser visto na Rua da Praia usando brincos nas duas orelhas e uma bata de veludo, com o cabelo pintado de vermelho. Em 1983, mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1985, para São Paulo. A convite da Casa dos Escritores Estrangeiros, ele voltou à França em 1994, regressando ao Brasil no mesmo ano, ao descobrir-se portador do vírus HIV. Abreu era declaradamente homossexual em plena época da Ditadura Militar no Brasil.
Em 1995, Caio Fernando Abreu se tornou patrono da 41.° Feira do Livro de Porto Alegre.
Um ano depois, Caio Fernando Abreu voltou a viver novamente com seus pais, tempo durante o qual se dedicaria à jardinagem, cuidando de roseiras. Faleceu em 25 de fevereiro de 1996,Hospital Mãe de Deus em Porto Alegre, no mesmo dia em que Mário de Andrade. Seus restos mortais jazem no Cemitério São Miguel e Almas.
 

"Me conta de ti. Não devemos-nos perder, somos tão poucos, meu amigo. Cuide de você, não sofra sem necessidade, me queira bem. Te quero bem."
Caio Fernando Abreu
 
Escritor
(por Luciano Alabarse)
Como Clarice Lispector,  Caio Fernando Abreu pertence ao grupo dos escritores que transcendem a literatura. Suas palavras, elaboradas, lapidadas, fruto de grande trabalho intelectual, não cabem na folha branca, onde tudo começa para um ourives da linguagem escrita. Caio escreveu para a vida mesma de seus inúmeros leitores, quer incidir no comportamento de quem o lê, revirar certezas absolutas, introduzir a transformação catártica daqueles que buscam sua obra. É uma obra vasta, diga-se. Contista de mão cheia, alguns de seus livros mais importantes trazem alguns dos contos mais surpreendentes da língua portuguesa. Na sua literatura, cabe tudo - menos a caretice enrijecida do olhar monocromático de quem tem suas certezas asseguradas em defesas comportamentais. Caio quer o salto sem rede, o precipício, o perigo iminente. Sua rede de segurança é a sinceridade humana possível, único elemento que pode redimir e redimensionar a vida que nos cabe. É esse o traço mais impactante de sua escritura: a sinceridade absoluta, a cumplicidade com todos os eus possíveis do ser humano, um olhar de atrevida compaixão pelas mazelas dos deserdados, a simpatia sem reserva pelos excluídos da vida perene. Caio tem a palavra como estilete afiado a cortar mediocridades defensivas, parágrafos inúteis, gente que olha sem ver o que o vasto mundo cruel oferece a cada um. Contista, cronista, novelista, transitava bem entre todos os gêneros, e não se prendia a nenhum, imprimindo excelência e humanidade em todos os parágrafos com sua assinatura.
Muitas vezes vi Caio caminhando pelo sobrado do bairro Menino Deus, aonde o visitei durante todos os anos de sua vida. Era bastante comum que me lesse em voz alta o resultado do seu trabalho. Era o seu método preferido de chegar à redação final daquilo que escrevia: ler em voz alta. Queria a sonoridade perfeita, o fluxo acertado, a elipse reveladora, o adjetivo sem adornos que valorizasse a narrativa.  Talvez por isso sua palavra seja tão adaptável ao palco do teatro, mesmo quando não escrita especificamente para tal fim. Cru, cruel, generoso, excessivo, desafiava a neutralidade que regra boa parte do que se escreve no Brasil. Queria a página viva, a letra pulsante, o verbo sagrado, a forma adequada para valorizar aquilo que lhe era a mais humano de todas as nossas características: a busca, o caminho, a procura de. Caio era aluno e professor, sujeito e objeto, consciente e intuitivo, sofisticado e popular, engraçado e depressivo. Em seus inúmeros livros publicados, desde o início, acreditou na comunicação direta e imediata com o leitor. Não por acaso, tantos anos depois de sua morte, sua obra tem sido ainda mais valorizada do que antes. É impressionante a identificação das gerações posteriores a ele, e que, sem conhecê-lo vivo, trata de manter viva sua obra.
Caio escreveu compulsivamente, viveu compulsivamente e morreu desejando continuar a escrever. A literatura, para ele, era matéria viva em direção ao conhecimento do mais obscuro sentimento, a revelar a impossível possibilidade de roçar a eternidade. Guardava seus rascunhos, seus cadernos, suas frases seminais: tudo era passível de virar obra viva, a partir de sua satisfação com o resultado buscado. Poucos escritores brasileiros têm, em seu currículo, essa admiração entre seus leitores. Poucos certamente escapam de uma forma esvaziada de pulsação vital.  Sua excruciante sinceridade é o que explica essa identificação, inclusive com gerações posteriores. Fruto de seu tempo, sim, mas com o prazo de validade extremamente esgarçado e sem data de vencimento, a literatura de Caio Fernando Abreu revela o homem que ele foi, o cidadão atento ao seu mundo, imerso nas convulsões comportamentais que sacudiram o mundo em suas décadas de adolescente. Obcecado pela qualidade estética, nunca deixou que sua palavra ficasse estéril. Não tenho dúvida de que, nesses tempos politicamente corretos e cheios de medo e dúvida, a ousadia de sua palavra será farol a iluminar os breus daqueles que acreditam e buscam forças e fé no intento de viver mais plenamente a vida que lhe cabe. Caio, o adolescente ousado, o adulto afiado e sem barreiras, foi o melhor exemplo para o Caio escritor, um desses seres especiais e únicos que marcam, a ferro,fogo e felicidade aqueles que tiveram a felicidade de conhecê-lo ou de carregá-lo nas pastas e mochilas. Cada livro de Caio é uma porta de entrada à epifanias verdadeiras. Se você não o leu na íntegra, não perca a oportunidade de.
*Luciano Alabarse é diretor de teatro e amigo da vida inteira de Caio Fernando Abreu.
 

"Você sabe, estou saindo de um momento muito escuro, então tenho procurado não deixar que as minhas dores pessoais — do meu ponto de vista: enormes — interfiram no meu viver objetivo."
Caio Fernando Abreu
 
Jornalista
(por Paula Dip)
A moçada que fazia footing na Rua da Praia, point da juventude gaúcha no final dos anos 60 conhecia bem a figura irreverente de Caio Fernando Abreu, estudante de Letras da UFRGS, em Porto Alegre. Ele era quieto, mas chamava a atenção: alto, magro, sempre vestido de preto, cabelos longos, meio beatnik, meio punk. Havia uma efervescência no ar e os jovens se dividiam entre os “engajados” que faziam militância política contra a ditadura e os “alienados” festeiros que gostavam de rock and roll.
Caio era um dos poucos que circulava entre as duas facções: inteligente, ousado e atrevido, freqüentava teatro, exposições. E surpreendeu muita gente quando se inscreveu e foi escolhido num concurso para trabalhar na revista Veja, pois não fazia parte do grupo de jovens aspirantes ao jornalismo: sempre disse que era escritor.
Foi assim, numa virada do destino, que o menino escritor de Santiago do Boqueirão virou jornalista. Na foto oficial dos escolhidos em todo o Brasil para criar a revista semanal, pouco atrás de Mino Carta (frente, centro) Caio já se destacava daquela homogeneidade: aos 19 anos, tinha barba cerrada, olheiras discretas e vivia com um maço de Minister na mão. Fez poucos amigos e quase não abria a boca, pois sua voz demorou a engrossar. Nunca se apaixonou pelo jornalismo, mas admitiu que o exercício ensinou-o a secar a forma, enxugar o texto: “Sempre tive tendência a ser excessivo”.
Em 1968 morava no centro de São Paulo, num apê de paredes cor de rosa que entre seus habitantes tinha um cara que dormia com uma cobra no banheiro. A imagem parece bizarra, mas a bem da verdade, a vida de Caio sempre foi mais cinematográfica do que jornalística. Viver em São Paulo como jornalista também o liberou para circular num meio mais amplo de escritores e artistas que participavam em peso de atos de oposição à ditadura. Sua fina estampa logo chamou a atenção dos milicos que mandavam fotografar as passeatas; ele foi fichado no DOPS e quando saiu da revista refugiou-se na Casa do Sol, da escritora Hilda Hilst, que exerceria grande influência em sua vida.
Não por suas convicções políticas, que nunca definiram seu caráter, mas por sua fé na escrita, a partir daí Caio nunca mais teria um porto seguro, no jornalismo, na literatura, nem nas cidades onde viveu. Cigano, morou em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Estocolmo, Londres, Paris. Viajou pelo Brasil e o mundo atrás de suas histórias.
 
 
"Uma coisa é certa: está tudo errado!"
Caio Fernando Abreu
 
Manteve um diário durante toda a vida e definiu-se como um autor que procura suas personagens on the road, como Jack Kerouac. Lavou pratos, fez faxina, foi operário e modelo em cursos de artes plásticas e sempre precisou trabalhar para ganhar seu sustento em jornais e revistas, atividade que ele comparava a “fazer biscate”.
Tudo o que sempre quis foi “um pouco de paz” para se dedicar apenas a escrever seus contos, poemas e peças de teatro. Dividido entre reportagens e fechamentos de revistas e jornais ele publicou mais de uma dezena de livros, alguns escritos nas redações onde ganhava o pão de cada dia. Foi numa dessas redações que nos encontramos nos anos 80: eu era praticamente “foca” (principiante em gíria jornalística) e Caio já tinha livros publicados e havia morado na Europa. Ainda não assinava Caio F. e começava a escrever os contos de Morangos mofados, seu livro definitivo.
As redações não eram informatizadas: batucávamos nossos suados artigos numa incessante artilharia de máquinas de escrever de tipos metálicos que ricocheteava em nossos tímpanos até o anoitecer. Ele adorava escrever aos amigos e até hoje guardo  suas cartas e o primeiro bilhete que ele me mandou, em que praticamente se convidava para ir à minha festa de aniversário. É claro que ele foi à festa e daí por diante viramos amigos de infância. Levei um tempo para desvendar o enigma daquela figura longilínea que falava de assuntos seriíssimos com a elegância de um filósofo platônico, e, de repente, soava como uma tia fofoqueira, uma “naja” venenosa, que distribuía apelidos hilários e fazia comentários picantes sobre tudo e todos. Tinha um humor fútil, delicioso e indestrutível. Mas podia ser a pessoa mais mal humorada do mundo especialmente ao acordar. A partir da nossa correspondência publiquei em 2009 o livro “Para sempre teu, Caio F.” que já está na terceira edição e deve virar filme até o final desse ano. O livro começa assim: “Ele era alto, magro, pernas longas, pés descalços e caminhava pelos corredores da editora num ritmo quase baiano, não fosse gaúcho. Jeans, camiseta, óculos redondinhos, lembrava John Lennon. Fumava muito, roia as unhas e passava a mão no cabelo. Tinha uma voz grave e articulava as palavras, saboreando-as lentamente... Éramos jovens jornalistas ganhando a vida nas redações”.
Caio mudou minha trajetória, coloriu minhas sinapses, incentivou meu namoro com as letras, acrescentou poesia à minha vida. Para ele, trabalhar na imprensa era “costurar para fora” um emprego banal, como tantos outros, apenas para pagar o aluguel. Sua atitude cética em relação ao jornalismo me contagiou. Apesar de ser jornalista, sempre acreditei mais na literatura do que na imprensa.
Jornalista ou escritor ele era um amigão. Fazia horóscopos, interpretava tarôs, foi uma das pessoas mais místicas que conheci. Tinha absoluta certeza de que nosso encontro na redação de uma revista estava escrito nas estrelas.
Como costuma acontecer entre colegas de profissão, quando eu precisava de emprego ele dava um jeito de me chamar para trabalhar com ele e vice-versa. Em 84 convidei-o para editar a revista Around, magazine moderninho dos anos 80 que depois se chamou AZ, e, que ao contrário de veículos mais tradicionais lhe deu espaço para expressar sua veia literária. Em 86, quando eu trabalhava na BBC de Londres, ele estava no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo, e me convidou  para escrever uma coluna que adorei fazer, “Carta de Londres”. Em 91 ele veio trabalhar comigo numa revista de música. Finalmente, em 1992 ganhou uma bolsa de estudos e foi viver durante três meses na cidade de Saint Nazaire, França, na Maison des Écrivains et Traducteurs Étrangers.
Só então, quatro anos antes de nos deixar, ele realizou seu sonho de ser apenas escritor. Nessa ocasião seus livros começaram a ser traduzidos em vários idiomas e ele vivia sendo convidado a participar de congressos e lançamentos por toda a Europa e viajava sem parar. “Toda Benedita tem seu dia de Lady Di”, ironizava.
Em 1994, ao ser diagnosticado portador do vírus da Aids, voltou para a casa da família em Porto Alegre, onde cultivou um jardim de rosas com o pai e dedicou-se a rever sua obra, publicar novos livros e reeditar antigos. Jornalista até o fim continuou a enviar suas crônicas cada vez mais tocantes para os jornais.
Pouco antes de morrer, em 25 de fevereiro de 1996, lhe perguntaram numa entrevista o que gostaria de ter sido se não escritor, e ele respondeu sem pestanejar: “Jardineiro”
* Paula Dip é jornalista, escritora, autora de “Para Sempre teu, Caio F.”, livro que roteirizou e está sendo filmado em parceria com o diretor de cinema Candé Salles. Trabalha num novo livro sobre a relação literária entre Caio F. e Hilda Hilst.
 

"Claro, sonhos quebrados sempre doem. Mas talvez seja mais saudável contemplar os cacos e tentar compreender o quebra-cabeças do que comprar uma passagem para a Disneylândia."
Caio Fernando Abreu
 
Dramaturgo
(por Marcos Breda)
Caio Fernando Abreu é considerado por muita, muita gente, como um dos mais brilhantes escritores da literatura brasileira contemporânea. Sua obra é um riquíssimo painel onde paixão, lucidez, devaneio, desejo, dor, prazer, solidão, humor, inteligência, ironia, reflexão, transgressão e, sobretudo, Amor (assim, maiúsculo) mesclam-se num amálgama único e arrebatador. Não por acaso sua obra vem conquistando mais e mais leitores/admiradores/parceiros/cúmplices de todas as idades - em muitos países e idiomas - num ritmo vertiginoso, ainda mais acentuado depois de sua precoce partida.
O que muita, muita gente ainda não sabe é que a ficção que escreveu não era apenas narrativa, épica. Caio também escrevia literatura dramática. Excelente literatura dramática, diga-se de passagem, embora menor - em termos puramente quantitativos - do que sua caudalosa vertente de contos, novelas e romances.
São seis peças - uma delas infantil - e mais duas compilações de quadros & cenas curtas. Pode parecer pouco para este verdadeiro artista da ribalta. alguém que sempre assistiu, curtiu, escreveu e/ou atuo u em teatro, além de fazer parte de toda uma geração de talentosos teatreiros da efervescente Porto Alegre do final da década de 60.
Entretanto, uma leitura atenta do livro "Caio Fernando Abreu - Teatro Completo" - que reúne toda a produção dramática do autor - revelará um demiurgo da cena, com códigos & conteúdos & carpintaria absolutamente próprios e inconfundíveis.  E, melhor de tudo, textos de altíssima qualidade. O teatro de Caio Fernando Abreu merece ser re-descoberto por estudiosos, autores, diretores e, principalmente, atores ávidos por personagens instigantes, complexos e profundamente desafiadores. Privilégio dos profissionais de teatro ao ter em mãos um material de tal magnitude. Privilégio ainda maior do público, ao ter acesso a mais esta vertente de um dos mais geniais artistas de nosso tempo.
Platéia lotada, terceiro sinal, black out, silêncio, cortinas abertas, aplausos: bem-vindos ao Teatro (assim, maiúsculo) de  Caio Fernando Abreu.
*Marcos Breda é ator, locutor, professor universitário, produtor teatral e foi muito amigo do nosso querido Caio Fernando Abreu.
 
 
"Não choro minhas perdas, nem temo a inveja e o olho gordo que me rodeiam. Sou de Deus, quem não é que se cuide!"
Caio Fernando Abreu
 
Obras
             Semana de Artes Modernas
             Inventário do Irremediável, contos;
             Limite Branco, romance;
             O Ovo Apunhalado, contos;
             Pedras de Calcutá, contos;
             Morangos Mofados, contos;
             Triângulo das Águas, novelas;
             As Frangas, novela infanto-juvenil;
             Os Dragões não conhecem o Paraíso, contos;
             A Maldição do Vale Negro, peça teatral;
             Onde Andará Dulce Veiga?, romance;
             Bien loin de Marienbad, novela;
             Ovelhas Negras, contos;
             Mel & Girassóis, antologia;
             Estranhos Estrangeiros, contos;
             Pequenas Epifanias, crônicas;
             Teatro Completo;
             Cartas, correspondência;
             Dov'è finita Dulce Veiga, romance;
             Molto lontano da Marienbad, contos;
             I Draghi non conoscono il Paradiso, contos;
             Pra sempre teu, Caio F.
 

"Imaginem um mundo de coisas limpas e bonitas, onde a gente não seja obrigado a fugir, fingir ou mentir, onde a gente não tenha medo nem se sinta confuso (não haverá a palavra nem a coisa confusão, porque tudo será nítido e claro), onde as pessoas não se machuquem umas às outras, onde o que a gente é apareça nos olhos, na expressão do rosto, em todos os movimentos — acrescentem a esse mundo os detalhes que vocês quiserem (eu me satisfaço com um rio, macieiras carregadas, alguns plátanos e uma colina — ou coxilha, como se diz aqui no Sul — no horizonte), depois convidem pessoas azuis para se darem as mãos e fazerem uma grande concentração para concretizar esse mundo — e, então, quando ele estiver pronto, novo e reluzente como se tivesse sido envernizado, então nós nos encontraremos lá e eu não precisarei explicar nada, nem contar nenhuma estória escura, porque estórias claras estarão acontecendo à nossa volta e nós estaremos sendo aquilo que somos, sem nenhuma dureza, e o que fomos ficou dependurado em algum armário embutido, junto com sapatos (quem precisará deles para pisar na grama limpa dessa terra?), roupas e enfeites (quem precisará de panos, contas ou cores na terra onde o ar será colorido e enfeitará nossos corpos?)— lá, eu digo, nós nos encontraremos entre centauros, sereias, unicórnios e duendes, e sem dizer nada, com um olhar verde (uma das minhas grandes frustrações sempre foi não ter olho verde — mas lá eu terei) eu direi o quanto gosto de vocês, e voaremos de tanta boniteza — combinado?"
Caio Fernando Abreu
 
Teatro
             O Homem e a Mancha
             Zona Contaminada
 
Tradução
             A Arte da Guerra, de Sun Tzu, 1995 (com Miriam Paglia).
             A Balada do Café Triste, de Carson McCullers, 1991.
 
Prêmios
1968 - Menção honrosa do Prêmio José Lins do Rego, para o conto Três tempos mortos.
1969 - Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de escritores, pelo livro Inventário do irremediável.
1972 - Prêmio do Instituto Estadual do Livro para o conto Visita.
1973 - O ovo apunhalado recebe menção honrosa do Prêmio Nacional de Ficção.
1975 - O ovo apunhalado é reconhecido pela Veja como um dos melhores livros do ano. E a peça Pode ser que seja só o leiteiro lá fora recebe o Prêmio Leitura do SNT.
1980 - Prêmio Status de Literatura para o conto Sargento Garcia.
1984 - Triângulo das águas ganha o prêmio Jabuti.
1988 - Os dragões não conhecem o paraíso recebe prêmio Jabuti.
1989 - Prêmio Molière pela co-autoria de A maldição do Vale Negro.
1991 - Onde Andará Dulce Veiga? recebe prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte.
1996 - Ovelhas Negras recebe o Prêmio Jabuti.
2001 - As frangas recebe Medalha de Leitura Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infanto-juvenil.
 
 
 
 - * - * - * - * - * - * - * - * -
 
Desenho de Minga Blanco

 "Parecia que o tempo não passava nunca. Mas passou. O tempo sempre passa, essa é a única certeza que a gente tem. Fora a morte, é claro. Mas hoje não quero pensar na morte. Quero pensar é na vida. Na minha nova vida."
Caio Fernando Abreu
 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Marcelo Camelo...



Janta 
(Marcelo Camelo)

Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade

Eu quis te convencer mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade

Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that I'm sad
I take my ride in melodies and bees and birds
Will hear my words

Will be both us and you and them together
I can forget about myself trying to be anybody else
I feel allright that we can go away

And please my day
I'll let you stay with me if you surrender

Clipes e giz de cera na minha cama
Todo mundo pensa que eu estou triste
Eu vou passear em melodias e os pássaros e as abelhas
Ouvirão minhas palavras

Vamos ficar nós dois e você e eles juntos
Eu posso esquecer de mim mesmo, tentando ser outra pessoa
Eu estou certo de que nós podemos ir em frente.

E satisfazer meu dia.
Eu deixo você ficar comigo se você se render.




Marcelo de Souza Camelo 
(Rio de Janeiro, 4 de fevereiro de 1978) 

Compositor, cantor, guitarrista, violonista e poeta brasileiro.Foi vocalista e guitarrista da banda de rock alternativo Los Hermanos. 
Atualmente, o cantor segue em carreira solo. 'Sou', seu primeiro disco após a banda entrar em hiato, foi lançado em 2008.


Filho de Ernesto Camelo e da pintora naif Ana Camelo, Marcelo nasceu na cidade do Rio de Janeiro, tendo crescido em Jacarepaguá, zona oeste da cidade. Teve seus primeiros contatos com o rock quando se tornou fã da banda de hard-rock Bon Jovi. Seu contato com o rock alternativo se daria em sua época de faculdade, quando participava ativamente de um fanzine voltado para a cena musical do Rio de Janeiro, no qual entrevistaria, inclusive, Alexandre Kassin, à época, membro da banda Acabou La Tequila, uma das maiores influências musicais de Camelo. Foi cursando Jornalismo, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, que Marcelo Camelo iniciou os primeiros contatos com o palco, tendo formado as bandas Drive By, Barnabé e Minanina's Popcorn antes de iniciar as formações da banda que viria a se chamar Los Hermanos.


Em 1999, Marcelo Camelo lançou o primeiro álbum da banda Los Hermanos. Posteriormente lançou "Bloco do Eu Sozinho" e "Ventura", respectivamente, em 2001 e 2003. Esses dois álbuns figuram na lista elaborada pela revista Rolling Stone dos 100 maiores discos da música brasileira.
Até início de 2007, Marcelo manteve um blog no canal eletrônico G1 da Globo.com. No sitio, Camelo tentou apropriar-se de formas diferentes de postar crônicas e poemas, como textos datilografados ou até mesmo manuscritos.


Em 2008, depois de anunciado o hiato da banda, o compositor lançou seu primeiro disco intitulado 'Sou'. O álbum, que traz uma capa-poema do artista plástico Rodrigo Linares, foi lançado primeiramente na internet, por meio do site Sonora, do portal Terra. O disco traz 14 faixas compostas por Marcelo Camelo, sendo duas executadas exclusivamente pela pianista Clara Sverner, uma das convidadas especiais do disco. Além dela, a banda paulistana Hurtmold, a cantora Mallu Magalhães e o sanfoneiro Dominguinhos, marcam presença no álbum. A música 'Janta' que conta com a participação de Magalhães, foi incluída pela Revista Rolling Stone como a melhor faixa de 2008. Em 3 de Março de 2011 lançou uma nova música "Ôô" do novo disco "Toque dela".


Marcelo Camelo passou a ser conhecido também como um entrevistado difícil. São frequentes os tropeços de jornalistas na frente de Camelo. Devido ao que alguns jornalistas classificam como má-vontade, Camelo muitas vezes vagueia em certas respostas. Desse modo, vários vídeos de gafes jornalísticas são sucesso em sites de compartilhamento de vídeos. Entre os mais famosos, há o vídeo que mostra uma jornalista de uma afiliada da Rede Globo de Brasília chamando Marcelo Camelo de Marcelo Campelo, erro que é grifado, de modo sarcástico, pelo guitarrista Rodrigo Amarante. Outro vídeo bastante acessado é o que se refere a uma entrevista no festival Ceará Music Pop. A relação do músico e de sua banda Los Hermanos com a mídia em geral por muitas vezes gerou polêmica. Em uma entrevista à extinta Revista Bizz, Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante começaram a gravar o que o entrevistador perguntava, fato que teria gerado constrangimento no jornalista. Entre outros motivos, o músico já afirmou que começaram a adotar esse tipo de atitude para se proteger de possíveis distorções por parte da mídia.


A música "Janta" foi eleita a melhor música brasileira do ano de 2008 pela Revista Rolling Stone, com destaque para a participação de Mallu Magalhães. Já o site Scream&Yell, que anualmente reúne cerca de 100 jornalistas para uma votação, elegeu, dentre 158 músicas citadas, "Janta" como a sexta melhor música brasileira do ano.


O site Scream&Yell também elegeu a capa de 'Sou', feita por Rodrigo Linares, como a segunda capa de CD brasileiro mais bonita do ano de 2008, perdendo apenas para o disco Artista Igual Pedreiro, da banda Macaco Bong.


Marcelo Camelo venceu Melhor cantor do Prêmio Multishow de Música Brasileira 2011 pelo voto do júri.


- * - * - * - * - * - * - * - * - * -


"Milhares de pessoas nascem e morrem, um objeto que quebra, a garrafa de café quase vazia, uma amizade de anos que já não era a mesma... Tudo, do simples ao inabalável, tudo chega ao fim. E há milhares de finais acontecendo todo dia!"
Tati Bernardi

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Canção do dia...





Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...


- * - * - * - * - * - * - * - * - * - * -


Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.

Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.



Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...


- * - * - * - * - * - * - * - * - * - * -
 

"O verdadeiro analfabeto é aquele que sabe ler, mas não lê!..."

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

João de barro...




João de Barro
(Maria Gadu)

O meu desafio é andar sozinho
Esperar no tempo os nossos destinos
Não olhar pra trás, esperar a paz
O que me traz
A ausência do seu olhar
Traz nas asas um novo dia

Me ensina a caminhar
Mesmo eu sendo menino aprendi
Oh meu Deus me traz de volta essa menina
Porque tudo que eu tenho é o seu amor
João de Barro eu te entendo agora
Por favor me ensine como guardar meu amor

O meu desafio é andar sozinho
Esperar no tempo os nossos destinos
Não olhar pra trás, esperar a paz
O que me traz
A ausência do seu olhar
Traz nas asas um novo dia
Me ensina a caminhar
Mesmo eu sendo menino aprendi

Oh meu Deus me traz de volta essa menina
Porque tudo que eu tenho é o seu amor
João de Barro eu te entendo agora
Por favor me ensine como guardar meu amor

Oh meu Deus me traz de volta essa menina
Porque tudo que eu tenho é o seu amor
João de Barro eu te entendo agora
Por favor me ensine como guardar meu amor

Oh meu Deus me traz de volta essa menina
Porque tudo que eu tenho é o seu amor
João de Barro eu te entendo agora
Por favor me ensine como guardar meu amor
meu amor
 

- * - * - * - * - * - * - * - * -
 


 João de barro
(El hornero)
 
O joão-de-barro ou forneiro (Furnarius rufus) é uma ave Passeriforme da família Furnariidae. É conhecido por seu característico ninho de barro em forma de forno (característica compartilhada com muitas espécies dessa família). É a ave símbolo da Argentina, onde é chamado de hornero ("Ave de la Patria" - desde 1928).


Possui o dorso inteiramente marrom avermelhado (por isso o epiteto específico rufus). Apresenta uma suave sobrancelha, formada por penas mais claras, em leve contraste com o restante da plumagem da cabeça. Rêmiges primárias (penas de voo, nas asas) anegradas, visíveis em vôo, com as asas abertas. Ventralmente é de coloração mais clara. Tem cerca de 20 cm de comprimento e não apresenta dimorfismo sexual evidente, mas sua plumagem pode mostrar variações regionais; no sul da Argentina tende a ter um tom mais pálido e acinzentado; no Piauí e Bahia as cores são mais fortes, mais avermelhado no dorso e mais escuro e ocre no ventre. Também seu tamanho pode variar, sendo em geral as populações do sul ligeiramente maiores que as do norte.




O joão-de-barro é um pássaro muito popular, tanto que foi escolhido como a ave nacional da Argentina. Faz parte do folclore de várias regiões, sendo personagem de lendas. Uma delas diz que o macho pode encerrar uma fêmea infiel no ninho até que ela morra, o que nunca foi comprovado; Outra diz que ele constroi seu ninho com a abertura na direção oposta do vento e da chuva, mas as pesquisas realizadas apresentam resultados contraditórios. Também é dito que ele é um pássaro religioso, pois suspende a construção do ninho aos domingos e dias santos. Isso tampouco tem comprovação científica. Em algumas regiões interioranas seus ninhos vazios se tornam objetos de decoração doméstica.


Seu canto, junto com o de outros pássaros, foi uma inspiração para o compositor erudito Olivier Messiaen. Foi protagonista do livro infantil O Armário do João de Barro, de Christina Dias; deu seu nome a um projeto do governo brasileiro de construção de casas populares no interior, especialmente no Nordeste; foi tema de uma poesia de Cassiano Ricardo, é um motivo constante na obra do pintor José Antônio da Silva e foi cantado na conhecida toadacaipira João de barro, de Teddy Vieira e Muibo César Cury. A artista Celeida Tostes utilizou seus ninhos para a criação de uma instalação apresentada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage em 1990. Além disso a ave já batizou uma plataforma criptográfica para a Autoridade Certificadora Raiz da Infra-estrutura de Chaves Públicas do Brasil uma ONG, um concurso nacional de literatura da prefeitura de Belo Horizonte, e um grande número de estabelecimentos comerciais, empresas, hotéis e escolas.


Em Sobradinho corre uma lenda de que a cidade foi fundada por um joão-de-barro, a quem ela também deve o nome, já que antigamente um viajante teria ali encontrado uma dessas aves a construir seu ninho, e ela, falando-lhe, disse que seria na forma de um "sobradinho", em memória das grandes casas de fazenda que um dia pontuavam a paisagem da região. Os indios avá guaraní assim explicam a origem do joão-de-barro: a jovem Kuairúi havia se enamorado de Tiantiá, um valoroso guerreiro. Queriam casar, mas o cacique Tabáire, pai de Kuairúi, não permitiu, porque a despeito de sua bravura Tiantiá não sabia construir uma cabana. Assim foram transformados em pássaros que ajudam um ao outro na construção do ninho.
 

 


João de barro
(Paixão Côrtes/Zé Bernardes)

João de barro quando canta no inverno e no verão
É sinal, é sinal de tempo bom
É sinal, é sinal de tempo bom
João de barro quando canta no inverno e no verão

João de barro faz o rancho com o bico e terra flor
Quando tem, quando tem, quando tem um grande amor
Diz a lenda, diz a lenda do rincão
João de barro foi um índio fazedor de habitação

A casinha do barreiro também serve de prisão
Quando tem, quando tem, quando tem um grande amor
Diz a lenda diz a lenda do rincão
Que ele prende a companheira que iludiu seu coração

--------

Joao de barro cuando canta en el invierno y en verano,
Es señal, es señal, que mejoró,
Es señal, es señal, que mejoró
Joao de barro cuando canta se ilumina la estación.

Joao de barro hace su rancho, con el pico, tierra y flor
Cuando es, cuando es es el tiempo del amor,
Su leyenda de niños nos contó, era un indio
Joao de barro cantarín y constructor.

La casita del barrero, también sirve de prisión,
Cuando es, cuando es, es el tiempo del amor,
Su leyenda de niños nos contó
Que guarda a su compañera, dentro de su corazón....

 
 
- * - * - * - * - * - * - * - * -
 

  "As vezes nasceram para serem livres para poder voar e ir aonde quiserem!"
Autor: Desconhecido