Por DIEGO MÜLLER

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Perota chingo...

 

Perota chingo esta conformado por Julia Ortiz y Dolores Aguirre ( conocidas en la net como Dolo y Maju ), si bien ambas somos oriundas de la costa norte Porteña del Rio de la Plata y nos conocemos hace ya unos 20 años, esta formacion surge en y para el verano del 2011, con la autopropuesta de conocer toda la costa Uruguaya a dedo, guitarra y dos voces . 



Rie Chinito

Rie chinito se rie
Y yo lloro porque
El chino rie sin mi

Rie en la noche y achina
Los ojos morochos
Mas lindos que vi

Sopla las cañas sube
La montaña mañana
Quizas bajara

Se hace de dia el sol
Lo encandila los vientos
Descanzan y el chino
Se amanza e se...

Mira la luna mi niña
Y se acuna que es larga
La noche y es claro
El camino mi despedacito de rio
Hasta donde bajaras?


El cabo Polonio nos abrio todas sus puerta
s y ventanas y nos abrazo con fuerza en un flujo arremolinado de energias musicales. 
nos encontramos un muy buen dia con Pocho Alvarez y Martin Donozo que en esta serie de espontaneidades nos invitaron a un rico plato de trigo con pasas y capturaron de la forma mas sensible un momento de estos momentos magicos, unicos e irrepetibles.Un año mas tarde nos reencontramos sumando al proyecto a Martin Dacosta en percusion y Diego Cotelo en guitarra comenzando una gira por Argentina, Chile y Uruguay que continuara en Septiembre 2012 desde Brasil por toda Latinoamerica. 




perotachingo@gmail.com 



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"A guitarra é um potreiro, mangueirão de "labirinto" prendendo tudo o que vejo ,soltando tudo que sinto!!!..."

Pois é...


Pois É

Pois é, não deu
Deixa assim como está sereno
Pois é de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver
E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater
avisa que é de se entregar o viver...

Pois é, até
Onde o destino não previu
Sei mas atrás vou até onde eu consegui
Deixa o amanhã e a gente sorri
Que o coração já quer descansar
Clareia minha vida, amor, no olhar...




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No lobisomem...
Qual dilema que impera?
Qual a dor que lhe consome?
Ser o homem ou ser a fera?
Ser a fera ou ser o homem?

Martim César



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Chapadão...


...de Tom Jobim!


Este poema que se segue, da autoria de Tom Jobim - Chapadão - é um poema famoso como o seu Segundo a sua esposa, Ana, Tom levou 8 anos para completar o poema. http://www.raizonline.org/oitentaeum/sessentaequatro.htm


Chapadão
Tom Jobim

Vou fazer a minha casa
No alto do chapadão
Vou levar o meu piano
Que ficou no Canecão

Vou fazer a minha casa
No alto do Chapadão
Vou levar don'Aninha
Prá me dar inspiração

Vou fazer a minha casa
No alto de uma quimera
Vou criar um mundo novo
Inventar nova megera

Vou fazer a minha casa
Com largura e comprimento
E peço ao Paulo uma sala
Pra botar Aninha dentro

Vou botar minha biruta
No taquaruçu de espinho
Vou fazer cama macia
Pra te amar devagarinho

Seremos dois belezudos
Neste mundo de feiosos
As noites serão tranquilas
E os dias tão radiosos

Quero minha casa feita
Com régua prumo e esmero
Quero tudo bem traçado
Quero tudo como eu quero

Quero tudo bem medido
De largura em comprimento
Não quero que minha casa
Me traga aborrecimento

Vou fazer a minha casa
Do alto de uma canção
E agradecer a Deus Pai
A sobrante inspiração

Sob a axila do Christo
Neste sovaco christão
Vou fazer a minha casa
No alto do Chapadão

E vou dar festa bonita
Com bebida e com garçon
E ao Lufa que foi amigo
Dou champagne com bombom

Vou fazer a minha casa
No centro do ribeirão
Quero muita água limpa
Pra lavar meu coração

Minha casa não terá
Nem sábado nem domingo
Todo dia é dia santo
Todo dia é dia lindo

Todo dia é sexta-feira
Sexta-feira da paixão
Vou convidar o Alberico
Para o peixe com pirão

E dentro da minha casa
Nunca vai juntar poeira
Pelo meio dela passa
Uma enorme cachoeira

Quero água com fartura
Quero todo o riachão
Quero que no meu banheiro
Passe inteiro o ribeirão

Quero a casa em lugar alto
Ventilado e soalheiro
Quero da minha varanda
Contemplar o mundo inteiro

Vou fazer o meu retiro
Na grota do chororão
A minha casa será
Uma casa de oração

Vou me esquecer do pecado
Entrar em meditação
E não saio mais de casa
Só saio de rabecão

Vou entrar pra Academia
Vou comer muito feijão
E acordar à meia-noite
Pra vestir o meu fardão

Mas na minha Academia
Sem chazinho e sem garçom
Só entra Mário Quintana
Só entra Carlos Drummond

Que já chega de besteira
Já basta de decoreba
Que a cultura verdadeira
Tá na asa do jereba

Porque tem urubu-rei
E tem urubu-ministro
Dois de cabeça amarela
E um preto que registro 

Registro neste debuxo
Os dois condores também
Embora urubus de luxo
Têm direito no além

Sob a axila christã
Neste sovaco christão
Vou fazer de telha-vã
A casa do Chapadão

Vou dormir meu sono velho
Neste sovaco do Christo
Vou comprar muito sossego
Vou regar o meu hibisco

Vou viver na minha casa
Vou viver com a minha gente
Vou viver vida comprida
Prá não morrer de repente

Vou contemplar grandes pedras
Vazio de compreensão
Vou esquecer o meu nome
No alto do Chapadão

Vou plantar um roseiral
Vou cheirar manjericão
Vou ser de novo menino
Vou comprar o meu caixão

E vou dormir dentro dele
Bem relax tranqüilão
Dormir de banho tomado
Já pronto para a extrema-unção

Vou fazer a minha casa
No alto do cemitério
Vou vestir a beca negra
E exercer o magistério

Vou vestir a roupa lenta
Que leva ao desconhecido
E eis que chego aos sessenta
Como um homem sem partido

Nesta passagem de vento
Nesta eterna viração
Vou fazer a minha casa
Com as pedras do ribeirão

Vou fazer a minha toca
No bico d'urubutinga
No pico da marambaia
Lá na ponta da restinga

Será no rastro das antas
Na trilha da sapateira
Que é pra onça do telhado
Cair dentro da fogueira

Que eu gosto de onça assada
Mas na brasa da lareira
Conversando ao pé do fogo
A conversa rotineira

Das queixadas dos macucos
Conversa pra noite inteira
Da memória das caçadas
Na floresta brasileira

Deste planalto central
Este projeto christão
A ninguém faltará teto
A ninguém faltará pão

Desta prancheta ideal
Na luminosa manhã
Dr. Lúcio faz o risco
Do projeto telha-vã

Nesta oficina serena
Carpintaria christã
Dr. Lúcio mais Oscar
No projeto telha-vã

Neste canteiro de obras
Onde manda mestre Adão
Os milhares de operários
Colocar as telhas vão

Neste desvão principal
Nesta branca e azul manhã
Vou erguer a minha casa
De vermelha telha-vã

Vou fazer a minha casa
No meio da confusão
Que o jereba se alevanta
No olho do furacão

Vou fazer a minha casa
Na asa d'urubu peba
Que casa só é segura
Feita em asa de jereba

Vai ser na vertente seca
Na virada da chapada
Onde o peba se suspende
Na fumaça da queimada

Não quero mais ter galinha
Vendo toda a capoeira
Vou mandar cortar o mato
E vender toda a madeira

Mas quem pôs fogo no mato ?
E espontânea a combustão ?
Esse fogo vem de longe
Esse fogo é de balão 

Inda que mal lhe pergunte
Esse fósforo aí grandão
O compadre me desculpe
E só de acender balão ?

Vou botar fogo no mato
Comandar rebelião
Incendiar a floresta
Tacar fogo no sertão

E o urubu de queimada
Vai surgir na ocasião
Pra comer todas as cobras
Sapos ratos pois então !

Caracóis e lagartixas
e todos bichos do chão
Urubu santo lixeiro
Tu és da Comlurb então ?

Trabalhando o ano inteiro
Tem décimo terceiro não ?

Camiranga meu amigo
Obrigado meu irmão
Que limpa toda sujeira
Desse povo porcalhão

Q'inda por cima te xinga
De feioso e azarão
«Doação ilimitada
A uma eterna ingratidão»

E vou viver no deserto
Quero o ar puro do sertão
Não quero ninguém por perto
E nem que passe avião

Não pode ter venda perto
Nem estrada de caminhão
Não quero plantas nem bichos
Nem quero mulher mais não

Quero vestir meu pijama
Smith e Wesson na mão
Quero ler na minha cama
Papo-amarelo no chão

As histórias do corisco
Vividas nesse sertão
Que Sérgio Ricardo e Glauber
Cantavam ao violão

«Eu não sou passarinho
Prá viver lá na prisão
Não me entrego ao tenente
Nem me entrego ao capitão
Eu só me entrego na morte
De parabelum na mão»

Minha casa é por aí
E no mundo monde mondo
Que eu só durmo no sereno
Quem faz casa é marimbondo

Vou cerzir a minha asa
Na casa do Sylvio então
Pra voar que nem jereba
Bem longe do Chapadão

Vou vender o meu pandeiro
Vou levar meu violão
Favor mandar meu piano
De volta pro Canecão

Vou-me embora vou-me embora
Aqui não fico mais não
Adeus minha bela morena
Vou pegar meu avião

Adeus minha roxa morena
Minha índia tupiniquim
O meu amor por você
É eterno até o fim

Não quero partir chorando
Já tá tudo tão ruim
Não chore meu bem não chore
Não me deixes triste assim
Adeus minha moreninha
Não vá se esquecer de mim

Mas não vou ficar solteiro
Você pára de chorar
Que com a sobra do dinheiro
Mando logo te buscar

Avião papa jereba
Passa mal e cai no chão
Avião foge do peba
Peba derruba avião

Por favor seu urubu
Me deixe passar então
Não entre em minha turbina
Não derrube o avião

Eu já tô tão tristezinho
E tantos outros já estão
Não derrame meu uisquinho
Não abata o meu jatão

Vou-me embora desta terra
Meu desgosto não escondo
O afeto aqui se encerra
Quem faz casa é marimbondo

Vou-me embora vou-me embora
Você não me leve a mal
Se Deus quiser fevereiro
Venho ver o carnaval

E não quero mais ter casa
Precisa de casa não
Quem tem casa é marimbondo
Minha casa é o avião

Telefonei pro aeroporto
Não tinha avião mais não
Vou fazer minha viagem
Na asa do peba então

(Acho asa de jereba
Mais segura que avião)...

(Chapadão - interpretada por TOM JOBIM - Seu autor)


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(Tito Saubidet - Argentina)

A gente leva da vida a vida que a gente leva.

sábado, 11 de agosto de 2012

Dois em um...



Dois em um!
(Diego Müller)

O porque teu olhar claro
No meu olhar se prendeu?...
O porque que os mesmos olhos
Do meu olhar se perdeu?
O porque que o meu abraço
Os teus braços precisavam?...
Depois, os mesmos abraços,
Os teus braços dispensaram?

Sou assim mesmo, e não mudo...
– Bem tentei mudar por ti!...
Mas teu mundo gira estranho...
E, de mudar, não resisti!...
Teus caminhos diferentes...
O meu rumo decidido!...
– Muita reza nas palavras
Que só almejavam pedidos!

Você em mim... nada incomum!...
O que era dois restou só um!...
Dois rumos... Algo comum!...
– Ficou só eu!... Dois em um!!!

O porque teu beijo doce
Da minha boca provou?...
E o porque na mesma boca
Foi só o fel que sobrou?
O porque tua lembrança
Se aquerenciou em mim?...
E do porque os mesmos recuerdos
Só me desenham pra um fim?

Minha calmaria inquieta...
Tua inquietude altiva...
Meus trejeitos desandando...
E tuas cruzadas, tão vivas!...
– Mesmo em meio a tantas dores
Que te dizem tão ausente...
...Valeu tanto, pago a pena:
E tu, cada vez, mais presente!!!


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"...eu sei e voce sabe, já q a vida quis assim,
que nada nesse mundo levará vc de mim!"
(Vinícius de Moraes)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Cismas...



Cismado
(Diego Müller)

Porque saudade, se esta estrada eu nem compreendo?...
– Dela só entendo que por diante me carrega!...
Saudade eu tenho, mas não tanto para as cismas
Que me destina a peça que só as curvas prega!

Porque das cismas, se estas mesmas sempre tive?...
E me contive pra não refletir aos sonhos!...
De novo, as mesmas... repetidas – passo-a-passo –
Onde eu repasso seus porquês num céu risonho!

Cada ansiedade, desenhando o úçltimo dia...
Cada alegria, relembrada nas esperas...
Cada quimera, pondo dor nas melodias...
– E minha poesia, insistindo em vir tapera!

E eu que tenho tanto cruzado
Por calejado não aprendi...
Os mesmos rumos – de olhar cismado –
Onde cimbrado não sei mentir!

Cismo e assumo – de olhar nublado –
No tanto alado que eu me senti...
E eu que tenho tanto penado,
Ainda cismado, só penso em ti!

Porque saudade, se já avisto outro reencontro?...
E nela eu conto, pra estas cismas terem fim!...
– Nunca terão, mas compreendo o que me ensinarem:
Se elas findarem, restará só um “não”... ou o “sim”!

Porque das cismas, e até sei eu elas viriam?...
E me trariam mais o intento de cruzar!...
– Se até duvido das estradas que eu desperto,
Melhor o incerto... do que por ti nem tentar!

Cada lembrança, que salta sem pedir senha...
Cada resenha, que pensei em você comigo...
Cada perigo, que por mais que eu me contenha,
Deixe que venha... pois cessar cismas, não consigo!


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"hoje eu sei,
só a mudança é permantente...
de repente
tudo está no seu lugar!"


Se, hoje, sou um cara despreparado para a vida pública, imaginem no início da minha jornada! Não precisam abafar o riso pois eu mesmo me divirto com esta falta de preparo.
Eram tempos anteriores à www. A cada lançamento, este morador da província passava um ou dois dias num escritório, na corte, dando entrevistas para veículos de todo o país. Constrangido de repetir sempre as mesmas respostas, ingenuamente eu tentava dar um tratamento personalizado a cada entrevista. Não se tratava de mentir, é claro; eu só tentava jogar luz em novos detalhes. E são inúmeros os detalhes quando se fala de criação. Tudo ali é detalhe.
Agora, façam as contas: num país com 27 unidades federativas, digamos que (fazendo uma média por baixo) eu falasse com 3 revistas/jornais de cada estado: são 71 entrevistas. Se a primeira delas fosse linear e objetiva e, a cada uma, eu viajasse um pouco, na septuagésima primeira eu teria viajado um bocado! Na geografia e nas ideias.

(*)

Quando a MTV estava preparando sua entrada no Brasil, testando formatos, fui convidado a participar de um programa piloto. Um teste que nunca foi ao ar. Era umping pong com o convidado encostado num muro, o paredón.
Eles ainda estavam tateando o ambiente. O clima na emissora ainda era mais pra anos 70 do que 80. E estávamos em 1990! A maioria das perguntas tinha um tom de transgressão que já me soava passado na época. Chavões sobre sexo, drogas, roquenrrou, etc... o de sempre: prato feito para jovens por cozinheiros de meia idade.
Uma das perguntas nunca saiu da minha cabeça: “você começa a fazer a barba sempre do mesmo lado?”. Acho que eles julgavam ser um bom atalho pra saber se um cara é metódico ou inquieto, burocrata ou criativo... Como se fossem atitudes excludentes. 

(*)

No seu melhor, a canção popular vive do balanço entre repetição e novidade. Balança nessa corda bamba. Anda no fio dessa navalha, tentando não cair no precipício do caos nem no abismo da previsibilidade.
Isto se dá na escala micro (nos poucos segundos de um compasso) e macro (nas décadas de uma carreira); na escolha das notas do solo e das canções do setlist. Está sempre presente a busca do mix certo, na esperança de que as duas asas batam em sincronia. 
(algo que evite qualquer relação com o passado faz tão pouco sentido quanto algo que só queira repetir o passado)

Se respirarmos fundo e nos distanciarmos um pouco pra sacar a perspectiva, vamos ver que é limitadíssimo o universo harmônico e rítmico da música popular. A magia está em descobrir novas formas de cozinhar estes ingredientes.
Há que se partir de um terreno comum para chegar a terrenos inexplorados. Como diz o ditado: não é possível disparar um canhão de uma canoa (a canoa iria pra traz tanto quanto a bala iria pra frente). É necessário uma base firme. Loucura e caretice podem ser bons temperos uma para a outra.

não ficaremos parados 
com a cabeça nas nuvens e os pés no cão

Bah 1: O técnico do meu time, acuado por uma pergunta numa entrevista coletiva, se saiu com esta: ”Você não vai me pegar, eu fiz midia trainning.”
Bah 2: O que se quer (numa coisa boba como o texto da semana ou numa coisa fundamental como o amor da nossa vida) é certeza e surpresa.

Humberto Gessinger
abraço
7ago2012


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"Nós estamos tão atarefados olhando com que está a nossa frente, que não temos tempo de aproveitar onde nós estamos!"
Calvin e Haroldo 
(Calvin y Hobbes)

Em ti...

Em ti...



Em ti...

(Diego Müller)


Olhei em ti – primavera – alva flor nos vendavais...
Algo de raiz estanque recaindo a um nunca mais!...
Sorrisos de encantar cenas, luzeiros em cada olhar...
– Mirada que prendeu sonhos que não querem regressar!

Mirei em ti – calmaria – rio manso que escorre ao léu...
Braços de buscar guarida, cabelos da cor do mel!...
Quimeras redesenhadas nos rumos de uma poesia...
– Rancho novo (quincha e barro) pros meus abrigos do “um dia”!

Busquei em ti – tempestades – vento e mormaços na pele...
Calor me aquecendo os rumos, por mais que o tempo enregele!...
Algo de buçal trançado sobre os descasos de potro...
– Um abraço que, espelhado, busca os braços de um outro!

Sonhei em ti – corredores – ganhar o mundo por conta...
Descobrir dentre as quimeras o que tua fala não conta!...
Cerca que repreende o longe, mas direciona meu prumo...
Um tanto de sombra mansa... aguada... e de novo ao rumo!

Vivi em ti – temporário – nas constâncias de um eterno...
Dure quanto durem os giros de um mundo que almejei terno!...
– Só almejei, pois calmarias não avistei nesse olhar...
Ando cismado por conta deste mundo a desvendar!

Perdi em ti – poço fundo – decaindo à escuridão...
Apertos – por desandado – nas brechas de um coração!...
– Vou estanque, aprisionado, no que me restou por diante!...
– E a dor me provou o contrário: temporário, não... constante!!!





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(Francisco Madero Marenco)

"A melhor maneira de começar um companheirismo
é com uma boa gargalhada...
De terminar com ela, também!"
Oscar Wilde

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Florcita...



Florcita de Manzanilla...

Yo tuve un día un amor, 
De esos que no se olvida, 
Algo así como una flor 
En el huerto de mi vida... 

Pero, al fin, se marchitó 
Esa flor en mi camino, 
Y me quedé sin color, 
Igual que un ave sin trino... 

Ahora sigo mi rumbo 
Buscando lo que perdí... 
La que aromaba mi mundo 
Ya ni se acuerda de mí... 

Florcita de Manzanilla, 
Yuyito del corazón... 
Aunque mi alma está herida, 
Aún te llevo en mi voz... 

Florcita de manzanilla, 
Yuyito del corazón... 
Siempre estarás en mi vida 
Como un recuerdo de sol... 

Yo tuve un día un amor, 
Tuve un hogar... ¡un ranchito! 
Pequeño para los dos, 
Pero, tal vez, infinito... 

Después se volvió tapera, 
Una más en el recuerdo... 
Un cuadro de primavera 
En una pared de invierno... 

Y aunque no vuelvas nunca, 
Y no seas más que un recuerdo, 
Tu nombre en mi vida alumbra 
Como mil soles de enero... 

(Diego Müller/Martim César)



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ANJINHO DE ASAS PODRES: 
O CARDEAL

A parcela do povo que tem um pouco de memoria e miolo, estranhou a forma como o cardeal Eugenio Sales foi retratado no velório pelas autoridades. Ele foi apresentado como um combatente contra a ditadura, que abriu os portões da residência episcopal para abrigar os perseguidos políticos. O prefeito Eduardo Paes, em campanha eleitoral, declarou que o cardeal "defendeu a liberdade e os direitos individuais". O governador Sérgio Cabral e até o presidente do Senado, José Sarney, insistiram no mesmo tema, apresentando dom Eugênio como o campeão "do respeito às pessoas e aos direitos humanos". 

Não foram só os políticos. O jornalista e acadêmico Luiz Paulo Horta escreveu que dom Eugênio chegou a abrigar no Rio "uma quantidade enorme de asilados políticos", calculada, por baixo, numa estimativa do Globo, em "mais de quatro mil pessoas perseguidas por regimes militares da América do Sul". Outro jornalista, José Casado, elevou o número para cinco mil. Ou seja, o cardeal era um agente duplo. Publicamente, apoiava a ditadura e, por baixo dos panos, na clandestinidade, ajudava quem lutava contra. Só faltou arranjarem um codinome para ele, denominado pelo papa Bento XVI como "o intrépido pastor". 

Seria possível acreditar nisso, se o jornal tivesse entrevistado um por cento das vítimas. Bastaria 50 perseguidos nos contarem como o cardeal com eles se solidarizou. No entanto, o jornal não dá o nome de uma só - umazinha - dessas cinco mil pessoas. Enquanto isto não acontecer, preferimos ficar com o corajoso depoimento de Hildegard Angel, cujo irmão Stuart, foi torturado e morto pelo Serviço de Inteligência da Aeronáutica. Sua mãe, a estilista Zuzu Angel, procurou o cardeal e bateu com a cara na porta do palácio episcopal. 

Segundo Hilde, dom Eugênio "fechou os olhos às maldades cometidas durante a ditadura, fechando seus ouvidos e os portões do Sumaré aos familiares dos jovens ditos "subversivos" que lá iam levar suas súplicas, como fez com minha mãe Zuzu Angel (e isso está documentado)". Ela acha surpreendente que os jornais queiram nos fazer acreditar "que ocorreu justo o contrário!".

Raul Elwanger - Gazeta dos tolos


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"La vida no tiene reglas, el precio es que está arreglado, nosotros lo hemos pagado con plata y con soledad... Mañana por la ventana nos borrará el amanecer, como si no fuera volver yo me iré como toda última vez!"
(Martím César)


sábado, 28 de julho de 2012

Aqüifero guarany...


...Minha água guarany!


Abrangência do aqüifero Guarany

O Aqüífero Guarani é o maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo. Está localizado na região centro-leste da América do Sul, entre 12º e 35º de latitude sul e entre 47º e 65º de longitude oeste e ocupa uma área de   1,2 milhões de Km², estendendo-se pelo Brasil (840.000l Km²), Paraguai (58.500 Km²), Uruguai (58.500 Km²) e Argentina (255.000 Km²).
Sua maior ocorrência se dá em território brasileiro (2/3 da área total), abrangendo os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.



Esse reservatório de proporções gigantescas de água subterrânea é formado por derrames de basalto ocorridos nos Períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo Inferior (entre 200 e 132 milhões de anos).  É constituído pelos sedimentos arenosos da Formação Pirambóia na Base (Formação Buena Vista na Argentina e Uruguai) e arenitos Botucatu no topo (Missiones no Paraguai, Tacuarembó no Uruguai e na Argentina).

A espessura total do aqüífero varia de valores superiores a 800 metros até a ausência completa de espessura em áreas internas da bacia. Considerando uma espessura média aqüífera de 250 metros e porosidade efetiva de 15%, estima-se que as reservas permanentes do aqüífero (água acumulada ao longo do tempo) sejam da ordem de 45.000 Km³.

O  Aquífero Guarani constitui-se em uma importante reserva estratégica para o abastecimento da população, para o desenvolvimento das atividades econômicas e do lazer.



Sua recarga natural anual (principalmente pelas chuvas) é de 160 Km³/ano, sendo que desta, 40 Km³/ano constitui o potencial explotável sem riscos para o sistema aqüífero.

As águas em geral são de boa qualidade para o abastecimento público e outros usos, sendo que em sua porção confinada, os poços tem cerca de 1.500 m de profundidade e podem produzir vazões superiores a 700 m³/h.

Aquífero Guarani foi considerado como a maior reserva subterrânea de água doce do mundo até 2010. A maior reserva atualmente é o Aquífero Alter do Chão.

A maior parte (70% ou 840 mil km²) da área ocupada pelo aquífero — cerca de 1,2 milhão de km² — está no subsolo do centro-sudoeste do Brasil. O restante se distribui entre o nordeste da Argentina (255 mil km²), noroeste do Uruguai (58 500 km²) e sudeste do Paraguai(58 500 km²), nas bacias do rio Paraná e do Chaco-Paraná. A população atual do domínio de ocorrência do aquífero é estimada em quinze milhões de habitantes.

Mato Grosso do Sul (213 700 km²)
 

Localização detalhada
Nomeado em homenagem à tribo Guarani, possui um volume de aproximadamente 55 mil km³ e profundidade máxima por volta de 1 800 metros, com uma capacidade de recarregamento de aproximadamente 166 km³ ao ano por precipitação. É dito que esta vasta reserva subterrânea pode fornecer água potável ao mundo por duzentos anos. Devido a uma possível falta de água potável no planeta, que começaria em vinte anos, este recurso natural está rapidamente sendo politizado, tornando-se o controle do Aquífero Guarani cada vez mais controverso.


Perfil do Aqüífero Guarani
a partir da Área de Recarga
No Estado de São Paulo, o Guarani é explorado por mais de 1000 poços e ocorre numa faixa no sentido sudoeste-nordeste. Sua área de recarga ocupa cerca de 17.000 Km² onde se encontram a maior parte dos poços. Esta área é a mais vulnerável e deve ser objeto de programas de planejamento e gestão ambiental permanentes para se evitar a contaminação da água subterrânea e sobrexplotação do aqüífero com o consequente rebaixamento do lençol freático e o impacto nos corpos d'água superficiais.

A combinação da qualidade da água ser, regra geral, adequada para consumo humano, com o fato do aqüífero apresentar boa proteção contra os agentes de poluição que afetam rapidamente as águas dos rios e outros mananciais de água de superfície, aliado ao fato de haver uma possibilidade de captação nos locais onde ocorrem as demandas e serem grandes as suas reservas de água, faz com que o Aqüífero Guarani seja o manancial mais econômico, social e flexível para abastecimento do consumo humano na área.

Por ser um aquífero de extensão continental com característica confinada, muitas vezes jorrante, sua dinâmica ainda é pouco conhecida, necessitando maiores estudos para seu entendimento, de forma a possibilitar uma utilização mais racional e o estabelecimento de estratégias de preservação mais eficientes.




Nosso futuro roubado
O Aquífero Guarani, manancial subterrâneo de onde sai 100% da água que abastece Ribeirão Preto, cidade do nordeste paulista localizada a 313 quilômetros da capital paulista, está ameaçado por herbicidas.
A conclusão vem de um estudo realizado a partir de um monitoramento do Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp) em parceria com um grupo de pesquisadores, que encontrou duas amostras de água de um poço artesiano na zona leste da cidade com traços de diurom e haxazinona, componentes de defensivo utilizado na cultura da cana-de-açúcar.
No período, foram investigados cem poços do Daerp com amostras colhidas a cada 15 dias. As concentrações do produto encontradas no local foram de 0,2 picograma por litro – ou um trilionésimo de grama. O índice fica muito abaixo do considerado perigoso para o consumo humano na Europa, que é de 0,5 miligrama (milésimo de grama) por litro, mas, ainda assim, preocupa os pesquisadores, que analisam como possível uma contaminação ainda maior.


No Brasil, não há níveis considerados inseguros para as substâncias. Ainda assim, a presença do herbicida na zona leste – onde o aquífero é menos profundo – acende a luz amarela para especialistas. Segundo Cristina Paschoalato, professora da Unaerp que coordenou a pesquisa, o resultado deve servir de alerta. “Não significa que a água está contaminada, mas é preciso evitar a aplicação de herbicidas e pesticidas em áreas de recarga do aquífero”, disse ela.
O monitoramento também encontrou sinais dos mesmos produtos no Rio Pardo, considerado como alternativa para captação de água para a região no longo prazo. “Isso mostra que, se a situação não for resolvida e a prevenção feita de forma adequada, Ribeirão Preto pode sofrer perversamente, já que a opção de abastecimento também será inviável se houver a contaminação”.


Geologia do aquífero
O Aquífero Guarani consiste primariamente de sedimentos arenosos que, depositados por processos eólicos durante o período Triássico(há aproximadamente 220 milhões de anos), foram retrabalhados pela ação química da água, pela temperatura e pela pressão e se tranformaram em uma rocha sedimentar chamada arenito. Essa rocha é muito permeável e assim permite a acumulação de água no seu interior. Mais de 90% da área total do aquífero é recoberta por extrusões de basalto, rocha ígnea e de baixa permeabilidade, depositada durante o período Cretácio na fase do vulcanismo fissural. O basalto age sobre o Aquífero Guarani como um aquitardo, diminuindo sua a infiltração de água e dificultando seu subsequente recarregamento, mas também o isola da zona mais superficial e porosa do solo, evitando a evaporação e evapotranspiração da água nele contida.
A pesquisa e o monitoramento do aquífero para melhor gerenciá-lo como recurso são considerados importantes, uma vez que o crescimento da população em seu território é relativamente alta, aumentando riscos relacionados ao consumo e a poluição.


Aquífero ameaçado
O Sistema Aquífero Guarani, que faz parte da Bacia Geológica Sedimentar do Paraná, cobre uma superfície de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, sendo 839., 8 mil no Brasil, 225,5 mil quilômetros na Argentina, 71,7 mil no Paraguai e 58,5 mil no Uruguai. Com uma reserva de água estimada em 46 mil quilômetros quadrados, a população atual em sua área de ocorrência está em quase 30 milhões de habitantes, dos quais 600 mil em Ribeirão Preto.

Rio Paraguay

A água do SAG é de excelente qualidade em diversos locais, principalmente nas áreas de afloramento e próximo a elas, onde é remota a possibilidade de enriquecimento da água em sais e em outros compostos químicos. É justamente o caso de Ribeirão, conhecida nacionalmente pela qualidade de sua água.
Para o engenheiro químico Paulo Finotti, presidente da Sociedade de Defesa Regional do Meio Ambiente (Soderma), Ribeirão corre o risco de inviabilizar o uso da água do aquífero in natura. “A zona leste registra plantações de cana em áreas coladas com lagos de água do aquífero. É um processo de muitos anos, mas esses defensivos fatalmente chegarão ao aquífero, o que poderá inviabilizar o consumo se nada for feito”, explica.

Rio Paraná

Já para Marcos Massoli, especialista que integrou o grupo local de estudos sobre o aquífero, a construção de casas e condomínios na cidade, liberada através de um projeto de lei do ex-vereador Silvio Martins (PMDB) em 2005, é extremamente prejudicial à saúde do aquífero. “Prejudica muito a impermeabilidade, o que atinge em cheio o Aquífero”, diz.

Rio Paraná

Captação
Outro problema que pode colocar em risco o abastecimento de água de Ribeirão no médio prazo é a extração exagerada de água do manancial subterrâneo. Se o mesmo ritmo de extração for mantido, o uso da água do Aquífero Guarani pode se tornar inviável nos próximos 50 anos em Ribeirão Preto.
A alternativa, além de reduzir a captação, pode ser investir em estruturas de captação das águas de córregos e rios que, além de não terem a mesma qualidade, precisam de investimentos significativamente maiores para serem tratadas e tornadas potáveis. A perspectiva já é considerada pelos estudiosos do chamado Projeto Guarani, que envolveu quatro países com território sobre o reservatório subterrâneo. O cálculo final foi entregue no fim do ano.

Rio do Prata

O mapeamento mostrou que a velocidade do fluxo de água absorvida pela reserva é mais lenta do que se supunha. Pelas contas dos especialistas, a cidade extrai 4% mais do que poderia do manancial. A média de consumo diário de água em Ribeirão é de 400 litros por habitante, bem acima dos 250 litros da média nacional. Por hora, a cidade tira do aquífero 16 mil litros de água. Vale lembrar que a maior parcela de água doce do mundo, algo em torno de 70%, está localizada, em forma de gelo, nas calotas polares e em regiões montanhosas.
Outros 29% estão em mananciais subterrâneos, enquanto rios e lagos não concentram sequer 1% do total. Entretanto, em se tratando da água potável, aproximadamente 98% se encontram no subsolo, sendo o Aquífero Guarani a maior delas. A alternativa para não desperdiçar esses recursos é investir em reflorestamento para garantir a recarga do aquífero, diz o secretário-geral do projeto, Luiz Amore.

Rio Uruguai

Minha água guarany

(AQÜIFERO GUARANY)

(L: Diego Müller e João Sampaio/M: Jorge Guedes)

Uma extensão escondida sob os povos guaranis
Vastidão índia de prantos dos olhos dos guayakis!
Sustento que o nosso Deus reservou aos de amanhã
Um aqüífero que a prece fez regalo de Tupã!

Rios de prantos submersos num leito doce arenoso
Nascente de céus andejos que caminham melodiosos!
Terra índia por herança, cor bugre na geografia
Por saber que o nosso pranto é sangue na hidrografia!

Eu que sou da taba índia do alfabeto aváñe’é
Sei das dores primitivas e dos roubos imaguarés
Planto sempre minhas verdades em polkas e chamamés
Minha água guarani e o meu chão tupãmba’é!

Uruguai... Rio Paraguai... Paraná e Rio da Prata
A água não é só água pra ser trocada por plata!
Não há gringo americano nem mercenário europeu
Essa água é toda nossa pois foi Tupã quem nos deu!

Rio natural... Rio porã... Água de prantos e brumas
Lágrimas de dores bugras que ainda choram nas espumas!
Aqüífero rio de prantos, que dos olhos escorreram
Matam sede... Viram peixes, nossos mortos renasceram!

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"Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo!"
Mahatma Gandhi