Por DIEGO MÜLLER

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Queimar o Manual...

 





"Eu propus pro Barbosa (Lessa) e ele aceitou. De queimarmos o manual de danças gaúchas, e ele me disse: pode queimar Paixão... e era uma simples proposta de ensinamento e direção coreográfica para as nossas danças esquecidas, num tempo em que nós suamos sangue em prol desta reconstituição, mas valeu pelo resultado, estas danças não são danças gaúchas e sim gauchescas. São danças do Rio Grande antigo defrontando o tempo de agora!"
(Paixão Côrtes)




Cultura é o que fica depois de se esquecer tudo o que foi aprendido, e isso é real. Por isso dedico esse post aos amigos que, se não demonstram, ao menos entendem bem o que seria um ser de campo, de paisagens planas e longínquas em propensa demonstração teatral-bailarina, uma pessoa de calmarias, de campos e banhadais, de galpão e mangueira, com gestos simples e demonstrativos... nada haver com "palhacescos xirus", (não só em exagero como em falta de expressão), como disse Noel Guarany e João Sampaio em um de seus versos dotados de criolismo e verdade antiga. Mas a vida é assim, onde os homens distinguem-se entre si por onde alguns primeiro pensam, depois falam e, em seguida, agem. E outros, ao contrário, primeiro falam, depois agem e, por fim, pensam! Espero poder levar isso adiante, sempre isso, independente de visões gerais e combinações circunstanciais tantas. Levarei esse esteriótipo moldado em séculos de aço e sangue, em uma epopéia barbará ("epopeya para ser cantada con liras de hierro por voces de bronce") cada vez necessário e desaparecido de nossos palcos e de nossos ambientes que deveriam cultivar o gauchismo simples e com cheiro de terra! "Ah, o campo... ...o folclóre!... ...o campo e o seu ser! O que é preciso para essa raiz renascer!?"



"Um anda em cavalo manso... Outro em potro redomão...
Um traz o fogo pegado em folha seca e carvão...
Outro é tronco de aroeira, graveto grosso e molhado...
Um é fogo de lareira... Outro é fogo de galpão!!!"

(Balbino Marques da Rocha)
Abraços a todos!

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-



"A dança não pode mudar o mundo, mas... talvez... quem sabe..."
(Anônimo)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Perico el bailarín...



 

O famoso sapateador gaúcho

Quando em 1949, regressávamos de Montevidéu, onde integrando uma delegação do “35 Centro de Tradições Gaúchas” representamos o gaúcho brasileiro por primeira vez nas comemorações do dia “de la tradición” e onde as bandeiras da Argentina, Uruguai e do Brasil tremularam unidas, conduzidas por gaúchos em pingos de lei garantiram o destaque com que o mundo oficial, governamental do país amigo, emprestava aqueles atos.

Sentimos a grandiosidade deles no sentido patriótico popular e a seriedade com que os nativistas das entidades tradicionais os encaravam.

Por entre as “tropeadas” dos desfiles, passamos pelos notáveis monumentos da “Carreta” e “Nuevo Rumbro”, “mateamos” onde Artigas cevava “su cimarron”. Participamos de “entreveros” poéticos; ouvimos o som da guitarra, o “contrapunto” dos payadores; revivemos gineteadas e tiros de bolas.

Foi depois de uma peña de bailes típicos, em que se destacou a graça de uma “criolla” numa “zamba” e o sapateado vibrante de um “campesino” num “Malambo”, que ouvimos falar por primeira vez em “Perico – el bailarin”.

Nesse rodeio de cultura e arte, o orador dizia dos hábitos e costumes comuns na formação do tipo gaúcho do Uruguai e do Brasil. Entre figuras e fatos, citou o nome do brasileiro Pedro José Vieira, hoje integrado nas páginas históricas dos primórdios da Independência Uruguaya..

Sinceramente, fomos tomados de surpresa e não tivemos coragem, distante da pátria e naquela situação, de confessar nosso desconhecimento ou fazer alguma pergunta a respeito desse patrício.

 

Estávamos nessa época, recém iniciando nossos trabalhos de pesquisas folclóricas com Barbosa Lessa. Não imaginávamos que, passado algum tempo viéssemos a recolher cerca de motivos coreográficos gauchescos e mais, encontrar a figura de Pedro José Vieira entre os sapateadores rio-grandenses. “Gozava ele de grande popularidade entre os gaúchos uruguaios, devido principalmente a sua destreza e originalidade na execução de sapateados. Nascido em Jaguarão, após a conquista das Missões e o traçado das fronteiras, foi se estabelecer em Soriano, na República Oriental, onde adquiriu o cognome de “Perico, el Bailarin”.

Sua presença nos bailes campeiros, era sempre festejada pois ele constantemente trazia “novidades” inclusive “zapateando de zancos”, isto é, de pernas de pau, segundo informa um documento da época. Graças a sua habilidade de sapateador e a seu espirito franco e folgazão, Pedro José Vieira tornou-se um verdadeiro líder dos campeiros de Soriano. E foi nessas condições, que, em 1811, tendo a seu lado Venâncio Benavides, deu o celebre “Grito de Assêncio”, precursor da liberdade uruguaia. Consciente do papel que representava – batendo pela independência americana – Pedro José Vieira teve o cuidado de declarar, mais tarde, quando as tropas brasileiras, em plena luta da libertação uruguaia, invadiram a Banda Oriental, satisfazendo assim ao desejo imperialista de D. João VI :

“ – Sempre fui e sempre serei rio-grandense. Mas o povo uruguaio luta por uma liberdade que merece, e lutarei a seu lado, mesmo que seja contra os soldados de minha terra” (*).

 E realmente, Pedro José Vieira lutou com denodo em prol da independência uruguaia, da mesma forma que, posteriormente, ao vir se estabelecer em Piratini, no Rio Grande do Sul, lutou com entusiasmo e perseverança, em 1835, em defesa da causa republicana.

Legitimo campeador de nossas fronteiras, amante da liberdade e da terra americana, esse dançarino gaúcho – Perico – el Bailarin – certamente sintetiza, em sua figura legendária, o espírito de fraternidade que mais tarde – passada a borrasca das guerras e revoluções – enviuvaria num mesmo sentimento crioulo os povos irmãos e amigos do Uruguai, da Argentina e do Rio Grande do Sul”. (1).


Antes de finalizar estas breves notas, desejamos sugerir aos Centros de Tradições no nosso Estado, que vêm promovendo realizações a fim de destacar os melhores sapateadores de danças folclóricas, o seguinte : dar o nome de Pedro José Vieira – “Perico, el Bailarin”, ao prêmio “Melhor Sapateador”. A nossa sugestão estende-se à Divisão de Tradição e Folclore, responsável oficial pelos Concursos de Danças Gaúchas, promovidos pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado.

Oxalá, algum departamento de danças de um Centro de Tradições ou como patrono de um conjunto folclórico. Será uma homenagem justa do tradicionalismo à figura de Pedro José Vieira, tão pouco conhecido na história do pago.


 J. C. Paixão Cortes
Correio do Povo de 13 de outubro de 1966. Porto Alegre

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-


"Os homens distinguem-se pelo que fazem;
as mulheres, pelo que levam os homens a fazer!"
Carlos Drummond de Andrade

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A dança e o gauchismo...



Seguido abro no face fotos de danças, de grupos se apresentando, com momentos "mágicos" captados por fotógrafos profissionais. Porém muita coisa me chama atenção e me faz contestar muito sobre os rumos de nossas danças... não falo nada em sentidos de indumentárias, tipologia de "estilos", danças em si, etc... falo em personalidade e rumos "gauchamente" falando! Porque? Porque quase em todas essas fotos os peões estão se "arreganhando" rindo e sorrindo... mas pensa em "sorrindo"!

Onde quero chegar e me perguntar, no fim?

Imagino, nessa conclusão observatória, de que, de certo, era uma "maravilha" viver no tempo em que as danças (essas) existiam! Todos vivem e dançam alegres, com toda felicidade do mundo estampada na cara!

Nossas danças se iniciaram no RS a partir de 1617, quando os primeiros açorianos pisaram em nossa terra sulina (para ocupar um território missioneiro, de onde seriam tirados os índios e entregue a eles). Aí se iniciou nossa sociedade, nossos "bailes" e um motivo pra se dançar com "prendas". Porém as "maravilhas" sulinas não eram maravilhas. Os açorianos se restringiram ao litoral gaúcho (e catarinense), tendo por outro lado um forte avanço espanhol... e no meio guaranys e changueadores. Onde estava essa felicidade estampada no olhar do nosso homem do sul?

A posterior vieram os alemães, não recebendo terras e as promessas que se destinaram a eles. Se ocuparam de beiras de rios e encostas de morros, tendo que abrir picadas, derrubar matarias e criar suas colonias e plantações. Sem contar, bem depois, as vindas dos fugitivos das duas grandes guerras, onde as danças (de quarta gerações) já estavam se diminuindo... dando espaço para as danças enlaçadas, ditas de salão.

Com os Italianos o mesmo... tendo de abrir espaço já no mais alo dos morros, plantando suas colonias com garra em lugares nunca antes pensado em ser desbravado e colonizado... plantando e colhendo... e, por muito, também fugitivos dos confrontos europeus sempre ativos por lá!

Nossas danças e nossa cultura GAÚCHA (entende-se gaúcho no sentido original da palavra, e não como residentes e oriundos de determinado estado) é extremamente e unicamente rural... onde o trabalho não é para qualquer um e onde se identifica uma tipologia única, bem formada e montada pelo ligar onde vivem, com ligações fortes com a terra, a rudeza, a aspereza, a brutalidade, a falta de medo, e etc. Pessoas com calos nas mãos, com contato diário com rédeas, esporas, tentos, bocais, buçais, guitarras, fogo de chão, pais-de-fogos, picumãs... geralmente pessoas com olhar sisudo e quieto, gritando quando necessário, sabendo onde pisa e com quem anda, não se achicando para qualquer um, sempre peleador e de convicção no que lhe agrada... e porque não citar dos vícios, do "baio" (palheiro), da canha, de guitarras e cordeonas, e de bolichos e pulperias.



Alegria? Pode ser que sim... mas esse sorriso das fotos? Acho que nunca!

E quem disse que dança gaúcha é por consequência GERAL uma conquista entre homem e mulher? Porque ela não pode ser tratada como CULTO (como muito se fala na Argentina e no Uruguai)? Porque não cultuar nossas danças, em vez de tentar viver em um mundo de conto de fadas que nunca existiu, criando um personagem que nunca frequentou nossos planos e nossas serras?

(Hoje em dia daria risada de alguma conquista amorosa, se ela fosse tentada com um olhar e um "sorriso" desses! Imagina dentro de um ambiente rural e antigo!)

Não conseguimos acreditar em um meio (ou "movimento", independente do título) que crê que a cara deva mostrar o que ele estaria sentindo ao invés de sentir, por sim. Num meio onde "teatro" é mais importante que o gaúcho em si. Que se diz que tipo de rosto, cara, sentimento se deva ter em cada momento, ao invés de realmente se dançar com alma, sentir e transparecer isso a todos!

Em resumo: creio (como conversado no rodeio da Criúva com um amigo antigo, o Marcio Oliveira) de que há muito "peão de boate" em nossas danças, ao invés de se criar, se investor e de tornar nossos dançarinos mais do que isso... falta criarmos GAÚCHOS! Muitos não conseguem parar para olhar os grupos atuais nos palcos por não terem nada mais do que harmonia a acrescentar (nada mais do que qualquer grupo fora do tradicionalismo não tenha). Falta ensinarmos a eles quem fomos, como se trabalhava no campo, como é um gaúcho, como se fala no campo, de onde viemos e de como devemos ser! Falta personalidade sulina e gente gaúcha em nossas danças. Muito mais do que dança é o que temos que ter necessidade. Muito mais do que passos é o que nos acrescenta. harmonia e passos estudamos, olhamos,ensaiamos e temos! E o resto? E o que nos falta?

De certo... só pode ter sido maravilhosa a vida no sul entre 1600 e 1950, tendo nesse meio invasões, guerras, revoluções farroupilhas, revoluções civis, duas guerras mundiais, terras a ser desbravadas, ranchos de torrão, postos, estâncias gigantescas, sesmarias, tropeadas, tropeiros, mulas, cargueiros, e tanto mais!



Falta olhar gaúcho nos nossos jovens!

Falta ser do sul!
Falta culto!

Ainda bem que os meus me ensinaram diferente!

Abraços, Diego Muller


-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-



"La vida és uma milonga... y hay que saberla bailar!"

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O festival de chamamé...

 

...e o que o público precisa!!!

" (...) O público que assiste a um festival tem que assistir a um grande espetáculo, de danças, de visual tecnológico, de telões de cenas filmadas anteriormente, enfim... os organizadores de festivais tem que se reunir, debater e avançar. Tem que haver um movimento. O público de hoje tem a informação no colo, com os computadores, internet, técnologia. O público é exigente. (...) às vezes no final da premiação já não tem mais ninguém. O público já cansou. Acho que está é a caminhada deste movimento nativista!"



-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

Esse testemunho é de um dos maiores poetas da atualidade do nosso nativismo. Um homem do tempo antigo, artista, observador, que entende dos rumos que temos, tomamos e dos quais devemos seguir. Uma visão que dá saída para entregarmos com qualidade a nossa cultura a nosso público, motivo maior do qual os nossos eventos e festivais nativistas/culturais!


Seguido nos deparamos com eventos organizados sem pretensões maiores do que simplesmente "acontecer"... não sendo nada mais do que uma simples data num cronograma anual de agenda. A necessidade municipal seria apenas realiza-lo, ao invés de organizar algo com originalidade e com qualidade, ao invés de levar cultura (realmente) ao povo, integrando-o à arte em si, dando tecnologia (que hoje são ferramentas de transmissão e contato, das quais a maioria dos eventos não investe e ignora)... etc. Seguido nos deparamos com som precário, falta de público (por não receber novidades e atrativos no evento), locais precários, falta de camarins, falta de atenção (até grosseirismo de organizadores), falta de pagamentos, e tanto mais. Ou seja: uma desatenção enorme por parte dos órgãos com o que a cultura necessita (como elo de ligação artista-povo)! Pena!


Aí...
...em contraponto...

...Dá gosto de assistir aos shows do Festival nacional de chamamé (e festival de chamamé do mercosul), em Corrientes. Um evento regional, para o mundo. Leva o que a terra e o lugar tem de melhor e mais sagrado para longe e para altíssimos patamares. Realmente integra e dá valor ao público, principalmente. Enquanto aqui essa estrutura só vemos proporcional em "planetas atlântida" da vida! Aquele palco, aquele telão e aquela valorização qualifica qualquer apresentação... mantém o publico interessado... e integra o artista com qualificação... tanto da dança como da música e do canto!


Sem contar a integração cada vez mais forte com o RS, de tantos amigos e parceiros: Paulo De Freitas Mendonça (apresentando), Jorge Guedes, Pedro Ortaça, Luiz Carlos Borges, Elton Saldanha, João de Almeida Neto, Ernesto Fagundes e família Fagundes, Shana Muller, Alejandro Brittes (que bárbaro show chamigo)... e tantos e tantos amigos mais! Merecem esse palco mágico! ...e que palco!!!


Parabéns Corrientes (Taraguy chamiga), por nos acrescentar tanto de tua cultura e de tua terra colorada... por nos ensinar a como valorizar (de forma atualizada e moderna) nossa cultura sul-americana, que tanto apreciamos e somos parte!Parabéns por valorizar cada artista, como tal... e valorizar, principalmente, o público, tão distante hoje em dia das suas raízes mais profundas e terrunhas! Merece nosso aplauso mais sincero!

Em breve tô aí...
...com mais um lote de apaixonados por tua cultura...
...e "nuestro" chamamé!!!


-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

 
Fiesta Nacional del Chamamé 2015 - 2º Noche - Los de Imaguaré

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

 
Fiesta Nacional del Chamamé 2015 - 10º Noche - Ballet Folclórico Nacional
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-

 

Fiesta Nacional del Chamamé 2015 - 2º Noche - Jorge Guedes y família
 
 -x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
 
 
Fiesta Nacional del Chamamé 2015 - 8º Noche - Alejandro Brittes
 
"Y es que soñar hoy es una tarea que exige a gritos nuestro pueblo y es crear el clima para nuestra fiesta, digo espacios fraternos donde uno pueda Ser, se trata de pensar con amor en el encuentro y de ir sumando lo bueno lo que conozco y sé que es mío y tuyoPatrimonio nuestro, tierra, gente, cultura, historia, pan y fe... Y al mismo tiempo ir restando miserias, mentiras, injusticias, rencor y sus tristes dolorosas consecuencias... Así me reconcilio y sigo a mi país: A ésta mi patria hermosa, cuna de lo que somos, Tierra de nuestros padres, donde yo, ustedes mis hermanos... Fuimos todos amados, y vinimos al mundo por amor Y fuimos no sé cuantas, quien sabe cuántas veces perdonados traídos hacia el bien Y así nacimos y crecimos y vivimos siempre queriendo ser hermanos que es un modo de ser!!!"

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Raza vieja...

 
 
 

Frontera... de mi raza vieja... sin frontera!

I

Nos ventos o ancestral canta
– Dos tempos que nem vivi...
Mas que retornaram aqui,
Nas penas da geografia,
E pintou mi´a genealogia
Entre índios, castelhanos,
Mesclando afros e lusitanos
Por pampas e tolderias!

De um lado vinha Ceballos...
Do outro, Pinto Bandeira...
Era o tempo a riscar fronteira
No rumo dos seus encargos...
Esta é a herança que trago,
A marca que tenho e sinto,
Com dois idiomas distintos
Hablando de um mesmo pago!

E volto desde a Cispatlina,
Pra uma catedral vazia...
Gesta onde as Missões nascia
Com São Sepé e Ñanguiru...
E neste fado xirú,
Ante o mesmo sentimento,
A Colônia do Sacramento,
O charrua e o guaicurú!

Borges do Canto y Artigas...
Madariaga y Souza Neto...
Hijos del mismo dialecto:
De chiripá y de lloronas...
De tropillas cimarronas
En criollas montoneras
Trenzando pátrias camperas
Con guitarras y acordeonas...!

Lanzas e garrões de potro
Seguiram os rastos da raça,
Nos marcos que a história traça
Aos lenços que foram clarins,
Acordando dos confins
Gumercindo e Apparício
Quando lutar era ofício
Herdado de San Martín!

Com Atahualpa e Hidalgo...
Noel Guarany e Romildo Risso,
Guardo um legado mestiço
Que recebi en la pradera...
Tenho uma alma musiquera:
Um canto pampa e barbarucho...
Um universo gaúcho...
Y un corazón sin fronteras!

E são tantos Martins Fierros...
E são muitos Santos Vegas...
Um Facundo que nos chega
Entre quileros e chiberas...
...Se a fronteira tem bandeira
Levará a color da paz,
Mostrando que meu lugar
Nunca que pediu Fronteras!

II

...Por livre tornei-me gaucho
– Voz de sinas mal-domadas –
Riscando a pampa em patriadas,
No altar da gauchería...
No meu sangue a rebeldia,
No meu olhar as lonjuras,
Sorvendo a cor das planuras,
Mandando o mundo a la cria!

E pintaram o meu retrato
Con lanzas y chiripás,
Com gritos de ya-há-há-há
Sob a copa de um sombrero...
Mas nenhum brete ou potreiro,
Resteva ou cerca de pedra,
Pode domar essa regra
De andar – tal qual o Pampero!

Três pátrias trouxe comigo,
Na garupa dos cavalos,
Templando o sangue no embalo
De mangrulhos e garruchas...
– Eis o fado que nos puxa,
Moldado em tempos de guerra...
– Eis a herança desta terra,
Forjando a alma gaúcha!

Ao longe um rumor de tropa
– Cruzando rumbos y vientos –
Traz de tiro os sentimentos
De paisanos y peones...
Recuerdos de mil canciones,
Em madrugadas guerreiras:
Viejas milongas camperas
En rueda de los fogones!

São brados de Lavalleja,
De Rosas, Flores da Cunha...
Na sinfonia terrunha,
Que Hernandez compôs na pampa...
Um rapsodo se levanta,
Que es Fierro y es Viejo Pancho...
E neles a voz dos ranchos,
Nesta guitarra que os canta!

Não fui rei... nem fui escravo
– E mandado nunca serei...
Na noite mais negra eu sei
Achar minha própria luz...
E se jamais fui Jesus
Também não fui um Viscacha,
Pois redimiu minha raça
O brio de um Isidoro Cruz!

...Desse ancestral que eu fui
– Batizado na imensidade –
Me restou a liberdade,
Deusa que eu amo e me acalma...
Fulgor maior do que D’alva
Me dando lume e consolo
E pros velhos Quixotes criollos
Que ainda habitam minh’alma...

III

...E são estas coplas que eu canto
Um rastro nas sesmarias,
Campeando as mil toldoarias
Que abrigaram o meu povo...
Faltam tentos pra o retovo,
Mas sobram notas no pinho
Pra reafirmar meus caminhos
Aos filhos do vento novo!

Eu venho de um tempo antigo,
Eternizado na estampa,
Trazendo as eras de um pampa,
Que faz do verso um portal...
Sarmiento, em meu funeral,
Pensou que a morte se fez...
Mas renasci a cada vez
– Pois minha raça é imortal!

Tinidos de ferro branco
Pelas vanguardas lanceiras,
Ante os brados das fileiras
Das guardas de Canabarro...
É a epopéia em que esbarro,
Dos Mitres, Rocas, Riveras,
Em gestas de montoneras
Forjados no mesmo barro!

Nasci assim... e assim sou,
Mescla de terra e raiz...
História que eu mesmo fiz,
Contada à luz de fogones...
Sembrada en muchas canciones
De mi raza... caminando
Y, si es preciso, peleando...
– Hasta con perros cimarrones!

Vi Garibaldi carreteando,
Desde a lagoa até o mar...
Vi Zitarrosa cantar
E Deus quedarse escuchando...
Vi Saint Hilaire cruzando,
Relatando – como eu faço –
Tempos de lança e de laço,
De arriadas e contrabandos!

Por isso meu canto é Cifra,
Es Vidala, é Serranera...
Alguna Zamba Carpera...
Y un Pericón, tan bagual...
E se fosse um país ideal
– que em minha alma se alonga –
Seria, ao certo, a Milonga
O nosso hino nacional!

...Assim desfaço os limites
Que eu mesmo ajudei fazer
– Uma ave sem se prender
Nas grades de uma bandeira...
Sou gaucho, e a vida campeira
Corre em meu sangue sulino...
E ainda sonho o destino
De un pueblo só – sin fronteras!!!




Diego Müller/Martím César Gonçalves/ José João Sampaio da Silva

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-



"O que a minha Pátria não puder fazer por mim eu farei por ela...
Tenho certeza que ela terá orgulho de mim...
...E eu serei cada vez mais Gaúcho!!!"

(Rogério Villagran)


domingo, 18 de janeiro de 2015

Cesária Évora...

 

CESÁRIA ÉVORA
(Mindelo, 27 de agosto de 1941 — Mindelo, 17 de dezembro de 2011)

Foi a cantora de maior reconhecimento internacional de toda história da música popular africana, cabo-verdiana. Apesar de ser sucedida em diversos outros géneros musicais, Cesária Évora foi maioritariamente relacionada com a morna, por isso também foi por vezes apelidada "rainha da morna" . Era conhecida como a diva dos pés descalços.

Cesária Évora tinha quatro irmãos. O pai Justino da Cruz tocava cavaquinho, violão e violino. Quando jovem foi viver com a avó, que havia sido educada por freiras, e assim acabou passando por uma experiência que a ensinou a desconsiderar a moralidade excessivamente severa.

Entre os amigos estava B. Leza, o compositor favorito dos cabo-verdianos, que faleceu quando ela tinha apenas sete anos de idade. Desde cedo, Cize, como era conhecida pelos amigos, começou a cantar e a apresentar-se aos domingos na praça principal da cidade, acompanhada pelo irmão Lela, no saxofone. Mas a vida está intrinsecamente ligada ao bairro do Lombo, nas imediações do quartel do exército português, onde cantou com compositores como Gregório Gonçalves. Aos 16 anos, Cesária começou a cantar em bares e hotéis e, com a ajuda de alguns músicos locais, ganhou maior notoriedade em Cabo Verde, sendo proclamada a "Rainha da Morna" pelos fãs. Aos vinte anos foi convidada a trabalhar como cantora para o Congelo - companhia de pesca criada por capital local e português -, recebendo conforme as actuações que fazia.


Em 1975, ano em que Cabo Verde conquistou a independência, Cesária, frustrada por questões pessoais e financeiras, aliadas à dificuldade económica e política do jovem país, deixou de cantar para sustentar a família. Durante este período, que se prolongou por dez anos, Cesária teve de lutar contra o alcoolismo. Igualmente, Cesária chamou a esse período de tempo, os Dark Years. Encorajada por Bana (cantor e empresário cabo-verdiano radicado em Portugal), Cesária Évora voltou a cantar, atuando em Portugal. Em Cabo Verde um francês chamado José da Silva persuadiu-a a ir para Paris e lá acabou por gravar um novo álbum em 1988 "La diva aux pieds nus" (A diva dos pés descalços) - que é como se apresenta nos palcos. Este álbum foi aclamado pela crítica, levando-a a iniciar a gravação do álbum "Miss Perfumado" (1992).

Desde então fixou residência na capital francesa. Cesária tornou-se uma estrela internacional aos 47 anos de idade. Em 2004 conquistou um prémio Grammy de melhor álbum de world music contemporânea. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, distinguiu-a, em 2009, com a medalha da Legião de Honra entregue pela ministra da Cultura francesa Christine Albanel. Em setembro de 2011, depois de cancelar um conjunto de concertos por se encontrar muito debilitada, a editora, Lusafrica, anunciou que a cantora pôs um ponto final na longa carreira.

Morreu no dia 17 de dezembro de 2011, com 70 anos, por "insuficiência cardiorrespiratória aguda e tensão cardíaca elevada".



Os seus olhos cantam. São irmãos desavindos - quando um chora, o outro sorri. Morna e coladeira na esquina do mesmo olhar. Sempre foi assim, nos dias de sombra e nos de luz também. Há um brilho especial que ilumina o seu caminho. Já assim era nos tempos em que soltava a voz numa qualquer tasca da cidade do Mindelo, a troco de um cálice de grogue. Continua assim, agora que avança com passos tão pesados quanto triunfantes, por alguns dos mais importantes palcos deste mundo. "A tristeza e a alegria são vizinhas", deixa escapar com desconcertante ingenuidade. Sem dar conta, de um sopro, Cesária Évora resume os seus sessenta anos de vida. Uma simples frase explica a música que lhe corre nas veias. Morna e coladeira, tristeza e alegria. Música e sentimento - essências de uma mulher nascida com a voz num véu de ternura. Sina de uma vida feita história, que começa com "era uma vez". Era uma vez uma ilha, uma cara esculpida na rocha, o Porto Grande a abarrotar de navios, um imenso azul a embalar sonhos impossíveis. O querer ficar mas ter de partir. A miséria.

E uma criança a beber os acordes do violino no aconchego do pai: "Quando eu era uma asneira jeito de dizer criança ele começava a tocar e metia-me entre as suas pernas. Então, eu cantava uns disparates. Não me passava pela cabeça que viria a cantar a sério." Mas a avó, educada por freiras, viu nesta cena a antecâmara do milagre que, anos mais tarde, viria a realizar-se: "Disse-me que eu tinha nascido para cantar." Aos sete anos a vida ensina-lhe a primeira de muitas lições. A morna, com o seu pulsar lento e triste, não é só saudade. É mágoa, lamento. É sofrimento. E é amor. Foi no dia em que o som do violino se apagou. Justino da Cruz Évora - Djute para os amigos - morreu, deixando instrumentos de música e cinco filhos para criar. Deixa também B. Leza, o primo, o amigo, o companheiro de tocatinas. O poeta paralítico torna-se então uma espécie de pai para Cesária: "Eu ainda era uma rapariguinha e costumava ir a sua casa." É ele quem lhe ensina que a morna é uma segunda pele. Cesária - Cize como é conhecida nas ruas do Mindelo, sua cidade natal - bebe os acordes do mestre, olhos arregalados, coração a saltitar na ponta da língua. Fica com o olhar embevecido, lábios embebidos nos poemas de B. Leza. Cruza a juventude a trautear a doce melodia de "Lua Nha Testemunha" e "Miss Perfumado". Mas são tempos difíceis.


Cresce no Mindelo, à beira do Lombo - bairro mal-afamado, terra de rufias e prostitutas. "A minha mãe era cozinheira. Quando eu tinha dez anos, ela trabalhava para a D. Maria Emília Fonseca, que era directora do orfanato. Um dia, a minha mãe pediu-lhe para me arranjar um lugar." Porém, o feitio de Cesária não se verga à rigidez do lar: "Só lá estive três anos, saturei-me." Mal respira a liberdade, enceta uma vida normal: "Ajudava em casa e dava os meus passeios." É numa dessas voltas que conhece o primeiro grande amor da sua vida - Eduardo de João Chalino, marinheiro e tocador de violão. Na frescura dos seus dezasseis anos, Cize passa a acompanhá-lo nas paródias. "Fazíamos serenatas por tudo e por nada. Era só alguém dizer ‘vamos fazer uma serenata a fulano ou a fulana’ e pronto. Às vezes, já vínhamos de algum bar e era só aproveitar a embalagem." Ainda não tinha os vícios da noite - não fumava e só bebia gasosa. Limitava-se a acompanhar o seu príncipe e a sussurrar as mornas que lhe enchiam a alma. Uma bela noite, ele descobre-lhe a pureza da voz. Que ela, tímida, teimava em esconder entre duas afinações do violão. "Comecei a cantar algumas das mornas que o Morgadinho tinha feito na Guiné. Eles estavam a ouvir mas não diziam nada. Depois, o Eduardo voltou-se para mim e disse: ‘Abre a voz e canta! Tens uma voz tão bonita e estás aqui a cantar baixinho’. Levantei a voz e ele disse: ‘Estão a ver, esta menina tem uma voz maravilhosa’."

A notícia correu mais depressa que gazela. Num abrir e fechar de olhos, o Mindelo ficou a saber que a voz da menina estrábica tinha coração, alma e magia. Que o seu timbre adocicado encantava a madrugada, enfeitiçava até a mais espessa escuridão. Cize transformou-se na princesa das serenatas. Como ainda acontece, cantava por prazer. Bastava-lhe um pouco de grogue para olear as suas delicadas cordas vocais. A pouco e pouco, começou a embrenhar-se nas teias do álcool. Talvez por isso a sua voz tenha envelhecido suave como uma boa aguardente de Santo Antão. Já não bebe, mas a sua voz continua a inebriar o mundo. Das serenatas ao vinil foi um passo de pé descalço. "O Frank Cavaquinho foi quem fez a gravação. Era eu, o Luís Rendall, e parece-me que o seu filho, o John Rendall, também participou. E outros ainda cujos nomes já não me recordo. Não me pagaram nem aos outros músicos." Mas o pior ainda estava para vir. "Um dia estava a passar em frente à montra da loja do senhor Benvindo, em plena Rua de Lisboa, quando ouvi a minha voz. Fiquei espantada."


"O Frank Cavaquinho nem sequer me ofereceu um exemplar para ficar com uma recordação.» Cesária, coração de algodão, não se deixou contaminar. Novo disco, nova desilusão. "O segundo foi com o João Mimoso, aquele comerciante de São Vicente. Também gravámos para ele e nada. Nunca vi um escudo." A tristeza é um lugar estranho. Sentimento que consome sonhos, enterra ilusões. Alimenta-se de solidão. Não raras vezes, caminha de braço dado com o álcool. Nos quase onze anos que passa sem cantar, o grogue torna-se o melhor amigo de Cesária. Nos quase onze anos em que, desiludida, esconde a voz, refugia-se do mundo e tranca-se em casa da mãe, Dona Joana, com os filhos. "Tenho um rapaz, o Eduardo, que é filho de um português, e a Fernanda, que tive com o Piduquinha, que em tempos jogou futebol no Caldas da Rainha." Como ela própria diz, um e outro são fruto "daqueles amorzinhos de juventude que não me trouxeram sorte". Ainda assim, não cultiva rancores nem dá folga a ressentimentos. Tão-pouco ao tropa português, que a engravidou ainda na juventude. "Não sei se está vivo ou morto. Deixou-me com aquele menino no ventre e nunca mais disse nada." A fortaleza familiar é pilar seguro. Cize encontra ânimo para continuar a acreditar. O regresso aos palcos e aos discos acontece em 1985. Tudo graças a um convite da Organização das Mulheres do antigo partido único - o PAICV. Às vezes, há duas sem três - dessa feita, à conta da intervenção do então primeiro-ministro Pedro Pires, consegue receber: "Falei com a sua cunhada, a Arcília, e ela marcou uma audiência com ele. Contei-lhe a história e ele pôs-me em contacto com a secretária-geral da OMCV. Fui a um encontro com ela e ela disse: ‘É quanto?’, e eu respondi: ‘São cinquenta contos’. Ela passou-me um cheque. Talvez se tivesse pedido mais, teriam dado."




SODADE

Quem mostra' bo
Ess caminho longe?
Quem mostra' bo
Ess caminho longe?
Ess caminho
Pa São Tomé...

Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra Sao Nicolau...

Si bô 'screvê' me
'M ta 'screvê be
Si bô 'squecê me
'M ta 'squecê be
Até dia
Qui bô volta...

Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra Sao Nicolau...


-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-


"Rêza pa mim nha cretcheu... Scuta por Deus esse nha dor...
Imagem doce di nha vida... Jam crê morá na bô peito...
Pa consola'm esse nha dor!..."

(Cesária Évora)

Cultura popular...

 



"Existe grande incompreensão, como se a cultura popular fosse obrigada a ter um elitismo, uma erudição para ter o seu valor. O povo também tem o direito de escolher, e não alguém a pretensão de impor a ele o que acha ser o direito, ser o melhor. E este é um ponto de vista conflitante com os críticos (...) mas que o povo não canta, não dança. (...) ou será que esse grupo humano (mais simples e rural) não faz parte da grande sociedade? Vamos roubar-lhe a liberdade de manifestação expontânea, do que lhe agrada, o que lhe toca mais de perto, no seu interior, dentro do mundo sócio-econômico cultural em que vive? Talvez o problema é saber descobri-la, avaliá-la e valorizá-la!"

João Carlos Paixão Côrtes

Entrevista com Paixão Côrtes





-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-




“...Seguiemos hoy (...) creyendo que es tarea fundamental ocuparse del gaucho. Porque queríamos, y queremos, una imagen real suya, no un figurón literario o un trozo de carniza disecada por el escalpelo despiadado de un pretendido 'revisionismo' que le considera 'mito' o 'bestia negra'... imagen real para contemplar, estudiar y amar, como ser de nosotros mismos, aunque puedan dolernos los ojos en su contemplación, más que por sus fulgores, tal ves por sus carencias y sus anónimos heroísmos. Buscamos encontrar sustancia cálida y auténtica, ni aserrín, ni polvo de huesos. El alma misma de la nacionalidad. Porque estudiar el gaucho ES COMO PONER LA MANO EN EL PECHO ABIERTO DE LA PATRIA, y palpar, sentir en vivo y caliente, el proprio LATIDO DE SU CORAZÓN!”
(Fernando Assunção - Uruguai)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Tão bela flor queromana...

 
 
Ritmo: Valsa

Letra: Diego Müller e Leonardo Borges
Melodia: Luiz Cardoso
Interpretação: Luiz Cardoso

Tão bela flor – Queromana – daquele rancho barreado,
De onde eu cruzo com as “tropa”... e me sinto todo arrepiado!...
– Olhar de fronte ao destino, na moldura da janela,
Com floradas no vestido... onde tu é a flor mais bela!

Fiz um verso que as estradas consumiram, junto aos ventos...
...Querendo assim te lembrar, no mais guapo sentimento!...
– Tinha algo de tempo antigo, nada dos versos de agora:
Com aura de campo largo e um fulgor de linda aurora!...

Tão bela flor – Queromana – Queromana, lá de fora...
Traz olhares de lua cheia, das que sai e se “ademora”!...
Pele clara – alma de sanga – bergamota junto aos lábios:
Calmaria e tempestade na cacimba dos ressábios!

Até sonhei com un pichón, em chanzas junto ao terreiro,
Com um cavalinho-de-pau, que pensa que é um baio oveiro!...
– Mas nunca disse o que penso, falta coragem templada...
...Queria um baile-de-rancho pra te pedir: namorada!

Tão bela flor – Queromana – tão bela flor, é verdade...
Quem sabe teu sonho moço adoce a minha ansiedade!?...
– O meu flete pensamento se aquerenciou junto a ti,
Desde a vez que um buenas tardes dos teus lábios recebi!

E dos versos que componho, sobre as horas de arreio,
Vou moldando do meu jeito a cada volta que apeio!...
...Algum dia de sol manso – depois de redemoneado –
Te entrego, pra o teu capricho, bem sujeito... e arrocinado!!!

 
 
Vigília do canto gaúcho - Cachoeira do Sul/RS - 2013
 
 
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
 
 
Incrível como é a dança!!!

A dança reflete o que cada um é...

...Na dança ninguém se esconde:
- A dança não mente, define!
- A dança não incrementa, revela!

Se olharmos com calma, conseguimos decifrar cada um (de qualquer grupo) olhando o que faz em palco e como dança:
se é tímido, se é solto, se é extrovertido, se é técnico, se é mecânico, se é "pachola", inseguro, dependente, independente, etc e etc.
A dança reflete a personalidade de cada um, sem saber!

Por isso não se fala em dança... o que ela proporciona e nos traz levamos em conta em palco... é visual!

Faça de cada palco um espetáculo de definição a quem assiste...
...e se sinta bem antes, durante e após ele!
Dançarinos são guerreiros... e merecem!

Cada um tem seus vícios e "suas vidas!...
...e esse não se larga!
 
 
"A vida é uma sucessão de sucessos e insucessos...
...que se sucedem sucessivamente...
...sem cessar!"

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

As raízes...


...e o que somos!



Não é por nada que quando comentamos das coisas que nos fizeram e de onde viemos as chamamos de "RAÍZES"...

*Obs.: A raiz é o órgão de uma planta que normalmente se encontra abaixo da superfície do solo.

Tem nas suas funções principais, a de servir como meio de fixação ao solo e de ser como órgão absorvente de água e sobrevivência:
sustentação física sustentação vital, resumindo.

Nossa cultura e nossas coisas, lugares e aprendizados, são assim também...
...muito assim!
...servem de base FÍSICA (nos sustentando e nos ajudando) e são nossas bases de SOBREVIVÊNCIA (espirituais: das quais sem elas não somos nada)....
...e ainda, comentando de maneira mais poética, até podemos dizer:
nos ligam com a terra...
...e acho que, pra mim, não é nada por acaso!

Portanto...
...para se desligar das raízes próprias...
...só as cortando!

- Mas, aos que seguem esse rumo, digo:
se nos desligarmos das raízes nossas, não somos nada...
e morremos!!!
...somos ninguém!

E assim vamos...
...entendendo e exaltando a isso!



-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-



"Mude suas opiniões, mantenha seus princípios...
Troque suas folhas, mantenha suas raízes!"

Victor Hugo
 

O tempo...

...como construtor!


O tempo nos molda e nos traça dentro do que ele mesmo acha interessante para cada indivíduo!

Com o passar do próprio tempo, nesses ambientes e culturas que avistamos, dia a dia, enquanto somos transformados em homens, passamos a nos tornar entendedores e parte integrante deles. As vezes nos distanciamos do que nos fez e nos viu amadurecer... aprendemos novos rumos... cruzamos novas porteiras.... bebemos os ares de novos mundos... nos deslumbramos com o novo e no potencial com que ele despeja em nosso ego e no nosso conhecimento (...aprender, aprendemos... claro)!...

No más, mais adiante olhamos para trás...

...nos damos conta da pouca luz... e avistamos, então, uma estrela que existia em cima de si, somente naquele local, somente naquela cultura e naquele povo que te via como parte integrante do que te fez e te defendeu!... você vê que era (e é, talvez) a bandeira daquele folclore que te esboçou... que em vez de parte integrante, a lança agora troca de mão e é você quem deve empunha-la como defensor e escudo de um tempo!

No fim das contas, sempre, olhamos para trás... vemos de onde viemos... entendemos quem somos realmente (mesmo aprendendo o que o novo lhe dá)... e, principalmente, entendemos que não se foge de maneira alguma do lugar onde você realmente é alguma coisa!

Até podemos tentar mudar nossos métodos, gostos e ambientes...podemos até querer deixar o que fomos de lado!... mas...

...O que você é não te abandona... por mais que você abandone o que você é!!!

Ande, olhe, leia e aprenda...
...e no fim de tudo, o que sobrar do que você esqueceu, de tudo isso:

ESSE É VOCÊ!!!


VALOR – é a melhor palavra
Pra definir cada ser:
Uns cheio de aprendizados
E outros tanto pra aprender!...

Mas eu só peço o que a estrada
Achar no que bem mereço...
– Enquanto uns tem VALORES,
Outros apenas tem PREÇO!

Meus VALORES são tão simples,
Pelo tempo desenhados...
- Se eu cambiar o nome deles
Os chamo de aprendizados!...

Uns, forjados na alegria...
Outros, abaixo das dores...
– Mas cada um dá bem VALOR
Ao que espelha os seus VALORES!


-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-



"É fato: Os pássaros de mesma plumagem
procuram voar juntos!!!"

Martím César