Por DIEGO MÜLLER

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Deserto verde...

...e o eucalipto!


A expressão deserto verde é utilizada pelos ambientalistas para designar a monocultura de árvores em grandes extensões de terra para a produção de celulose, devido aos efeitos que esta monocultura causa ao meio ambiente. As árvores mais utilizadas para este cultivo são sobretudo o eucalipto, pinus e acácia.
Impactos sócio-ambientais da monocultura extensiva de árvores
Os impactos sócio-ambientais aqui citados referem-se à condição de plantio de árvores produtoras de celulose em regime de monocultura extensiva. A intensidade destes impactos depende das condições ambientais anteriores ao plantio, da espécie de árvore a ser plantada e da extensão da área de cultivo. De modo geral, pode-se inferir os riscos de:

Desertificação das regiões plantadas: por serem árvores de crescimento rápido, há grande absorção de água, podendo levar ao secamento das nascentes e exaustão de mananciais de água subterrânea, afetando seriamente os recursos hídricos locais. Estudos apontam que no Espírito Santo 130 córregos      secaram após a introdução da monocultura no estado, o que impacta nas comunidades que vivem nas regiões vizinhas.
Prejuízo aos solos: como toda monocultura, há exaustão dos solos, o que inviabiliza outras culturas. Além disto, o solo fica exposto durante dois anos após o plantio e dois anos após a colheita, facilitando a erosão.
Redução da biodiversidade: a alteração do habitat de muitos animais faz com que nas regiões de monocultura de árvores só haja formigas e caturritas.
Concentração de terras: para produzir em grandes extensões, as terras são adquiridas aos agricultores, que se deslocam da região gerando um vazio populacional, associado ao êxodo rural.
Pouca geração de empregos: as monoculturas são altamente mecanizadas.
Desmatamento: no Brasil, a associação do eucalipto como alimento aos fornos das siderúrgicas tem induzido o desmatamento nas regiões vizinhas a estas indústrias.


O termo deserto então provém tanto do efeito de deertificação e erosão dos solos quanto do vazio em biodiversidade e em populações humanas encontrado nas regiões de cultivo. Para mitigar estes efeitos, alguns especialistas propõem o plantio de outras espécies vegetais entre corredores dedicados ao plantio de árvores produtoras de celulose. Entretanto, as empresas resistem à aplicação de tal técnica, pois sua meta é maximizar os lucros. Outros cientistas propõem a pesquisa com espécies nativas para produção de celulose. Segundo eles, tais espécies seriam menos danosas ao meio-ambiente.

O plantio do eucalipto vem se expandindo cada vez mais em nosso país, devido à grande rentabilidade que é capaz de gerar. O presente trabalho tem por objetivo fazer uma breve análise crítica desta cultura, citando e explicando o conceito de deserto verde bem como de monocultura. Explicitamos ainda alguns usos para a madeira do eucalipto, como demonstra um gráfico do ano de 2005 para ilustrar o mesmo. Buscamos deixar claro alguns impactos causados por esta monocultura, bem como deixamos também um espaço para a análise do ponto de vista das empresas que fazem uso do eucalipto, citando o exemplo da Aracruz.
Palavras-Chave: eucalipto, deserto verde, Aracruz, monocultura, celulose.


O EUCALIPTO
O presente texto tem por objetivo fazer uma breve análise da monocultura em larga escala de eucalipto, uma prática que vêm se tornando cada vez mais freqüente em nosso país, dada que a rentabilidade dessa prática é altamente lucrativa, principalmente para as grandes empresas que atuam no setor de produção de celulose, exploração da madeira para a fabricação de móveis, bem como sua utilização como lenha ou para produção do carvão vegetal.
Buscamos também fazer uma breve crítica a essa prática por meio da análise de alguns impactos negativos causados por essa cultura, tanto no âmbito econômico, como no social e também no cultural. Ainda tentamos descrever o que dizem as empresas que exploram a madeira para os diversos usos citados, dando a oportunidade de se analisar e tirar suas próprias conclusões sobre o estudo, não se esquecendo, porém que a nossa opinião tende mais para o lado da crítica negativa de tal atividade.
Vamos também, tentar analisar o porque do uso do termo “deserto verde” para designar as grandes plantações do eucalipto, suas implicações, possíveis problemas causados e o porque esse termo tem sido cada vez utilizado com mais freqüência, principalmente pela nossa mídia.


A MONOCULTURA E O DESERTO VERDE
O eucalipto é uma planta originária principalmente da Austrália e do continente da Oceania, embora algumas raras espécies sejam de ilhas como Nova Guiné e Timor, além das Ilhas Moluscas (ANDRADE, 1918, p. 3). Sua implantação em outras áreas se deu somente no século XIX, começando pela Europa, passando pelos Estados Unidos e finalmente chegando ao Brasil por meio do Sr. Frederico de Albuquerque, no ano de 1968, no estado do Rio Grande do Sul (ANDRADE, 1918, p.4). Um dos maiores propagadores da espécie pelo país foi A. Pereira da Fonseca, realizando grandes plantações no estado do Rio de Janeiro, com variadas espécies do gênero eucalyptus (ANDRADE, 1918, p.4).
A planta começou a ser amplamente utilizada depois da descoberta de seu valor econômico, e hoje é utilizada como principal fonte de alimentação da indústria da celulose no Brasil, o que acaba por ocasionar grandes discussões e até mesmo conflitos entre proprietários de terras plantadas com o eucalipto e a grande massa de militantes sem-terra. Uma das grandes vantagens do eucalipto e sua rápida difusão, é o fato de a planta ser capaz de se adaptar aos mais diversos tipos de climas, desde locais quentes e secos, como os deserto australianos, à climas muito úmidos e frios, como na Escócia.
O termo deserto verde vem ganhando um grande destaque na mídia, tanto no âmbito nacional quanto no internacional, devido à grande repercussão que tem causado os atritos que envolvem esse termo. Mas o que afinal define “deserto verde”?


A expressão deserto verde é utilizada pelos ambientalistas para designar a monocultura de árvores em grandes extensões de terra para a produção de celulose, devido aos efeitos que esta monocultura causa ao meio ambiente. As árvores mais utilizadas para este cultivo são sobretudo o eucalipto, pinus e acácia 
(MEIRELLES, 2006).
Grande parte desta discussão se deve ao fato de as terras utilizadas para o cultivo de monoculturas em larga escala, não atingirem um grande contingente de mão-de-obra humana, já que grande parte destas propriedades são altamente mecanizadas, e quando há o emprego de mão-de-obra esta não é devidamente remunerada. Outro fator que tem importância nessa discussão é o fato dessas culturas serem capazes de absorver enormes quantidades de água, podendo até mesmo ressecar rios e outras fontes hídricas existentes no entorno dessas grandes plantações. Como exemplo disso pode ser citado o estado do Espírito Santo, que segundo Daniela Meirelles Dias de Carvalho, geógrafa e técnica da Fase, organização não-governamental que atua na área sócio-ambiental, só no norte do Espírito Santo já secaram mais de 130 córregos depois que o eucalipto foi introduzido na região.


Derrubada de Eucalipto 
Fonte: http://www.rel-uita.org/agricultura/ambiente/fotos/eucalipto-300.jpg
Este problema é relativamente recente na história brasileira, levando-se em conta que a espécie Eucalyptus não é nativa de nosso país, e tem sido trazida em grande escala para o Brasil com o intuito de ser uma rentável e enorme fonte de recursos, provindos especialmente da exportação da celulose, já que os principais fins para o eucalipto são a indústria moveleira, a indústria de celulose a utilização como carvão vegetal e também como lenha. O gráfico abaixo demonstra como é utilizada a madeira proveniente do eucalipto no Brasil:


IMPACTOS NEGATIVOS
Uma série de problemas são gerados devido à exploração de eucalipto em grandes áreas, dentre as quais se destacam as indicadas abaixo:
• Desertificação do clima e de solo: as grandes florestas como as de eucalipto necessitam de uma enorme quantidade de água, para se ter uma idéia, segundo a matéria Deserto Verde (Disponível em: . Acesso em: 10 de novembro de 2008.), cada pé de eucalipto necessita, para crescer satisfatoriamente, levando-se em conta o rendimento econômico, de aproximadamente 30 litros de água por dia, o que acaba gerando um grande déficit hídrico nas regiões onde são cultivados, gerando assim certa desertificação da região. Esse é um grave problema, já que muitas plantações são realizadas às beiras de córregos e nascentes de rios, o que acaba por ressecar o solo, como já foi acima explicitado, tomando-se como exemplo o caso da região norte do Espírito Santo;
• Ressecamento do solo e uma maior exposição à erosão: como o eucalipto está sendo plantado visando-se unicamente uma maior viabilidade econômica possível, depois de alguns anos a plantação é cortada, deixando o solo empobrecido e exposto a erosão, causando enormes impactos ambientais na região onde estava sendo cultivada a floresta. Outro problema é que, para se tentar recuperar áreas tão degradadas como essas, são gastas enormes quantias de dinheiro por parte das autoridades competentes;
• Diminuição da biodiversidade: como acima citado, as florestas de eucalipto são cultivadas priorizando somente um retorno econômico. Assim sendo, não são cultivadas juntamente outras espécies de vegetais, o que diminui a diversidade vegetal da região de floresta, já que a mesma também impede que gramíneas e pequenos arbustos cresçam e se desenvolvam, embora quando estejam pequenas, as árvores do eucalipto, não forneçam um bloqueio radiação solar como quando estão grandes. Outro problema é a falta da diversidade da fauna, já que os únicos animais que conseguem sobreviver nesses tipos de florestas são “formigas e caturritas (aves predadoras de lavouras que usam as árvores de eucalipto como abrigo, mas não se alimentam delas)” (QUADRO: impactos da monocultura do eucalipto. Disponível em . Acesso em: 27 de outubro de 2008.);
• Especialização da atividade produtiva: esse problema se deve ao fato de o cultivo de grandes áreas de eucalipto serem dedicadas somente à monocultura e altamente especializada, gerando um grande desemprego em algumas regiões, que chegam até mesmo a perderem suas características culturais, como por exemplo, cita PEREIRA (2006) em um artigo sobre o cultivo de monoculturas na região sul do Rio Grande do Sul, onde cita que:  o avanço da monocultura de eucalipto na metade sul do Rio Grande do Sul deve gerar a ruptura de duas tradições produtivas: a pecuária, realizada principalmente nos latifúndios, e a produção da agricultura de subsistência, realizada nos interstícios das grandes propriedades.


Esse problema pode acabar por gerar um grande impacto social naquela região, que tem como uma das características peculiares a perpetuação de sua cultura, contando inclusive com centros especializados nessa atividade, como por exemplo, os CTG’s (Centro de Tradição Gaúcha). Quando se analisam dados referentes ao emprego de mão-de-obra na plantação de eucaliptos, comparando-a com outros ramos de atividades, chega-se a uma enorme diferenciação. Por exemplo, enquanto para se gerar um emprego no setor de comércios no Brasil, em 2006, segunda PEREIRA (2006, p.11), são gatos cerca de US$ 30.000,00, um emprego no cultivo do eucalipto pode chegar a exigir um investimento de até US$ 3,75 milhões, pela indústria VERACEL. Essa disparidade causa grande indignação por parte de organizações não-governamentais que lutam por direitos trabalhistas, ainda mais quando se é levado em conta a atual situação do emprego no Brasil e a grande diferenciação na qual vivemos.

• Transformação da paisagem: algumas áreas de plantação de eucalipto atingem regiões de ecossistemas em risco, o que acaba transformando a paisagem do local, perdendo estas características peculiares de como já citado, também parte de sua tradição. Estes ecossistemas estão sendo muito ameaçados, já que o poderio econômico de empresas como a Aracruz Celulose, acaba transformando a paisagem natural das regiões de cultivo.
Como um exemplo de estudo de caso, temos um artigo elaborado por PEREIRA (2006, p. 11-12), no qual o autor cita algumas críticas relacionadas à implantação da monocultura do eucalipto da região Sul do estado do Rio Grande do Sul, dentre elas:
• Problemas ambientais;
• Concentração da terra, com expulsão imediata dos agricultores que as venderam. O que mostra que as empresas não querem ficar dependentes de parcerias;
• É mais um obstáculo à reforma agrária naquela região;
• Modelo de concentração da terra, de capital e da renda;
• Modelo exportador, cujos impostos já estão todos desonerados pela lei Kandir, contribuindo muito pouco para os cofres públicos dos municípios e do Estado;
• Não gera emprego;
• Gera vazios populacionais;
• O plantio de culturas anuais em consórcio, com o eucalipto, apregoado pelas empresas, só é possível nos dois primeiros anos, pois nos anos subseqüentes a competição por luz, água e nutrientes, inviabiliza as culturas anuais, e finalmente;
• Os investimentos nas grandes fábricas de celulose estão desvinculados da matriz produtiva já existente, instalada na região.
Essas críticas são defendidas pelos trabalhadores da região sul do estado do Rio Grande do Sul, contando inclusive com o apoio de membros das bancadas na Assembléia Legislativa do estado.


Polêmica no Rio Grande do Sul
De acordo com Mora e Garcia (2000), o eucalipto foi introduzido no Brasil em 1904, sendo utilizado inicialmente como matéria-prima de produção de lenhas e dormentes no estado de São Paulo e depois estendendo-se para o Centro e Sul do país. Ainda segundo estes autores: “O setor florestal brasileiro mantém hoje cerca de 4,8 milhões de hectares de plantações florestais de rápido crescimento em regime de produção. São cerca de 3 milhões de hectares reflorestados com eucaliptos e 1,8 milhão de hectares com pinus [...]. Outras espécies, como a araucária, acácia negra e teca também são plantadas comercialmente, porém em menores proporções” (MORA; GARCIA, 2000, p.16). A figura 1 exemplifica a distribuição das plantações de eucalipto ao redor do mundo em 1998. De acordo com Mora e Garcia (2000), nessa época o Brasil possuía área plantada bem reduzida em relação à sua área total.

Figura 1: Distribuição em percentagem das plantações de eucalipto no mundo, 
no ano de 1998.

Fonte: Flynn e Associates, 1999 apud Moura e Garcia, 2000, p.15.
No Rio Grande do Sul, de acordo com Binkowski (2009), no início de 2004 o governo do estado começou uma política pública para atrair empresas do setor florestal, objetivando expandir a produção florestal e desenvolver a região da ‘Metade Sul’2 do estado. No início de 2005:  “[...] tais empresas iniciaram os primeiros investimentos através de compras e arrendamento de terras, efetuaram também os primeiros plantios de eucalipto em novas áreas; ainda existia a previsão de construção de duas fábricas de celulose, além da duplicação da fábrica já existente no RS. Na ótica do Estado essa política florestal iria reerguer a economia estadual” (BINKOWSKI, 2009, p.20). Desde então, uma polêmica em torno deste assunto começou no Rio Grande do Sul, uma vez que as plantações estariam sendo direcionadas para a área do bioma campos sulinos, que tem grande importância na biodiversidade do Rio Grande do Sul. Conforme o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA), os campos do Rio Grande do Sul são denominados de maneira genérica de pampa. Segundo o engenheiro agrônomo Carlos Nabinger, em entrevista à reportagem especial “Eucalipto vai invadir o Pampa”, do Jornal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), “a cobertura vegetal do pampa tem mais de três mil espécies, 450 delas são gramíneas e podem servir de forragem e 150 são leguminosas. Elas sustentam 90 espécies de mamíferos nativos e mais de 100 espécies de aves.” (Jornal da Universidade, 2007, p.9). A polêmica girava em torno de que alguns setores da sociedade afirmavam que a silvicultura certamente provocaria danos aos campos sulinos, enquanto que as empresas defendiam os ganhos sociais de tais empreendimentos. Assim, segundo Binkowski (2009): “formou-se um cenário complexo em torno da questão da expansão da silvicultura do RS, onde os principais atores sociais mobilizados eram o próprio Estado, as empresas florestadoras e os grupos ambientalistas. Posteriormente, os “movimentos sociais” agregaram-se à “luta”, polemizando o debate e anunciando que a questão da expansão dos cultivos na “Metade Sul” do RS não poderia ser vista apenas em termos de desenvolvimento econômico e que a sociedade deveria estar ciente dos riscos sociais que esses cultivos poderiam ocasionar à população do pampa gaúcho” (BINKOWSI, 2009, p.21).

Figura 2: Representação da metade sul e norte do Rio Grande do Sul.

Fonte: BINKOWSKI, 2009. Adaptado de Ministério da Integração Nacional, 2007. Conforme Corrêa (2009), poucas regiões são tão propícias para a exploração extrativista florestal como o bioma pampa, uma vez que aqui existe, além de terra, insolação necessária, tecnologia, mão-de-obra e manejo desenvolvidos. Mesmo assim, as divergências quanto ao uso dessas terras para silvicultura são muitas. Pensando em aumentar a produção do setor florestal, e ao mesmo tempo preservar o meio ambiente, o governo do Rio Grande do Sul, juntamente com empresas, órgãos técnicos ambientais e iniciativa privada instituíram o Zoneamento Ambiental para a Atividade da Silvicultura do Rio Grande do Sul. O zoneamento ambiental representa uma divisão do território nacional em parcelas, na qual autoriza-se uma determinada atividade, ou proíbe-se, absoluta ou relativamente, o exercício de outras (CORRÊA, 2009). Ele é importante, pois “visa a subsidiar processos de planejamento e de ordenamento do uso e da ocupação do território, bem como da utilização de recursos ambientais” (CORRÊA, 2009, p. 15). Corrêa afirma que, na visão dos ambientalistas, os campos sulinos não podem sofrer invasão de espécies exóticas; para esses setores, a silvicultura causará impactos irreversíveis se conduzida da maneira que as instituições privadas e o governo propõem. Lorea et al. (2008), em reportagem publicada no jornal Zero Hora e intitulada “A metade sul depois da floresta”, afirmam que de acordo com pesquisa da Associação Gaúcha de Empresas Florestais – Ageflor, 4,5% dos cerce de 11 milhões de hectares de estabelecimentos agrícolas do pampa gaúcho devem estar ocupados, até 2011, por lavouras de pinus, acácia e eucalipto. De acord com a reportagem os ganhos para a metade sul são muitos e a prefeitura do município de Pinheiro Machado fez uma tabela em que constam os ganhos da cidade desde que a Votorantin Celulose e Papel3 se estabeleceu ali, em que constam: um hotel, um restaurante, três lojas, duas farmácias, dentre outros, que juntos empregam mais de 141 pessoas, o que equivale a 1% dos pinheirenses. Em contrapartida, Thuswohl (2006) afirma que estudos realizados pela Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) e pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), "demonstraram que a monocultura do eucalipto é altamente mecanizada em todas as suas fases e demanda pouca mão-de-obra nos locais onde está instalada” (THUSWOHL, 2006, p.2). Segundo Pereira (2006), o ‘deserto verde’ formado pelas plantações do eucalipto “destrói o solo e consome uma enorme quantidade de água. E, além disso, que já é bastante, o monocultivo do eucalipto é capaz de gerar apenas um emprego em cada 185 hectares de terra ocupada” (PEREIRA, 2006, p.42). Já Mora e Garcia (2000) argumentam que a manutenção da mão-de-obra nas plantações de gestão intensiva não ocorre de forma linear, ou seja, a oferta de trabalho diminui drasticamente quando a empresa já está instalada, mas que por outro lado são criadas outras oportunidades de emprego ligadas direta e indiretamente ao empreendimento florestal.
Conforme David (2006), alguns dos impactos ambientais que são causados pelo monocultivo de eucalipto são: a redução da biodiversidade da flora e da fauna do Pampa Gaúcho – onde estima-se existir mais de 3 mil espécies, entre as quais gramíneas e leguminosas forrageiras –, a degradação da fertilidade dos solos – exigindo grandes investimentos de recuperação posterior à colheita –, e compactação pelo uso de máquinas pesadas. A figura abaixo ilustra esta posição, e está presente em reportagem “Eucalipto vai invadir o Pampa”, do Jornal da Universidade de 2007.

Figura 3: Charge do cartunista Santiago.

Fonte: Site do Centro de Estudos Ambientais.
Paulo Mendes, economista e sócio fundador da cooperativa de comércio justo e consumo consciente questiona em artigo “Silvicultura, empregos de papel”: “Será que não tem alternativa para desenvolvimento da Metade Sul? O turismo, a fruticultura, a vitivinicultura, os hortigranjeiros, os frigoríficos, a reforma agrária, a melhoria do rebanho e das lavouras de arroz aplicando tecnologias mais sustentáveis, estas não seriam alternativas mais viáveis e duradouras?” (MENDES, 2007). Como diferentes atores sociais estão envolvidos na polêmica da silvicultura da ‘Metade Sul’, as disputas entre os dois lados vão se renovando e mantendo uma circularidade na discussão, fazendo com que não se vislumbre uma resolução tão próxima para este conflito.


CONCLUSÃO
Com isso é possível notar que mesmo com as empresas se defendendo com vários argumentos a favor do uso deste tipo monocultura, alegando que agem com responsabilidade social e atuam de harmonia com o meio ambiente contribuindo para a proteção ambiental (site:Aracruz), é inevitável deixar de lado as críticas negativas, umas vez que fica evidente que a cultura do eucalipto traz prejuízos sociais como por gerar poucos empregos e ser um obstáculo no processo de reforma agrária, por demandar grandes áreas de plantio, levando a formação de grandes vazios populacionais. Os prejuízos ambientais, por mais que as empresas fazem uma propaganda favorável são evidentes, pois nem todas as áreas de cultivo são bem manejadas como as produtoras alegam, e isso gera diversos impactos ambientais negativos, desde na degradação do solo, perda excessiva de água, acarretando em um enorme prejuízo na biodiversidade, tanto da fauna quanto da flora.
E com o aumento constante significativo das plantações de eucalipto no país estes impactos, tanto na área ambiental como na social, cada vez mais facilmente serão notados,e o “deserto verde” cada vez mais característico em nosso país.


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Não, nada de piqueniques! 

O encanto das paisagens numa tela é que elas não têm cheiro, nem temperaturas, nem ruídos, nem mosquitos. Nada, enfim, do que acontece nas desconfortáveis paisagens reais. Quando estive no Rio, o P.M.C.¹, meu colega, amigo e editor, se ofereceu para “uma tarde destas” me mostrar o Rio. Agradeci-lhe horrorizado:

- Não, muito obrigado, Paulinho! Eu sou evoluído: o que mais me agrada no Rio são os túneis...
Creio que ele suspirou de alívio.

Pois bem que ele deveria saber, como poeta de verdade, que nunca se deve ser apresentado a uma paisagem. É uma situação embaraçosa. Nem ao menos se lhe pode dizer : “Muito prazer em conhecê-la, minha senhora!”
Esse não pode ser um conhecimento voluntário, aprazado, mas uma lenta osmose inconsciente, de modo que no fim se fique pertencendo à paisagem, e vice-versa.
Não se pode conhecer nada num minuto e só por isso é que os turistas não conhecem o mundo.

Jamais acreditei em observação direta, principalmente quanto à criação poética. Tanto assim que quase dei a um de meus livros o belo título de “O Viajante Adormecido”. Só não o fiz porque a Gabriela me observou que o poderiam apelidar de “O Leitor Adormecido”...
Fraqueza minha! E por que não o “leitor adormecido” mesmo? A comunicação poética, no seu mais profundo sentido, não é acaso subliminar? Os poetas que dizem tudo acabam não dizendo nada. Porque a poesia não é apenas a verdade... É muito mais!

A Poesia é a invenção da Verdade!!!
(Mario Quintana) 

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"AS INDAGAÇÕES: A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas!"
(Mário Quintana)

terça-feira, 3 de julho de 2012

Quatro elementos que eu canto...


Gaúcho em quatro elementos...
(Diego Müller/Rodrigo Bauer)

Quatro elementos que eu canto, por ser campo em seus mandados,
vão na essência do campeiro que já nasceu bem montado...
São ferramentas de campo, grotesco aparelhamento.
Nos três países da pampa: gaúcho em quatro elementos!

O laço que, a bate-cola, é brisa mansa em ternura,
se arma, altivo, em ventanias, pra ser rei pelas alturas...
Couro e perícia na trança, história e força nos tentos,
a argola voa e assovia fazendo dueto com o vento!

A faca é sanga prateada que faz verter a sangria...
Reflete a lua na folha, espelho d’água e magia!
Água que corta o destino, assim cristalina e pura,
matando a sede dos tempos, aquerenciada à cintura!

As esporas cantadeiras, tal fossem clarins de guerra,
são estrelas que preferem ficar aqui pela Terra!
Enraizaram seu brilho onde termina o garrão
e mostram a cor da terra, erguendo poeira do chão!

O mango é feito de couro, sovado como uma seda,
mas, quando empresta um laçaço, levanta até labareda!
Tem cisma de fogo grande quando se ergue entonado,
queima em brasa de espinilho quando não solicitado!

Cada qual ante sua sina de ser querência e mais nada.
Nas voltas da lida bruta seguem topando a parada.
Faca é água, espora é terra, mango é fogo, laço é vento...
Nos três países da pampa: gaúcho em quatro elementos!

Música de Mário Barbará
Interpretada por Marco Aurélio Vasconcellos, 
consagrada como MELHOR LETRA na XXVII Ronda de São Pedro, em São Borja/RS, em 2012.


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(Programa de TV Vida no sul, sobre Dego Muller e Erlon Péricles - 2011)

(Ferrer Dalmau)

"Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome!"
Mahatma Gandhi


quinta-feira, 28 de junho de 2012

De laço e armada...


(Francisco Madero Marenco)


Armada...
(Alex Cabral/Diego Müller/Rafael Ferreira)

Se a vida é feita em rodilhas
E empurra a força de braço
Meu ideal é a armada
E o rumo o tirão do laço...

Carrego um jeito de couro
Trançado – de costilhar –
Rondando a volta que trago,
Sossego ao enrodilhar!...
Mas trago as asas prum vôo
Depois que a força me alcança,
Teimando contrário ao vento
Num tiro de toda trança!

Nasci num mundo de campo,
Em meio a pealos e tombos...
Sempre bebi dos serenos
Quando arrastei o meu lombo!...
Judiei da mão desatenta,
Causando injúrias de dor...
Mas me esteiei na presilha
Forjando o bom cinchador!

Pois se me enxergam por manso,
Costeio a ânsia dos touros...
E a fina trança é mais forte,
Que a outra ponta do estouro...
Sempre andarei preso nos tentos,
Dos que me tem por confiança...
– Que o laço busca mais longe
O que a mão nunca alcança!

Meu jeito vem lá de antanho,
Que a história traz empunhada,
Boleando sobre o sombreiro
Na precisão duma armada!...
Sou como a vida em rodilhas...
Sou como o rumo do braço...
Sou a própria alma do couro...
– Sou mais que a força... sou laço!!!


(Diego Müller, Cesar Oliveira, Nielses Santos, Alex Cabral,
Diego Caminha, Rogério Melo e Marcello Caminha)

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Começa hoje, mais uma Ronda de São Pedro, lá o CTG Boi Tatá, no bairro do Passo em São Borja, quase na Barranca do Uruguai e estaremos lá com um tema meu, em parceria com Rodrigo Bauer e o mestre Mário Barbará, sendo interpretada por outro mestre, Marco Aurélio Vasconcelos...
O GAUCHO EM QUATRO ELEMENTOS
Logo mais postareis alguns links de Rádios que venham a transmitir.
Fiquem no aguardo!

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Revejo tipos como ESTE, os quais alias, cresci vendo lá no interior do Alegrete... tenho uma vontade louca de presentear pra esta TURMA DE ARTISTAS do palco de hoje, que mais se fantasiam de "cabanheiros do Prata" que de gauchos do RS.
Quanto ao "pesco prá o grumatã" e os " botes no tirador"
...sem comentarios.
Arte nao se explica!
Grande Abraço!”
Do poeta Gilberto Carvalho


O campo não é assim
(Diego Müller/Sérgio Sodré)

Se foi meus “butiá” dos “bolso”!... me expliquem o que “que” há!...
– Irão chorar mis abuelos?   – O que dirão meus piás?
Andam tantos nos rodeios, mas não o fazem campo a fora?
– Andam de laço chumbado e montando sem espora!

Passam dias pelas pistas treinando pra ter destreza...
– Queria ver esta lida se fosse por pão na mesa!...
Rédeas feias de "matéria, vão cansando os “animal”...
E as pilchas seguindo as normas dos livros da capital!

Não julgo a vida dos outros, nem comento por malino...
– Não condeno os de bombacha atrás de algum boi salino!...
Só quero que meu guri aprenda um outro destino:
Onde o serviço é mais duro do que “capturar bovino”!!!

O meu tempo é o dos antigos, pois um antigo é que eu sou...
Busco hoje, sem encontrar, as lições que o meu pai deixou!...
– Não era moda o meu tempo, olho e penso num futuro
Se divertindo nas custas do que foi trabalho duro!

Só uma espora indicando o lado do boi abrir!...
– Carteirinha pra laçar?  ...Isso é coisa pra eu rir!...
Cena triste esta que vejo duma vaca de metal,
Puxada sobre uma pista sem rodeio... sem chircal!

Que o rodeio que eu conheço tem saleiro e paradouro...
E o laço só sai dos tentos pra cinchar um brasino touro...
...Não tem bandeira ou jurado – quem me julga é o fim do mês!...
...E não mudo as coisas sagradas dessa pátria que me fez!!!

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"O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo."
( Mário Quintana )


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Taperas...





TAPERA...

En la oriyita de un camino muerto
po'el que no crusa ya ni un alma en pena,
más solita que crus en tumba'e pobre
te consumís, tapera,
rumiando tus memorias niblinosas
mientras carcome'l tiempo tu osamenta.

Los vientos aburridos s'entretienen
en desmechar tu quincha'e paja seca,
y encuadriyaos con el abrojo grande
y el yuyo colorao -qu'es pior que lepra-,
ortigales machasos
de tu vejés ya van tomando cuenta.

Por los rombones que te ha abierto'l'agua
meten tuitas las noches su alma negra,
enseñando el camino a las babosas,
que también e la entraña se te cuelan,
y a cuanta chamuchina
anda po'el campo en busca'e madriguera.

Y al ñudo se proponen alegrarte,
armando un bail'e lus en tu cumbrera,
esos soles güenasos,
que hasta en el lomo'e los inviernos yegan
a calentarle'l cuero al pobrerío
sin poncho no fogón, que por ahí pena.

Por tu tirante acarunchao, cacunda,
por tus cáidas tijeras,
por los terrones que se te amojosan
bordaos de telas de arañas secas,
anda tuavía el ricuerdo de las vidas
que anidaron un tiempo en tu pobresa.

Y en vano preguntás al bicherío
qu'en tu suelo pastudo ha hecho querencia,
qué jué del par de viejos,
de los gurises y la mosa aqueya,
que un crudo invierno, en el carrito enclenque,
repuntó pal camino la miseria.

(Poema: Serafin J. Garcia/Treinta y Tres - Uruguai - Imagem: Jorge Frasca/Buenos Aires - Argentina)



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Belo Monte
Anúncio de uma Guerra

Documentário sobre a maior obra de engenharia do país da atualidade, na qual depoimentos a favor e contra Belo Monte apontam para um desastre do ponto de vista ambiental, econômico e social.

Belo Monte é uma usina hidrelétrica que o governo pretende instalar no coração da Amazônia, na Volta Grande do rio Xingu na cidade de Altamira, Pará. O documentário “Belo Monte, Anúncio De Uma Guerra” é um projeto independente e coletivo a respeito desta obra, que foi filmado durante 3 expedições à região do rio Xingu. Trata-se de material riquíssimo sobre os bastidores da mais polêmica obra planejada no Brasil, com imagens de alto impacto e entrevistas com os principais envolvidos na obra, incluindo lideranças indígenas (como o Cacique Raoni e Megaron), o Procurador da República (Dr. Felício Pontes), o Presidente da FUNAI (Márcio Meira) e políticos locais a favor da construção da Usina.

Depois de meses de trabalho o filme está pronto e no ar, de graça para você assistir e saber quais são os verdadeiros motivos da construção desta usina.

O filme está muito bom, NÃO DEIXE DE ASSISTIR!!!

Basta apenas dar um play no vídeo abaixo:


 

Um projeto de Cinema & Vídeo por Cinedelia

Há 2 anos estamos fazendo um documentário independente sobre a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Quanto mais filmamos e investigamos, mais claro fica que a obra está sendo imposta pelo governo de forma totalmente arbitrária e irresponsável, sem dialogar com os índios nem com o resto da sociedade.
Acreditamos que esse filme pode interferir nisso, mas para isso precisamos de dinheiro para editar e finalizar o material. Escolhemos o financiamento coletivo, pois mais do que um filme, queremos fazer disso um ato político da sociedade, uma luta pelo acesso à informação e pelo direito de participar das decisões do país.

CONTINUEM DOANDO E DIVULGANDO, pois 114mil é o suficiente para finalizar o filme e disponibilizá-lo na internet, mas NÃO é o suficiente para levá-lo às sala de cinema do Brasil e do mundo. Portanto, quanto mais dinheiro conseguirmos juntar, maiores as chances de o filme ter impacto real na sociedade.

Contato:
Twitter: @belomonteofilme

Equipe:
Direção: André D’Elia
Produção Executiva: Beatriz Vilela, Francisco D’Elia
Direção de Fotografia: Rodrigo Levy Piza, Federico Dueñas
Direção de Som: Téo Villa, Diego Depane
Desenho Gráfico: Federico Dueñas
Montagem: Mauro Moreira
Ass. de Montagem: André Souza
Campanha e Mobilização: Digo Castello, Daniel Joppert, Caio Tendolini e Mundano.



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(Movimento Gota d´água)


The Construction of Belo Monte Dam is one of the most controversial developments ever seen in the Brazilian history. The issues raised by its construction go beyond environmental, cultural and social impacts. The approval of a gigantic development in the hearth of the Amazon forest, amongst precious indigenous nation’s territory has raised alarming concerns. The lack of studies and uncertainties towards the eminent catastrophic outcomes put an obscure perspective against Brazilian government energy generation that aims to transform the Amazon on a hydrologic dam yard.
The independent film making company Cinedelia has taken the challenge of producing with its own resources the most detail documentation ever made about the Belo Monte hydrologic dam construction.
In the last two years, Cinedelia has done 3 expeditions to the Xingu river basin, where produced over 120 hours of footage including Altamira, Brasília and São Paulo. Cinedelia has also made 87 interviews with people involved on decision making, studies, affected community and indigenous communities about the construction of Belo Monte dam.
Cinedelia’s documentation team has done exhaustive research in the controversial decision making process leading to approval of construction of Belo Monte. The vertical decision making process that excluded environmental studies, economic studies, human rights, indigenous nation’s leaders concerns and causing revolt to the Brazilian society.
Cinedelia aims to raise R$ 114 thousand reais in 30 days to finalize the film in digital format. It seems like a lot of money, but in reality it is not enough to take the film to cinema theaters. Our goal is to release the film on the Internet and make it available to the world the highlights of the documentation made on the last 2 years.
The Crowd funding is the only mechanism Cinedelia has to finalize the pos production of this precious documentary “Belo Monte – Announcement of a War”.
As an independent production this feature documentary has the commitment with the truth and aims to show the Brazilian Society and the world the facts behind the scenes of the controversial construction of Belo Monte hydrological dam.
The funds raised will be invested on the pos production of Belo Monte – Announcement of a War” allowing Cinedelia to publish the film in digital format making it available to the world in time to allow the society to see the reality ridden from the public, before it is too late to take action.
Please feel free to check the film detailed budget, available here.
We from Cinedelia have founded this project with our own resources because we truly believe that together we can make a difference. With your support we get stronger and closer to achieve our goal. Help us to finalize this film and give visibility to the truth gathering more support from people like you across the globe.
By making a donation you become part of this project to help stop Belo Monte Dam and start a serious discussion about alternative forms of generating energy in Brazil.



If you are not in Brazil, email us to belomonteofilme@gmail.com and we will explain the donation reward system.

Contact:
Twitter: @belomonteofilme

Team:
Director: André D’Elia
Executive Producers: Beatriz Vilela, Francisco D’Elia
Director of Photography: Rodrigo Levy Piza, Federico Dueñas
Sound directors: Téo Villa, Diego Depane
Graphic Designer: Federico Dueñas
Editor: Mauro Moreira
Assistant Editor: André Souza
Communication and Mobilization: Caio Tendolini, Daniel Joppert, Digo Castello and Mundano


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10ª Sentinela da Canção, de Caçapava do Sul - 21 a 24 de junho de 2012
* Armada - Milonga
L: Diego Müller, Alex Cabral e Rafael Ferreira
M: Marcelinho de Carvalho
(Representa: Canoas, Bagé, Vacaria e Cruz Alta/RS)



27ª Ronda de São Pedro, de São Borja - 28 a 30 de junho de 2012
* Gaúcho em Quatro Elementos - Milonga
L: Diego Müller e Rodrigo Bauer
M: Mario Barbará
(Representa: Canoas e São Borja/RS)



Sorte a todos os nossos amigos em palco!...
E sempre adiante com nossa cultura!!!
Cultura acima de tudo!!!

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(Foto de Albert Moreira - do filme O tempo e o vento)

Quando a última árvore for cortada, quando o último rio for poluído,
quando o último peixe for pescado, aí sim eles verão que dinheiro não se come…”
Greenpeace

segunda-feira, 18 de junho de 2012

El alma de Payador...



Santos Vega... 

Cuando la tarde se inclina
sollozando al occidente,
corre una sombra doliente
sobre la pampa argentina...
Y cuando el sol ilumina
con luz brillante y serena
del ancho campo la escena,
la melancólica sombra
huye besando su alfombra
con el afán de la pena. 

Cuentan los criollos del suelo
que, en tibia noche de luna,
en solitaria laguna
para la sombra su vuelo;
que allí se ensancha, y un velo
va sobre el agua formando,
mientras se goza escuchando
por singular beneficio
el incesante bullicio
que hacen las olas rodando. 

Dicen que, en noche nublada,
si su guitarra algún mozo
en el crucero del pozo
deja de intento colgada,
llega la sombra callada
y, al envolverla en su manto,
suena el preludio de un canto
entre las cuerdas dormidas,
cuerdas que vibran heridas
como por gotas de llanto. 

Cuentan que en noche de aquellas
en que la Pampa se abisma
en la extensión de sí misma
sin su corona de estrellas,
sobre las lomas más bellas,
donde hay más trébol risueño,
luce una antorcha sin dueño
entre una niebla indecisa,
para que temple la brisa
las blandas alas del sueño. 

Mas si trocado el desmayo
en tempestad de su seno,
estalla el cóncavo trueno
que es la palabra del rayo,
hiere al ombú de soslayo
rojiza sierpe de llamas,
que, calcinando sus ramas,
serpea, corre y asciende,
y en la alta copa desprende
brillante lluvia de escamas. 

Cuando, en las siestas de estío,
las brillazones remedan
vastos oleajes que ruedan
sobre fantástico río,
mudo, abismado y sombrío,
baja un jinete la falda,
tinta de bella esmeralda,
llega a las márgenes sola...
¡y hunde su potro en las olas,
con la guitarra a la espalda! 

Si entonces cruza a lo lejos,
galopando sobre el llano
solitario, algún paisano,
viendo al otro en los reflejos
de aquel abismo de espejos,
siente indecibles quebrantos,
y, alzando en vez de sus cantos
una oración de ternura,
al persignarse murmura:
¡El alma del viejo Santos! 

Yo, que en la tierra he nacido
donde ese genio ha cantado,
y el pampero he respirado
que al payador ha nutrido,
beso este suelo querido
que a mis caricias se entrega,
mientras de orgullo me anega
la convicción de que es mía
¡la patria de Echeverría,
la tierra de Santos Vega!... 






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Bah gente, me desculpe... 
mas profissão "Avaliador" não dá... não agrega! 
Criar e mover o mundo é o que atrai o que realmente vive da arte 
(não monetariamente, mas sim da cultura nas veias)! 
Lembrando a todos que CULTURA e ENTRETENIMENTO são duas coisas longes uma das outras, 
não é uma LINHA TÊNUE no nosso folk! 

...De resto, é status apenas! 

Trabalho é a chave!!!
Trabalhe!

Bom dia a todos!


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"Um anda em cavalo manso... Outro em potro redomão... Um traz o fogo pegado em folha seca e carvão... Outro é tronco de aroeira, graveto grosso e molhado... Um é fogo de lareira... Outro é fogo de galpão!!!"

(Balbino Marques da Rocha)

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Espléndida parábola vital de dos siglos...


Esta es la esencia del gaucho.....no la que presentan con galeras y ropas de estancieros ricos...este es el hombre que era mezcla de indio y de blanco, bravío como la tierra misma, no obedecía a patrones, solo seguía a caudillos por su valentía, por su honorabilidad, no era obsecuente de nadie....y la patria creció así, con ranchos de paja y barro y no con techos de tejas como lo han presentado siempre deformando nuestra identidad....!!!” 
(Daniel Rojelio Albornoz - Neuquen, Argentina)

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Espléndida parábola vital de dos siglos...


Salve a humildade... o povo... salve o simples... o folk... 
o que vem da terra... de baixo para cima.... 

...não o que é imposto como gaucho ou crioulo! 

Sabemos que gaucho nunca foi algo ostentado em pilares de bronze. Veio do pó, da terra e do barro.... mesclado com gotas de sangue em sua aderencia! O retrato diz o que é realmente o gaúcho... talvez nenhum outro identifique melhor esse simbolismo em nosso contexto de CULTO e CULTIVAÇÃO! Hoje vamos em "rodeios" que nada mais são do que ENTRETENIMENTO, moldados em cima de conflitos (chamados de concursos, para não "pesar" tanto) e de judiação com animais... com propósitos simplesmente de satisfação propria, e nao de crescimento cultural! Entretenimento e cultura sao diferentes! E muito longe um do outro! Lembro inclusive que os aguerridos e valentes que exaltam hoje, em panteões, pinturas e estatuas, foram para as frentes de batalhas, sangrando em colunas febris de guerra, justamente por deixarem em um pequeno pedaço de terra um rancho de adobe, quinchado de santa-fé e sereno, guardando o calor fraterno de uma morena crioula e de um guri - futuro peão trabalhador nas lides simples e, essas sim, heroicas! Pouco que tinham, mas era tudo... um nada e um tanto! Nao se peleava por patria, onde a patria era de ninguem! Nao se peleava por terra, se a terra era de poucos. Nao se peleava por bandeiras, sem saber de quem era essa bandeira. O aguerrimento era por familia e trabalho!

Os mesmos donos de sesmarias (dividias por segurança a uma "patria" de ninguém) e patrimônios enormes de terra (devotados a um "rei-uno"), com riquezas vindas de alguém (e com o sangue de muitos), menosprezavam esse povo simples, estes andarilhos, estes terrenos com cheiro de chão, os chamando de gaúchos, gaudérios, sempre pejorativamente... talvez ancestrais (ou em sangue ou em ideologia) dos que hoje colocam bombachas para uma ação politiqueira de ganhar espaço dentro de uma instituição que se diz dono do gaúcho: mesma instituição que te diz como é para voce se vestir, agir, respeitar e como fazer rodeios (repito: para divertimento apenas). Claro, dá retorno financeiro. Ensinamento? Pouco!!! 
Frente de batalha é para os trabalhadores apenas, sejam rurais ou urbanos, lutando apenas por nao serem esplorados. Esses sim são e eram os gauchos. Nao os de bombacha. 
Hoje os gauchos vivem em ranchos pobres de vilas, em arrabaldes povoeiros, beirando trilhos e rios... vestindo roupas rotas e muitas vezes doadas por serem velharias dentro de armários e closets de apartamentos, com ou sem sacadas! Vivem em beiras de corregos, talvez sangas transformadas em valões citadinos, margeando cidades empobrecidas por alfalto e o pouco contato com o verde e a terra: mesmo asfalto que aquece a atmosfera e faz a flor morrer antes mesmo de nascer. 
Ate os carroceiros, veja bem (o que restou do trabalho carreteiro em nosso estado), estão proibidos de trabalhar no único recurso que os resta de contato com o solo, com o antigo, que nada tem haver com o desumano ou o irracional, ou quem sabe o desonesto. P São coisas de "patria nova"... é por a nossa mesma "pátria" estar crescendo e nao deixar espaço para eles. Não merecem!... Ser patria hoje é ser avançado, ter carro e ar condicionado, usar tenis e ter tempo para se prender a engarrafamentos exorbitantes em uma BR interligando nosso estado. Tudo isso feito pelo progresso. É o progresso. É o progresso? veja bem!!!
Os carroceiros, descendentes de gaúchos, estão sucumbindo com as leis impostas por quem se diz GAUCHO... ostentando uma vestimenta com cheio de naftalina comprada em alguma loja desprovida de cultura, querendo gerar modas sem manter essência alguma, carregando botons em lapelas de coletes e casacos com nomenclaturas diversas, destruindo os que realmente fizeram nosso povo, quem gestou e gerou... quem é realmente gaucho! ...Perdendo e desviando VALORES! Preciosidades!

Viemos dos pés descalços na geada... da mão calejada do arado e da enxada... da boca sugerindo um "Vira ca´alo!"... das calmarias de "Eira bois"!... dos dedos dos pés firmando num estribo de osso... do olhar mirando lonjuras... do amanhecer embebido em erva mate... da humildade de aprender com a natureza... da valentia em querer voltar a seu rancho, vivo... da terra moldando o homem... do trabalho dolorido em troca apenas de pão, e lugar!!!

Gaucho é um estado de espirito sim, porem estado de espirito SIMPLES, e de VALORES - Valores opostos aos cobres!!!
Ser gaucho não é um espirito vivente dentro de uma bombacha, penetrante em um lenço! 
São valores antigos e simples, ancestrais... que nos vieram atraves de séculos e gerações, moldados e amadurecidos pela terra, apenas! E quem duvida disso já se mostra anti-gaúcho! ...Lhe ASSEGURO!!!

"Tem gente que de tão pobre possui e quier apenas dinheiro!"... 

Desculpa a ofensa, caso sinta-se alguém, mas mentir não se pode! História não é para ferir e sim para ensinar... amadurecer! Há de ser verdadeiro... há muito que ser cultuado e RESPEITADO, isso em todas as forças e manifestações de arte em que vivemos... mas principalmente no modo DE SER DAQUI! Talvez uns sejam do CULTO e outros da VIVENCIA... importante os dois! ...mas em ambos há de existir o respeito, como valor importante de nosso lugar!


Salve o simples, a humildade... 
Salve os valores, o folclore, 
Salve a terra, e a flor: 
SALVE O GAUCHO!!!!!!!!!!!!!!!!

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(Eleodoro Marenco)

...Seguiemos hoy (...) creyendo que es tarea fundamental ocuparse del gaucho. Porque queríamos, y queremos, una imagen real suya, no un figurón literario o un trozo de carniza disecada por el escalpelo despiadado de un pretendido 'revisionismo' que le considera 'mito' o 'bestia negra'... imagen real para contemplar, estudiar y amar, como ser de nosotros mismos, aunque puedan dolernos los ojos en su contemplación, más que por sus fulgores, tal ves por sus carencias y sus anónimos heroísmos. Buscamos encontrar sustancia cálida y auténtica, ni aserrín, ni polvo de huesos. El alma misma de la nacionalidad. Porque estudiar el gaucho ES COMO PONER LA MANO EN EL PECHO ABIERTO DE LA PATRIA, y palpar, sentir en vivo y caliente, el proprio LATIDO DE SU CORAZÓN!” 
(Fernando Assunção - Uruguai)

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"‎EL GAUCHO es el producto axial de la cultura de la zona litoral, de la que fué epicentro geográfico nuestro actual territorio nacional. No fué, ni pudo ser jamás, el marginal que han pretendido señalar, en llamativa coincidencia, los tecnócratas agraristas, ultras en su teorización mercantilista, y los escribas de la 'intelligentza' marxista-leninista, zurdos de entre casa, con la verborrea clásica del materialismo dialéctico!"
(Fernando Assunção)