Por DIEGO MÜLLER

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O tropeiro...


(Fotos de Fábio Soares)

Nhô joão, o tropeiro (*)


Por essas noites de frio,
Batidas de água e tufão,
Num rancho, à beira do rio,
Eu me quedo, horas a fio,
A conversar com nhô João.

É um velho... Rude e trigueiro,
Envolto num ponche azul,
Fumando, a olhar o braseiro,
Começa o antigo tropeiro
Contar-me histórias do Sul.

Ao longe, muito a distância,
Os tempos perdem-se já,
Em que ele, todo arrogância,
Ia de estância em estância,
Buscando tropas por lá.

Na sua besta tordilha
De manchas brancas no pé,
Nhô João, tocando a tropilha,
Cortava muita coxilha
Para chegar em Bagé!

E lá, de tais cercanias,
Ele, viril rapagão,
Puxava, dias e dias,
Pontas de mulas bravias.
Para vender no sertão.

Que linda! Assim que a alvorada
Tingia o céu de listrões,
Já a tropa, a chucra manada,
Trotava ao longo da estrada,
Por entre a grita dos peões:

Eh mula! Vorta! Caminha!
E os ecos vibravam no ar,
Enquanto, lerda e sozinha,
Ia na frente a madrinha
Com seu cincerro a tocar...

Que vida simples e honesta!
Como era bom, no verão,
Ter o descanso da sesta,
No meio duma floresta,
À beira dum ribeirão!

À tarde, quando caía
A sombra crepuscular,
Era de ver a alegria,
Com que a peonada escolhia
Um sítio para acampar.

Então, descendo as bruacas,
Queimados, fulvos de suor,
Sobre improvisas estacas,
Erguiam logo as barracas,
Soltando a tropa em redor...

Ah, nada mais delicioso,
Ah, nada mais doce então,
Do que, na calma do pouso,
Ter um churrasco cheiroso,
E a cuia de chimarrão!

E entre histórias de rodeio,
Contos, gauchadas febris,
Aos poucos, num devaneio,
Sobre os pelegos do arreio,
Dormir um sono feliz...

E o velho, a voz rude e grossa,
Relembra com efusão:
"Que viage... Êta festa - nossa!
— No dia em que Ponta Grossa
Despontava no espigão..."

A história sempre ele acaba,
Pintando, com muita cor,
As feiras de Sorocaba,
Onde encontrara uma "diaba"
Por quem morrera de amor...

Assim, lembrando o passado,
Nhô João, com frio desdém,
Termina desconsolado:
"Hoje tá tudo mudado!
Vem tudas coisa no trem...

E ali, no humilde pardieiro,
Envolto num ponche azul,
Saudoso, olhando o braseiro,
Conta-me o velho tropeiro
Longas histórias do Sul...

(Fotos de Fábio Soares)

(*) Primeiro poema declamado por Paixão Côrtes,
muito antes das pesquisas sobre o tropeirismo biriva, na década de 40.

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Paulo de Oliveira Leite Setúbal 

Era casado com Francisca de Sousa Aranha (filha de Olavo Egídio de Sousa Aranha e de Vicentina de Queiroz Aranha), com quem teve três filhos: Maria Vicentina, Teresinha e Olavo Egídio Setúbal.


Formou-se, em 1914, bacharel em direito, em São Paulo. Na época já havia tido poema publicado na primeira página do jornal A Tarde. Em 1920ocorreu a publicação de seu livro de poesia Alma Cabocla, cuja edição, de três mil exemplares, esgotou-se em um mês. Entre 1925 e 1935publicou vários romances históricos, entre eles A Marquesa de Santos, O Príncipe de Nassau e A Bandeira de Fernão Dias. Em 1926, trabalhou como colaborador do jornal O Estado de S. Paulo. Nos anos de 1928 e 1930 foi deputado estadual, mas renunciou ao mandato por ter agravada sua tuberculose.

Publicou, nos anos seguintes, livros de contos, crônicas e memórias. Poeta vinculado à estética parnasiana, Paulo Setúbal tematizou em seus versos a vida dos camponeses, dos caboclos do interior de São Paulo. Pela escolha do tema, na época foi chamado de "poeta regional".
Foi também famoso e respeitado autor de obras de temática histórica, dentre as quais se destacam o romance A Marquesa de Santos (1925) e o livro de crônicas O Ouro de Cuiabá (1933).

Foi eleito em 6 de dezembro de 1934 para a Academia Brasileira de Letras, sucedendo a João Ribeiro na cadeira 31. Foi recebido em 27 de julhode 1935, pelo acadêmico Alcântara Machado.

(Fotos de Fábio Soares)

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"Mas tu (que rude contraste), tu que jamais beijastes, tu que jamais abracei, só tu nesta alma ficaste de todos que amei!!!..."

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Pala-de-crivo...


Pala-de-crivo 
(Diego Müller/Getúlio Silva) 


Certa vez fui na cidade, bem pilchado – pacholento – 
Levando meu pala velho de encontro com o próprio vento... 
Era eu e uma pintura – andejando – por ai... 
Com aquele pala no ombro... igual o do Noel Guarany! 

Um ocre, meio apagado, com o crivo correndo as franjas: 
Um macramê – nudo a nudo – onde a beleza se esbanja... 
– Desses de cobrir o pago, por ser lindo de se ver, 
Com listras costeando o pano, com as cores num degrade! 

Surrou muito mal-costiado – desses “ventarrão” bagual... 
Té socou feijão e milho, no velho estilo rural... 
E por fula, “vendô” meu rosto, em alguma “tóra” bravia, 
Gineteando de cara-atada na cancha da Vacaria! 

Eram cem anos de história bajo deste pala antigo... 
– Que há mais de uns quarenta e pico estava junto comigo!... 
Carrega minha própria vida, com brilhos de d´alva e lua, 
Cobrindo queixume de amores no calor dessas chirúas! 

De muita empreitada feia me safei com ele no braço, 
Tirando golpes de adagas – livrando-me de pontaço!... 
Foi bandeira desfraldada na minha estampa teatina... 
Serviu de forro em carpeta... e de agasalho pra china! 

Por isso eu rogo à Deus – acaso alguém encontrá-lo – 
Devolva meu pala-de-crivo: um dos mais lindos regalos!... 
...Que ganhei d’uma prendada, outro igual não se arranja!... 
– Conheço “inté” pelo aroma que exalam de suas franjas!!!



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Jean León Palliere - Tres gauchos, 1865

"Talento é mais barato que sal. O que separa a pessoa talentosa da bem-sucedida é muito trabalho duro!"


sábado, 11 de fevereiro de 2012

“ O CHICO NO FANDANGO GAÚCHO “


“ O CHICO NO FANDANGO GAÚCHO “ 


Um tema e duas danças : 
“Chico-do-porrete” e 
“Chico sapateado” 

J. C. Paixão Cortes 


Quando em 1950 subimos os Campos de Cima da Serra para estudar o folclore dessa região do Estado, levávamos em nosso fichário de pesquisa, entre inúmeros nomes de danças que procurávamos, referências sobre uma, conhecida pelo nome de “Chico”. 

Não poderíamos imaginar que somente em 1961, após onze anos de ininterruptas investigações, nos fosse possível reconstituir dois motivos coreográficos e musicais, sob um mesmo tema. 

“O motivo do “Chico” aparece pela primeira vez na Gazeta de Porto Alegre”, nos afirma Augusto Meyer, em seu “Guia do Folclore Gaúcho”. Entre outras danças do antigo fandango gaúcho, vamos encontrar citado por Cezimbra Jacques e Coruja : “O Chico”, “Chico-puxado” e o “Chico de roda”. 



Mas o motivo parece não ter sido bailado somente no Rio Grande do Sul. O grande folclorista Renato Almeida inclui o “Nho Chico” entre as danças do fandango paranaense. Alceu Maynard de Araújo que acaba de publicar Folclore Nacional, talvez o melhor conjunto de estudos e documentário sobre o folclore brasileiro, já descreveu um “Chico” que assistiu em Cananéia. 

Quando realizamos os nossos estudos bibliográficos sobre o assunto, nos chegou as mãos uma edição – de tiragem limitada – referente aos “Discos gravados no Estado do Rio Grande do Sul” (janeiro de 1946) através de pesquisas realizadas pelo musicólogo Luiz Heitor , que se fez acompanhar do professor conterrâneo Enio Freitas de Castro. No capitulo sobre as Danças do Fandango, vamos encontrar um registro feito em Pinhal, sobre um “Chico-troteado”. 


Nesse volume publicado pelo Centro de Pesquisas Folclóricas da Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil, Dulce Martins Damas – que se incumbiu da publicação da referida obra e que também “fez os comentários de canto e danças do Estado do Rio Grande do Sul”, procurando analisar o “Chico-troteado”, transporta para a pauta, pela primeira vez em nossa literatura musical regional folclórica, o tema da referida dança. 
No entanto, até a presente data, nada se escreveu sobre a reconstituição coreográfica desse motivo. No presente artigo não cabe essa reconstituição com os mínimos detalhes – passos, ilustrações, partituras musicais, etc. – como o que fizemos em trabalho apresentado ao Congresso Tradicionalista de Taquara, e aprovado. 

Devemos dizer que pesquisamos dois motivos distintos, quer coreográficos, quer musicais, até aqui não registrados, e que advenham possivelmente , como os demais citados por outros autores, de um único tema : o “Chico”. 



“ CHICO-DO-PORRETE “ 

Junto com as danças Chula, dos Facões, e Fandango que recolhemos, o “Chico-do-porrete” constitui o quarteto de motivos coreográficos crioulos em que só participam homens. É uma dança de desafio, que exige muita resistência física e destreza. Assemelha-se não só neste sentido à Chula, como também porque existe uma figura comum a esta dança : aquela em que o bailarino dança por cima da vara ou porrete. No “Chico-do-porrete”, o executante só para de dançar, e entrega o porrete a outro, depois de fazer ininterruptamente todas as figuras que souber. 

(Os Provincianos - CTG Rancho da Saudade de cachoeirinha - 
Campeão danças Birivas Vacaria 2012)

A característica principal desta coreografia esta no movimento que o homem realiza com o bastão que deve ser de madeira leve. Geralmente é aproveitado um cabo de vassoura. Coreograficamente esta dança apresenta duas partes nos fandangos gaúchos de outrora, segundo nos “contaram” João Marciano dos Santos, Pedrinho Vieira e Domenciano Lopes de quem já nos referimentos são variados, cabendo a cada executante realizá-los de acordo como sua maior ou menor capacidade de improvisação e destreza, indo do simples cruzar de perna ao bate-pé e até mesmo aos sapateios mais floreados. Este movimento compreende duas fases : a) o avanço do dançarino de uma extremidade a outra do porrete; b) recuo (retorno) do dançarino a extremidade inicial, isto é, a posição anterior. Menos freqüente era no entanto, fazer-se meia-volta numa extremidade da aste e regressar de frente e não de costas, como anteriormente descrevemos. 

A seguir, o dançante abaixando-se toma novamente de uma das extremidades do porrete e continua passando o mesmo entre uma perna e a outra, como já foi dito. 

(CTG Brazão do Rio Grande - Grupo biriva Tranca-fio - Canoas/RS)


“ CHICO SAPATEADO OU CHIQUINHO “ 

Coreografia em que participa homem e mulher. Apresenta a característica curiosa de ser um motivo em que o par, ora se enlaça pelas mãos (semelhante aos tempos atuais), ora fica ligado somente pelos dedos, quando então dá-se o sapateio (bate-pé). Parece que podemos incluir este motivo como uma dança em fase de transição – dança de pares soltos e de pares enlaçados - assemelhando-se ao ciclo da Chimarrita Balão. 

(CTG Pampa do Rio Grande de Caxias do Sul - Campeão adulto de Vacaria 2012)

Sobre a música, temos a registrar em nossas pesquisas duas melodias, recolhidas do gaiteiro tradicionalista Pedrinho Vieira, do município de Lagoa Vermelha e João Marciano dos Santos, do município de Barracão, este último, além de cantar a melodia, executou a dança nos seus mínimos detalhes, inclusive sapateado. 

Em traços gerais, coreograficamente a dança apresente três partes : a) em que os pares enlaçados executam passos de polca, em liberdade de direção; b) em que os pares tomados somente pelas mãos, realizam giros a favor dos ponteiros do relógio e em sentido contrário, quando então sapateiam; c) movimentos em torno de si mesmo. 

Esses movimentos coreográficos correspondem a determinadas expressões musicais, escritas em compasso binário , de 2/4. 

(CTG Pampa do Rio Grande - Fernanda Antunes e Diego Müller - 
Chico Sapateado na Vacaria 2012)

Ao contrário do “Chico-do-porrete”, o Chiquinho é cantado. Das letras que recolhemos e das que foram publicadas, transcrevemos abaixo, as seguintes principais quadrinhas : 

“O Chico foi no poço 
Com uma pedra no pescoço 
Ninguém tenha dó do Chico 
Que ele morreu foi por seu gosto. 

O Chico caiu no poço 
Do fundo tirou areia 
Ninguém tenha dó do Chico 
Que está preso na cadeia. 

O Chico caiu no poço 
Com uma pedra no pescoço 
Não se importem com o Chico 
Que ele morreu foi por seu gosto. 

O Chico caiu no poço 
Não sei como não morreu 
Por ser devoto das almas 
Nossa Senhora o valeu. 

Eis em pinceladas rápidas como se “comportava” o Chico. 


Correio do Povo (Domingo) de 18 de abril de 1965. Páginas 36 e 27 

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" Não é um dever ser gaúcho... é um privilégio ser gaúcho!"
(Paixão Côrtes)


Luna...



Lunita...         
(Diego Müller)


Un chajá lleva en su canto
Coplas en vuelo y quiere
Jejarme un recuerdo viejo
Cuando la luna ya viene...

Va un chopí, de frente al viento,
Vientito cantor, nochero,
Bailando, mudanza al aire,
Bajo el encendido lucero...

Y mis ojos en la luna
Son un corazon herido,
Perdido quedo en la bruma
De una pasion que se ha ido...
   
Lunita de embrujo pleno,
Te pido con devoción:
Hay tanta vida en tu lumbre,
Deja un poco en mi corazón...

Me vá dejando esta luna
Añoranzas y silencios...
– Luz y sombra en contrapunto
De un ayer que me anda lejos...

Camino de las estrellas
Navegando en la oscuridad...
– Tu recuerdo, luna entre nubes,
Viene y pronto se vá...


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"Seja humilde, pois, até o sol com toda sua grandeza se põe e deixa a lua brilhar!"

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Eventos importantes de 2012...


Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria/RS

Os organizadores do Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria divulgaram esta semana a data para a 29ª edição da festa, que será realizada de 28 de Janeiro à 5 de fevereiro de 2012.

De acordo com o patrão do CTG Porteira do Rio Grande, Luiz Schons estão sendo elaborados projetos para melhorar a estrutura do parque para o próximo evento. “Nós temos anseios de obras definitivas. Nossa expectativa é tentar cobrir a concha acústica e melhorar as condições das bilheterias nas entradas do parque“, disse.
Representantes dos órgãos de segurança de Vacaria estiveram reunidos nesta segunda-feira, 23/01, a fim de acertar os últimos detalhes da Operação Rodeio. As atividades iniciam na sexta-feira. 27/01, às 16 horas. A partir deste horário o Parque de Exposições Nicanor Kramer da Luz passará a contar com um efetivo de 120 policiais militares, policiais civis com uma Delegacia Móvel, bombeiros, guardas municipais e policiais rodoviários. O trabalho será focado na segurança do trânsito, auxílio aos visitantes e garantia da ordem no Parque de Exposições. 
Uma das grandes atrações musicais do 29º Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria é SOLEDAD PASTORUTTI. “La Sole” ou “Furacão” como é conhecida, é uma cantora argentina, que representa o folclore do seu país.

O show de Soledad será na terça-feira (31/01), às 22h30min, na Concha Acústica. Neste dia, o ingresso de acesso ao parque Nicanor Kramer da Luz será de R$ 10,00 (dez reais), com direito ao show.
De acordo com Luis Schons, patrão do CTG Porteira do Rio Grande, o show de Soledad mostrará a integração da América Latina no Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria.

Ainda, segundo o patrão, o lançamento oficial do 29º Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria deve acontecer no aniversário do CTG Porteira do Rio Grande, em 2011.


 Confira e compareça... promete!

www.rodeiodevacaria.net
www.rodeiodevacaria.com.br
www.ctgporteiradoriogrande.com.br

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Um canto para Martim Fierro

Foram idas e vindas, desistências, prorrogações, negociações, especulações e uma grande equipe trabalhando ininterruptamente nos bastidores por quase três anos, antes que um novo anúncio e confirmação da realização da 12ª edição do Festival de Fronteira Um Canto Para Martin Fierro, pudesse ser feita à imprensa, para ecoar em todos os cantos do Sul do Brasil.

O festival, que consagrou nomes como Cesar Oliveira e Rogério Melo, viu nascer sucessos nas vozes de Luis Marenco, Joca Martins, Nelson Cardoso, Volmir Coelho, Adair de Freitas, Pirisca Grecco e tantos outros, deverá acontecer em local e datas inéditos em 2012.

Depois de permanecer durante muitos anos abrigado nas dependências do ginásio de esportes José Luis Sanz, do Esporte Clube Guanabara, o evento deixa o local e passa a ser realizado no interior de um dos mais importantes símbolos da Fronteira, o Parque Internacional. A informação foi confirmada pelo presidente da Comissão Organizadora do Um Canto Para Martin Fierro, Carlinhos Fernandes, que confirmou, também, a liberação da verba junto ao Ministério da Cultura. O festival agora está sob a responsabilidade da Prefeitura Municipal que o organiza dentro da 1ª Mostra de Música e Dança do Mercosul, cuja verba liberada será de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).

Para o presidente da 1ª Mostra de Música e Dança do Mercosul, Robson Cabral, a fase agora é de ultimar os detalhes e entregar não apenas para Sant’Ana do Livramento, mas para toda a região, um grande evento, que colocará a cidade no roteiro cultural obrigatório do Rio Grande do Sul.

Cabral disse, ainda, que apenas os trâmites burocráticos para a liberação da verba da emenda da Deputada Emília Fernandes separam a cidade da realização do evento, porém, a confirmação já é possível, uma vez que o aceno positivo com a aprovação do projeto já foi dado através do Ministério da Cultura. “Tivemos um problema de aprovação da emenda da Deputada com relação à Mostra de Música e Dança do Mercosul, que tem dentro a 12ª edição do Festival de Fronteira Um Canto Para Martin Fierro, e por conta disso não queríamos dissociar as duas atividades. A verba está nos seus encaminhamentos finais e até 31 de dezembro tem que ser publicado o convênio. Temos que esperar, agora, o trâmite burocrático na fase que estamos hoje de fechamento do convênio com o Ministério da Cultura. Só mudamos a data para março porque ficaria muito em cima do tempo para fazer as licitações e tomadas de preço. Apenas por isso estamos fazendo essa prorrogação. O evento terá, ainda, pequenas mudanças que não serão significativas”, disse Robson Cabral, ao confirmar a realização do evento para os dias 22, 23, 24 e 25 de março.


Festival

A 12ª edição do Festival de Fronteira Um Canto para Martin Fierro já tem as suas mais importantes datas definidas. Com o enceramento das inscrições ocorrido no último dia 16 de dezembro, quando a comissão triadora recebeu mais de 600 trabalhos, a próxima etapa agora se dará em torno dos lançamentos oficiais em Sant’Ana do Livramento e na capital do Estado, Porto Alegre.

O lançamento em Sant’Ana do Livramento está previsto para acontecer no dia 16 de janeiro, em solenidade para convidados, músicos, imprensa e autoridades, nas dependências do C.T.G. Presilha do Pago. O evento terá o show do cantor nativista Jari Terres.

A seguir, será a vez de Porto Alegre receber a caravana para o lançamento para o restante do Brasil e América do Sul. A triagem acontece nos dias 17 e 18 de janeiro, na Estância da Glória em Sant’Ana do Livramento, oportunidade em que os jurados Mauro Moraes, Cristiano Quevedo, Fernando Soares, João Sampaio e Elias Rezende irão selecionar as composições que serão apresentadas no palco do festival. O presidente da comissão organizadora da 12ª edição do Festival de Fronteira Um Canto para Martin Fierro destacou a participação do Prefeito Wainer Machado como fundamental para a realização do evento. Wainer Machado foi diretamente a Brasília para pleitear a aprovação do projeto e liberação das verbas para a realização da Mostra de Música e Dança, obtendo êxito na empreitada. “Conseguimos, ainda, a renovação do projeto e liberação da verba para a 13ª edição do Festival que já tem projeto aprovado e se chamará Caravana da Cultura. Essa aprovação se deu através da Lei Rouanet. Garantimos, assim, a realização não apenas de uma, mas de duas edições do evento de todos os santanenses. Ainda na 12ª edição, vamos instituir o troféu José Claudio Machado, uma justa homenagem a um dos mais importantes intérpretes do cancioneiro do Rio Grande do Sul e que faleceu recentemente. Em nome da comissão organizadora é preciso fazer um grande agradecimento ao prefeito de Sant’Ana do Livramento, Wainer Machado, e ao Secretário de Planejamento e presidente da 1ª Mostra de Música e Dança do Mercosul, Robson Cabral, pelo empenho em todo o projeto”, afirmou Carlinhos Fernandes.

O último dia do evento, 25 de março, será reservado aos grandes espetáculos de dança, que poderão ser assistidos por toda a comunidade na estrutura que será montada especialmente para dois eventos no interior do Parque Internacional.
www.martinfierro.art.br/


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(Gustavo Desimon)

"Y al punto dése por muerto si el alcalde lo bolea, pues ahí nomas se le apea con una felpa de palos; y despues dicen que es malo el gaucho si los pelea!!!"
(José Hernandez - El gaucho Martim Fierro) 

Escuro...



...Para além do escuro!

Eu já não me encontro nas folhas de um livro
Nem tampouco no aroma que espalha uma flor
Eu, de verdade, só mesmo sei que estou vivo
Quando estou do teu lado seja lá onde for

Nas janelas do mundo já nem mesmo apareço
Caminhando nas ruas sem saber aonde vou
Nesse tempo incoerente em que tudo tem preço
Tuas palavras me ensinam que sonhar tem valor

Mas eu ainda teimo em não seguir a corrente
Em não vender meu presente pra pagar no futuro
Porque mesmo nas noites que me chegam tão frias
Os teus olhos me guiam para além do escuro

Mas eu jamais creio em tantas belas imagens
Que falseiam verdades por detrás dos seus muros
Porque em meio a embalagens já de tudo vazias
Os teus olhos me guiam para além do escuro

Martim César
http://www.martimcesar.blogspot.com/


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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Carreirada...



Da canhada ao porteirão
(Diego Müller/Severino Rudes Moreira)

Da a estância até a venda
É légua e pico de estrada...
– Distâncias se desenhando
Pra uma linda carreirada!...
Fazer mandados do pai:
Erva, fumo e goiabada...
– Um frasco de canha buena
Pra esquentar madrugada!

No peticito baio ruano
– Da doma de minha “mão”...
O mano num pingo bueno
– De varrer poeira do chão...
Me “atentava” a linha reta,
Aprisionada pela visão,
Para um tronar de patas
Da canhada ao porteirão!

Entre tacurus e cardos
– Espora, mango e paleta –
Numa carreira de mano
Dois gurizinhos sotretas...
As patas surrando o chão,
Num compasso de “legüero”...
– O vento benzia a cara
Nesse batismo campeiro!!!

Era um retrato de campo...
– O corredor por moldura...
Na escola dos arreios...
– A mais xucra das culturas...
Embrulhos despedaçados,
Do sortido uma mistura...
– E o premio, o resumo,
No atado de rapadura!

Ao adentrar na porteira
E desencilhar no galpão,
O pelo suado dos pingos...
– Silenciosa informação!...
...Pro ar sisudo do pai
Com o rebenque na mão...
– Mas só doía de fato
Se perdia pro irmão!!!

(Juan Manuel Blanes - Uruguay)
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"O mais sólido e mais duradouro traço de união entre os seres é a barreira!"