Por DIEGO MÜLLER

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Noel Guarany...

Noel Borges do Canto Fabrício da Silva

Noel Guarany
(Bossoroca, 26 de dezembro de 1941 - Santa Maria, 6 de outubro de 1998)


"Eu não sou cantor mitológico, eu existo. Eu vivo pelas pulperías. Eu não canto no Maracanãzinho por 50 milhões de dólares. Me sobre o puchero, e por ai vou andando — com minhas opiniões, claro! Eu não tenho compromisso com doutores, MTGs, governadores, deputados... Eu estou descrevendo uma realidade nua e crua. Claro que vai doer em alguém, mas vai servir de alento para muitas almas sofredoras que como eu andam por aí vendo essas barbaridades. Eu não quero ser artista, nem coisa nenhuma."
(Noel Guarany)


Perguntem no Rio Grande do Sul por Noel Guarany (1941-1998), autor dessas palavras — proferidas num show realizado no final dos anos 70 , e a resposta, muito provavelmente, virá em tom de reverência. Afinal, estamos falando de um dos maiores nomes da cultura popular do estado, um dos quatro troncos missioneiros.
Cenário da epopéia da primeira república rio-grandense — a Guarani -, berço da história do estado, a área dos Sete Povos das Missões abriga uma tradição combativa e libertária análoga — para citar um exemplo — à de Ouro Preto, em Minas Gerais. Num lugar como noutro, está ainda presente até no ar que se respira o inconformismo diante da derrota de rebeliões contra o colonialismo.
Nascido em Bossoroca — à época distrito de São Luiz Gonzaga -, Noel aprendeu cedo a orgulhar-se desta herança. Este orgulho inscreveria no próprio nome, numa demonstração de sua escolha sobre de que lado iria ficar durante a vida: nascido Noel Borges do Canto Fabrício da Silva, poderia exibir o sobrenome de José Borges do Canto, comandante das tropas portuguesas que conquistaram em definitivo o território missioneiro. Mas preferiu evocar a porção de sangue índio que levava nas veias e chamar-se Noel Guarany.

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Noel Guarany era descendente de italianos e índios guaranis, e nasceu em 26 de dezembro de 1941, na Bossoroca, então um distrito de São Luiz Gonzaga, Rio Grande do Sul.
Na adolescência, aprendeu, de maneira autodidata, o idioma guarani, bem como a compor, tocar e cantar.
Na década de 1960 percorreu diversos países latino-americanos, onde colheu diversos ensinamentos que utilizou como subsídio para criação de suas músicas durante toda a sua futura carreira.
No final da década, apresentou alguns programas radiofônicos nas rádios de Cerro Largo e São Luiz Gonzaga, bem como nas rádios Gaúcha e Guaíba de Porto Alegre, RS.

Em 1970, lançou, em conjunto com Cenair Maicá, com o qual vinha se apresentando pelo Rio Grande do Sul e em festivais na Argentina, um compacto simples, com as músicas Filosofia de Gaudério e Romance do Pala Velho.


No ano seguinte, grava o seu primeiro LP, Legendas Missioneiras, pela gravadora RGE, que traz, entre outras, parcerias com Jayme Caetano Braun, Glênio Fagundes e Aureliano de Figueiredo Pinto. Neste disco, além das músicas constantes do compacto anterior, estão presentes outras pérolas de seu repertório, como Fandango na Fronteira, Gaudério e Eu e o Rio.


Em 1973 sai Destino Missioneiro, pela gravadora Phonogram/Sinter, no qual repete algumas das parcerias do disco anterior, bem como traz composições próprias e de Barbosa Lessa e uma parceria com Aparício Silva Rillo. Neste disco, estão presentes grandes músicas como Destino Missioneiro e Destino de Peão. Nesta época, ainda em tempos da ditadura militar, passa a ser perseguido em alguns shows devido a suas convicções democráticas e libertárias, conforme registra ao vivo nesse álbum.


Seu terceiro LP é Sem Fronteiras, lançado em 1975 pela EMI/Odeon, que está repleto de músicas que acabaram se tornando clássicos do cancioneiro gaúcho, como Romance do Pala Velho, Potro Sem Dono (de Paulo Portela Fagundes), Filosofia de Gaudério, Balseiros do Rio Uruguai (de Barbosa Lessa), Décima do Potro Baio e Chamarrita sem Fronteira (as duas últimas, temas missioneiros recolhidos e adaptados por Noel Guarany), entre outras.


No ano de 1976, Noel Guarany grava em parceria com Jayme Caetano Braun, de maneira independente, o LP Payador, Pampa, Guitarra. Gravado parte na Argentina e parte em São Paulo, o disco conta com a participação de grandes músicos argentinos.



Em 1977 a RGE relança o disco Legendas Missioneiras, de 1971, com o título de Canto da Fronteira.

Em 1978 sai o LP Noel Guarany Canta Aureliano de Figueiredo Pinto, pela RGE, que resgata a obra e a memória de um dos grandes poetas do regionalismo gaúcho.


No ano seguinte, sai o disco De Pulperias, ainda pela gravadora RGE. Constam deste disco as músicas En el rancho y la cambicha, Rio de Los Pajaros e Milonga del peón de campo, de Mario Millan Medina, Anibal Sampayo e Atahualpa Yupanqui, respectivamente.


Em 1980 sai Alma, Garra e Melodia, em que se destacam as músicas Maneco Queixo de Ferro e Índia cruda. Neste mesmo ano ocorre o show no Cinema Glória, na cidade de Santa Maria, que mais tarde, em 2003, viria a se tornar o disco Destino Missioneiro - Show Inédito.


No ano de 1982, é lançado o LP Para o Que Olha Sem Ver, pela RGE, título que remete à música Para el que mira sin ver de autoria do cantor e poeta argentino Atahualpa Yupanqui (presente também na composição Los ejes de mi carreta). Além das citadas, estão presentes as músicas Boi Preto, Na Baixada do Manduca e Adeus Morena, músicas de inspiração folclórica. De se destacar, também, quatro composições de João Sampaio.



Neste ponto, Noel Guarany, já com os primeiros sintomas da doença, começou a afastar-se dos palcos, e acabou redigindo uma carta aberta à imprensa, na qual reclama do tratamento recebido pela gravadora.
Em 1985 retira-se definitivamente dos palcos, em cumprimento ao prometido na carta de 1983.

No ano de 1988, em conjunto com Jorge Guedes e João Máximo, lança o disco A Volta do Missioneiro. E a posterior, juntamente com Pedro Ortaça, Cenair Maicá e Jayme caetano Braun, lançam Troncos Missioneiros.




Nos próximos 10 anos, o grande gaúcho, cada vez mais debilitado por uma doença degenerativa no cérebro, permaneceu recolhido em seu sítio na localidade de Vila Santos, no município de Santa Maria.

Morreu no dia 6 de outubro de 1998, na Casa de Saúde de Santa Maria, tendo sido enterrado em Bossoroca, sua terra natal.


PEREGRINO DOS CAMINHOS


Ainda adolescente, aprendeu, sem professor, o idioma guarani e o manejo do violão. "Eu saía a percorrer estância por estância. Nessa época não havia televisão, apenas alguns rádios e tal era a alegria do povo, com a minha chegada, que logo carneavam uma vaca e largavam um "próprio" (mensageiro) à vizinhança, avisar que eu havia chegado, que viessem conhecer o violonista e já estava formado o baile. Aí eu amanhecia tocando para o povo dançar" — recorda em um depoimento reproduzido no sitio que o professor Cláudio Augusto Probst organizou em sua homenagem (www.probst.pro.br). Nesta época, no entanto, "não estava ainda definida a música missioneira", como salienta Noel no mesmo depoimento.

Aos 19 anos, foi servir o Exército no 3º Regimento de Cavalaria, em São Luiz Gonzaga. Ali, presenciou a conduta desonrada de altos oficiais, o que foi para ele um choque. "Não podia acreditar que militares graduados também roubassem. Aprendi mais tarde que o roubo e a corrupção foram os maiores amigos das ditaduras militares" — recordaria já maduro.

A decisão de abandonar a caserna foi capital para que Noel Fabrício pudesse se tornar Noel Guarany. Uma vez concretizada, ele cruzou a fronteira da Argentina. Radicou-se na província de Corrientes, onde trabalhou como lenhador e balseiro. Durante a década de 1960, andou pela também província de Misiones, assim como pelo Paraguai, Uruguai, Mato Grosso e Bolívia. Peregrino dos caminhos / no rumo dos horizontes,/ matando a sede da terra,/ vivendo a sede de andar, cantaria depois em Eu e o Rio, composta em parceria com Glênio Fagundes.


Convivendo e compartilhando o duro cotidiano com a gente simples do povo de todos esses lugares (ervateiros, balseiros, índios), Noel observou sua linguagem, sua musicalidade e suas formas de expressão. Retratou a vida dessas pessoas em canções como Lavadeira do Uruguai, composta em parceria com João Sampaio da Silva:

Ajoelhada junto ao rio,
a cantar com a correnteza,
lavando suores profanos
dos ricos da redondeza,
vê o lombo do dourado
que falta na sua mesa.
"CANTAR MINHA TERRA"


"Parecia-me um castigo quando nos rancherios mais humildes, fosse do país que fosse, com olhar sincero de patriotismo, um campesino, mesmo abandonado, pelos governos e instituições, dizia ao empunhar qualquer instrumento: "vou cantar uma canção de minha terra" — recordaria, lembrando o contraste entre os níveis de consciência nos países vizinhos e no Brasil. "Era um verdadeiro absurdo falar em arte missioneira naquela época" — diz em outra entrevista reproduzida no sitio de Probst, em que afirma, sem nenhuma modéstia, mas de posse da verdade, que teve que incutir na cabeça de intelectuais este conceito.

Naquele tempo, a identidade cultural riograndense encontrava-se em processo de reformulação, mercê da crise e das mudanças estruturais por que passava o estado. A partir da década de 40, deflagrou-se um movimento espontâneo de valorização do "ser gaúcho", mas tendo como paradigma o homem da Fronteira Sudoeste.


Na música, a confusão era ainda maior: o que fazia sucesso no estado e era apresentado como "gaúcho", nos anos 50 e 60, era a produção de artistas como Teixeirinha e os irmãos Bertussi, água com açúcar na forma e no conteúdo, "totalmente inautêntica" na definição do próprio Noel. Além disso — recordou -, crescia o poder da indústria fonográfica originária do USA e sediada no Rio e em São Paulo, "o rádio vivia a martelar alienações desleais ao povo sul-americano". Contra esta situação, Noel Guarany insurgiu-se, erguendo aquela que, desde o retorno ao Brasil, soube sem sombra de dúvidas que seria sua bandeira: "cantar a minha terra", em suas próprias palavras.


O resgate e redefinição da identidade missioneira a partir dos anos 60 é um dos episódios mais interessantes da cultura brasileira, não apenas por sua importância mas pela forma como se deu: espontaneamente, desde o seio do povo e totalmente à margem dos âmbitos letrados. Imprensa e universidade só vieram a dar-se conta de fenômeno depois que ele já havia ocorrido. Seus artífices foram artistas populares dotados de consciência, como Noel e seus parceiros — todos homens de sólida cultura, mas todos autodidatas.
PAMPA SEM FRONTEIRAS


Enquanto os primeiros pretendem que a lusofonia seja elemento definidor do ser gaúcho e denunciam como alienígena tudo o que venha da Argentina ou do Uruguai, os segundos falam em "três pátrias gaúchas" (Brasil, Argentina e Uruguai) ou "quatro pátrias missioneiras" (que inclui o Paraguai). A castelhanofobia é mais forte na fronteira do Uruguai, cuja história é marcada pelo enfrentamento militar com os países platinos; o pan-gauchismo predomina entre os missioneiros, que surgem da luta dos índios guaranis, primeiro contra os portugueses e logo contra os espanhóis — e também da mistura com ambos.

A castelhanofobia não apenas é intrinsecamente reacionária em virtude de sua pretensão de congelar a história e a cultura; a escolha da imagem do homem da fronteira sudoeste como paradigma do gaúcho liga-se frequentemente à glorificação do latifúndio. Já o pan-gauchismo é geralmente progressista. Primeiro, por preconizar a união e a solidariedade entre povos irmãos, formando um (ou uma, já que em espanhol a palavra é feminina) pampa sem fronteiras. E segundo porque, principalmente em sua versão missioneira, não compartilha a exaltação da grande propriedade rural. Muito pelo contrário: a destruição das Missões pelos portugueses significou a destruição do sistema de produção coletiva dos índios e sua transformação em párias sem terra, trauma histórico que ainda persiste. Noel colocaria sua voz a serviço deste sentimento em Precedência:

Talvez, paisano, o meu verso 
em muito te desagrade. 
É que a tua propriedade, 
as Sesmarias D'el Rey", 
meus bisavós não venderam, 
são terras que nunca dei.


O que Jayme Caetano Braun fez na poesia, com versos em espanhol e tratando de temas da história e da cultura da Argentina e do Uruguai (ver AND 27), Noel fez na música ao trazer para cá ritmos que ouviu na Argentina e no Paraguai. Tinha enorme admiração por músicos dos países vizinhos, como Atahualpa Yupanqui, Antonio Tarragó Ros e Mario Millán Medina. Sua visão da identidade gaúcha não cabia na estreiteza dos burocratas: definia-se como gaúcho e paralelamente como missioneiro, como brasileiro e também como latino-americano. Em Defeito, sintetizaria esta pluralidade:

Regionalismo não falo, 
só em termos continentinos: 
de oceano prá oceano, 
do Caribe ao Muro Andino, 
meu povo só tem fronteiras 
marcadas pelo destino.
POPULAR AUTÊNTICO

Conta-se (ninguém sabe se é verdade ou lenda) que um dirigente do MTG, ao visitar o galpão crioulo que Noel mantinha em Itaqui, pediu para falar com o patrão, ao que o cantor teria respondido: "Aqui não tem patrão, e se tiver, eu mato". No entanto, eram boas suas relações com um dos fundadores do movimento, Barbosa Lessa, de quem musicou poemas. É de Lessa a melhor definição de Noel Guarany, escrita na capa do disco Destino Missioneiro, de 1973: "autêntico como cantor e como gente".

Justamente por essa rara autenticidade, viria a desentender-se — sempre com razão — com muita gente. Por exemplo, com a indústria fonográfica monopolista. Rompeu publicamente com as gravadoras RCA, RGE e EMI, que negligenciavam a divulgação de seus discos e não lhe repassavam o dinheiro referente aos direitos autorais, além de não adotarem os cuidados técnicos necessários, por exemplo na prensagem dos LPs. Vários de seus discos foram lançados por selos independentes — caso dePayador, Pampa, Guitarra gravado em parceria com Jayme Caetano Braun e lançado em 1976, um divisor de águas na música riograndense.


Eram igualmente péssimas suas relações com os burocratas da Ordem dos Músicos, que chegou a fustigar publicamente em suas apresentações.

Quem viu Noel Guarany no palco, aliás, conta que o que ele dizia no intervalo entre uma música e outra era um caso à parte: abria a boca para falar de tudo que estava errado. Frequentemente desancava a gerência militar, levando ao êxtase a platéia — muitas vezes composta por estudantes para os quais cantava sem cobrar. Milico na minha frente/ não passa sem ser notado, cantou em Chamarrita de Galpão.

Há uma gravação de um show realizado em 1979, no CD Destino Missioneiro, que recupera alguns desses momentos. Entre uma música e outra, Noel diz, por exemplo:

Eu tentei me solidarizar com os grevistas (refere-se a uma greve de metalúrgicos), tal como fiz aqui com os bancários, mas lembrei que aqui ainda eu consigo alguma coisa e que em São Paulo ou Rio de Janeiro eu sou visado. Chico Buarque quis cantar, não deixaram. E eu, pior ainda, porque eles pensam que o gaúcho é mais valente que os outros.

O aspecto propriamente musical de suas apresentações não era menos autêntico. Noel apresentava-se munido apenas da voz forte e do violão que sabia tocar magistralmente. Gostava de dizer que a música gaúcha começou a decair depois da introdução do primeiro instrumento alienígena: a gaita 3. Era, evidentemente, uma hipérbole: em Payador, Pampa, Guitarra deixou-se acompanhar pelo bandoneón de Raulito Barbosa.

VIDA BREVE


A carreira de Noel Guarany durou pouco. Mas os três lustros transcorridos de 1970 — quando venceu o VII Festival do Folclore Correntino ao lado de Cenair Maicá com a música Fandango na Fronteira em Santo Tomé, na Argentina — 1985 — quando deixou os palcos em protesto contra o tratamento dispensado pelas grandes gravadoras e pelo poder público à classe dos artistas -, foram suficientes para que ele mudasse para sempre a história da música no Rio Grande do Sul.

Ainda ensaiaria um retorno em 1988, com o lançamento dos discos A Volta do Missioneiro e Troncos Missioneiros, este com Jayme, Cenair e Pedro Ortaça, e algumas apresentações. Mas uma doença degenerativa do sistema nervoso já o consumia de maneira irreversível. Passou os últimos anos recolhido em sua casa, em Santa Maria, muito debilitado e com alguns poucos lampejos de lucidez.

Em abril de 1994, o jornal O Desgarrado, de Santa Cruz do Sul, foi visitá-lo. Foi a última vez que recebeu a imprensa antes passar à eternidade, o que ocorreria quatro anos depois. Já não conseguia articular idéias e responder às perguntas. Em sua memória, só restava nítida a lembrança dos amigos: Cenair, Jayme, Ortaça, Atahualpa Yupanqui e o uruguaio Aníbal Sampayo — e de como, em suas próprias palavras, "gostava de ser cantor".


Discografia
Compactos

2003 - Destino Missioneiro - Show Inédito



Com licença,meus senhores vai cantar um missioneiro com manhas de literato e o tino de bom fronteiro... Total, não há melhor sorte do que nascer guitarreiro. Me desculpem meus senhores esta audácia missioneira, se o ventre da minha guitarra fecunda notas campeiras... Total,cantava sozinho pras estrelas caminheiras. Me perdoem meus senhores meu saber pequenininho, a pampa,apesar de grande, me ensinou a viver sozinho... Se a pampa por entre flores tem tacurú nos caminhos. Me faço de chancho rengo no meio da sociedade, já não sofro mais com os outros hoje entndo a humanidade... Total,por ser guitarreiro aprendi barbaridade. Com licença, meus senhores, vou terminando a payada, cantando sou perigoso porque a verdade me agrada...
E é melhor ser guitarreiro do que ser pouco ou ser nada!
(Noel Guarany - Total)

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" Um payador que se preza mesmo rodando não cai, recorre a vida cantando aos pés do Eterno Pai, e depois volta de novo, cantar pra o povo e se vai! "
(Noel Guarany)

sábado, 9 de julho de 2011

Ferrer Dalmau...

Augusto Ferrer-Dalmau Nieto 
(Barcelona, 1964)


"Somente aqueles que nunca deram um tiro, nem ouviram os gritos e os gemidos dos feridos, é que clamam por sangue, vingança e mais desolação. A guerra é o inferno."
( Gen. William T. Sherman )

Ferrer Dalmau es uno de los pintores de mayor proyección en España. Es heredero del realismo pictórico catalán del siglo XIX y exponente del movimiento realista del XX. Su heterogénea obra, ahora centrada en la temática ecuestre militar, se ha convertido en un referente indiscutible a nivel mundial. A lo largo de su trayectoria profesional ha realizado exitosas exposiciones en Madrid, Londres, Paris, Nueva York… de su primera etapa paisajística nacieron decenas de óleos que han servido como referente en media docena de libros de arte a nivel universal. Su actual pintura, la militar, está valiendo también para ilustrar decenas de libros, monográficos y revistas, especialmente de historia. Su obra puede contemplarse en museos, especialmente de ámbito militar, por lo que podemos encontrarnos algunos de sus cuadros entre otros lugares, en el Museo de la Guardia Real, Museos de los regimientos Farnesio, Lusitania, Numancia, Montesa, Alcántara, Asturias… y por supuesto el Museo Histórico Militar se ha interesado por el pintor y trabaja con él en diferentes proyectos museísticos. También ayuntamientos o en instituciones gubernamentales podrá verse la obra del genial pintor. Y en grandes colecciones particulares. Su producción no es muy prolífera, lo que por un lado le lleva a cuidar mucho el detalle y por otro a garantizar la revalorización de sus obras de arte, convirtiéndolas, entre otras cosas, en una buena inversión.

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(Entrevista de Ferrer Dalmau)

Cataluña tiene naturaleza plural y diversa, como plurales y diversas son las escuelas y corrientes pictóricas que se desarrollan en su territorio. 
Sus paisajes abruptos y montañosos, duros y acogedores en el seno de los pequeños valles recogidos, protegidos, tornasol de luces y contraluces; su costa bañada por el Mediterráneo, cuna de cultura y culturas, que se mece entre bravo y acariciador por unas tierras amables, origen de riqueza y de ensoñación; sus ciudades, metrópolis universales que coexisten con pequeños pueblos de sabor medieval, con ruinas milenarias, reflejo del esplendor pasado y testimonio de grandeza presente y futura; los paisajes de Cataluña han sido y son fuente de inspiración de artistas y pintores. 


La pintura del paisaje como tema alcanza en Cataluña su primer esplendor en el siglo XIX, con figuras de renombre internacional, capaces de captar de forma virtuosa los valores intangibles de la naturaleza. El realismo, como actitud estética y artística, superadora de corrientes alejadas de la realidad, ha sabido sobrevivir a modas y tendencias y, en los albores del nuevo milenio, ha experimentado un nuevo resurgir en todas las tierras de España. 


Entusiasta seguidor de esta corriente, Augusto Ferrer Dalmau ha captado la grandeza de la naturaleza, de los paisajes urbanos, de la recreación histórica; con la precisión del artista que se complace en su técnica depurada, y que es capaz de destilar sensibilidades sutiles, reflejo de la inmensidad de la naturaleza y de la grandiosidad de la obra del hombre. 


A través de los elementos plásticos que Augusto Ferrer Dalmau domina con maestría y sentimiento, capta la insondable dimensión de unos parajes naturales que mediante su obra, despiertan el interés estético de quien la observa. Los paisajes urbanos, abigarrada concentración de cemento y asfalto, de bulevares y plazas, de callejuelas angostas y cielos enturbiados por la acción del hombre reciben en su pintura un tratamiento clarividente, exacto, cargado de precisión, pero en el que el efectismo y la escenografía no impiden percibir al observador la fuerza del sentimiento sobre una realidad, expresada con una sólida técnica de excelente dibujante y magnífico colorista, en la que el juego de las luces y contraluces provoca la emoción de quien la admira. 


Por su formación, Augusto Ferrer Dalmau es heredero del realismo pictórico catalán del siglo XIX, por su técnica, por su obra y por su sensibilidad es exponente del movimiento realista del XX, y por su juventud, garante del realismo catalán del nuevo milenio. 

Jorge Fernández Díaz 
S.E.M.C.


Augusto Ferrer Dalmau interpreta la soledad del paisaje que un día fue habitado por el hombre. En sus composiciones pictóricas está presente siempre una construcción en ruinas, que puede ser la pared de piedra de un cenobio abandonado por los monjes que se dedicaban allí a la oración y a la vida contemplativa; o una vieja atalaya que los señores de un antiguo castillo habían erigido como defensa ante las incursiones de los árabes u otros feudales con los que litigaban. Es una forma de pintar efectiva y escenográfica, pero realizada con gran dignidad y que sirve plenamente a sus propósitos artísticos. 


El pintor presenta vastas panorámicas en las que las laderas de una montaña y los cielos siempre nubosos cierran las composiciones. A la derecha o a la izquierda, en primero o segundo término, según sea mejor, él da protagonismo a las ruinas; después, establece una estructuración gradual de campos, árboles y piedras que le permiten hallar diversidad de situaciones ambientales. La realidad o irrealidad de los paisajes que pinta, así como de sus encuadres de raíz cinematográfica con los que se complace, tienen una importancia secundaria en su pintura. El mérito de la misma reside, especialmente, en el metódico trabajo técnico de Ferrer Dalmau y en la habilidad con que el pintor sabe despertar el interés estético entre un amplio público que se ve reflejado en las emociones provocadas por escenas románticas leídas en libros o vistas de cine. 


A pesar de su convencional argumentación, la pintura de Ferrer Dalmau no es de elaboración sencilla. Es necesario disponer de su sólida técnica, bien aprendida y repleta de recursos para poder llegar a interesar a un sector de seguidores de una pintura simplemente realista - sector más amplio que otros, pero también reducido - que en su ámbito es muy exigente y pide unas perfecciones que no todos los pintores pueden ofrecer. Ferrer Dalmau sabe hacerlo y consigue siempre los efectos que se propone. 

J. Mª. Cadena



"Todos os homens buscam a felicidade. E não há exceção. Independentemente dos diversos meios que empregam, o fim é o mesmo. O que leva um homem a lançar-se à guerra e outros a evitá-la é o mesmo desejo, embora revestido de visões diferentes. O desejo só dá o último passo com este fim. É isto que motiva as ações de todos os homens, mesmo dos que tiram a própria vida. "
( Blaise Pascal )




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"Nossos livros de escola glorificam a guerra e escondem seus horrores. Eles incutem ódio nas veias das crianças. Eu preferiria ensinar paz do que guerra. Eu preferiria incutir amor do que ódio!"
( Albert Einstein )

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sueños...

... de Eleodoro Marenco!


Bs. As Marzo de 1989

Los sueño y veo entre mis sueños
los vivo en mis recuerdos no vividos
dialogando con ellos en obstinado empeño
cuando dormido...,cuando despierto...
Asi...,siempre urgando en la vida
de un pasado muerto.

Mil fogones se encienden en mis noches
de un febril desvelo
que sin descanso evoca
al indomito bagual en su carrera loca
al gaucho que muere en el olvido
sin gestos, sin reproches...,sin gemidos.

Sigo la rastrillada de mis sueños desvelado
buscando el rancho, el ombu, la china
donde arrulla la torcaz en la glicina
alentando un amor siempre esperado.
Obstinadas remembranzas y nostalgias
no dan tregua ni calma a mis sentidos
oigo el canto de pajaros en sus nidos
y el encelado relincho del potro en la distancia.

Mil recuerdos pasan rodeo en mi memoria,
Son las "cosas" de mi Patria y de su Historia,
envueltas en las leyendas y las brumas
de un lejano ayer...,de un pasado inmenso.

¡Ah! tiempos...
que lejos se han ido
tras ellos..., al tranco mi vida
siguiendo sus rastros invisibles
en el eterno misterio del infinito...

 En el alto azul del cielo
brilla el lucero de la tarde
el sol..., rumbea hacia el ocaso
silente llega la noche
tendiendo sobre la quietud del campo
sus largas y anchas sombras
a guisa de caronas, de matras y de ponchos
donde alli, el sol descansara su noche.

Yo en mis sueños y desvelos
sigo las huellas del tiempo
esperando el dia "ese"...
en que fijando la mirada
en la lejana cruz del sur
cruzare mis ponchos y montando...
partire endereceras a las estrellas,
asi...,al paso, llegare a los umbrales
de las brumas y leyendas.

Alli, echare pie a tierra
y me reunire con ellos...,
gozando ya en plenitud de una eternidad
de cielos...,de infinitas pampas...
entregado definitivamente a mis para siempre
eternos "sueños"...,
cobijado al amparo de la gloria
de Dios Nuestro Señor y la Santisima Virgen.


 El genial artista Eleodoro Ergasto Marenco nació en Buenos Aires el 13 de julio de 1914.

Con innato talento y verdadera pasión investigó, dibujó, pintó y esculpió la tradición y la historia argentina por más de sesenta años. Su inclinación artística nació en las vivencias rurales de su niñez, imágenes guardadas en su memoria, que aparecieron con nitidez creciente en sus dibujos y en sus pinturas, cuando la madurez artística se potenciaba con la madurez del hombre.

Durante los años de bachillerato, circunstancialmente el Sr. Alejo González Garaño vio sus dibujos y “Amigos del Arte” organizó, en 1933, su primera muestra, a la que seguirían veintiocho más, la última de las cuales tuvo lugar en el Salón de las Artes de la Casa de Gobierno, en 1995.


Con la fuerza arrolladora de su amor por lo gauchesco, Marenco persiguió sin descanso la perfección de los trazos. Un minucioso trabajo de investigación histórica precedió sus obras a lápiz, carbonilla, pluma, témpera, acuarelas y óleos. Con el coraje del autodidacta comprometido con su tierra y el afán por retratar con fidelidad las huellas del pasado, el perfil de cada época y de cada personaje, consiguió que sus trabajos se transformaran en verdaderos documentos siendo, aun hoy, máximo referente e indiscutida fuente de consulta para todos aquéllos que buscan la rigurosidad histórica.

“… Recurrí a cuanta fuente de información tuve acceso –escribió– oral o escrita, alentado por mi admiración y pasión por el pasado, que tanto me atraía. Cuanto más se indaga y se conoce, mucho más queda por conocer… y una vida no alcanza…”

El caballo y el hombre de a caballo fueron dos de sus temas primordiales, en las múltiples facetas del gaucho, el indio, el soldado. El caballo criollo, el flete, el parejero, el reservado; la doma, la yerra, los arreos, los pelajes y las pilchas gauchas que inmortalizó Marenco, rescatan y valoran la utilidad, la estampa, la destreza y la identidad criollas.

Ilustró más de treinta obras, las más encumbradas de la literatura gauchesca, entre las que podemos destacar: “Martín Fierro”, de José Hernández; “La Cautiva” y “El Matadero”, de Esteban Echeverría; “Fausto”, de Estanislao del Campo; “Una Excursión a los Indios Ranqueles”, de Lucio V. Mansilla y “Equitación Gaucha”, de Justo P. Sáenz (h). También retrato a los soldados de la Patria y sus uniformes en completos trabajos como, por ejemplo, su famosa carpeta “Evolución histórica de los uniformes militares argentinos”, de 1952. Asimismo, su profunda versación en la temática argentina lo convirtió en asesor obligado en obras teatrales y cinematográficas.


Se desempeñó, paralelamente, como empleado de Ferrocarriles Argentinos, del Ministerio de Hacienda de la Nación y del Instituto Cinematográfico Nacional, pudiendo -recién después de jubilarse- dedicarse por completo a su vocación artística.

Hoy, las láminas de sus carpetas como, por ejemplo, “Nuestro Campo”, ‘La Estancia Vieja”, “La Retreta del Desierto” y “Gauchos”, como los almanaques y los libros que ilustró, están presentes en antiguos almacenes, en establecimientos rurales, en museos e instituciones tradicionalistas de todo el país y en los hogares donde todavía se palpa la tradición.


Marenco fue un hombre proverbialmente desinteresado y generoso, muy profundamente ligado a su familia –su mujer Ernestina García Villamil, sus cuatro hijos y sus veinte nietos- y a sus amigos (“…en amistad de amigos…”, como solía decirles). El amor a la Patria, la fidelidad a los seres queridos, el respeto por la palabra empeñada y la humildad como actitud frente a la vida, son mensajes que hoy perduran en sus familiares y en quienes lo trataron de cerca.

Su prestigio ha transpuesto nuestras fronteras a América y Europa. Su fallecimiento, acaecido el 17 de junio de 1996, dejó un espacio muy difícil de reemplazar, pero su obra continúa viva para quienes aman a la Patria y la Tradición, siendo aún hoy un emblema y un ejemplo, no sólo para los que lo conocieron – tanto a él como a su obra- sino para las nuevas generaciones que aprecian con admiración sus dibujos y pinturas.


Marenco persiguió sin descanso la perfección de los trazos. Un minucioso trabajo de investigación histórica precedió sus obras a lápiz, carbonilla, pluma, témpera, acuarelas y óleos. Con el coraje del autodidacta comprometido con su tierra y el afán por retratar con fidelidad las huellas del pasado, el perfil de cada época y de cada personaje, consiguió que sus trabajos se transformaran en verdaderos documentos siendo, aun hoy, máximo referente e indiscutida fuente de consulta para todos aquéllos que buscan la rigurosidad histórica.
El caballo y el hombre de a caballo fueron dos de sus temas primordiales, en las múltiples facetas del gaucho, el indio, el soldado.

Su prestigio ha transpuesto nuestras fronteras a América y Europa.

Su fallecimiento, acaecido el 17 de junio de 1996, dejó un espacio muy difícil de reemplazar, pero su obra continúa viva.
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A história é a ciência dos homens, dos homens no seu tempo
( Bloch ) 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

El remate...

...de Elias Regules!


Falta el aire y sobran moscas,
este domingo de Enero.
El sol fríe las chicharras...
duerme un matungo azulejo... 

Algunos pollos con árganas
estan de picos abiertos.
En los charquitos de sombra
hay unas guachas bebiendo. 

Por los caminos calientes
pasa la siesta en su lerdo.
Ojos azules de cardos
curiosean desde lejos,
y asoman por las goteras
ojos azules de cielo... 

Todo es dulce de tan pobre...¡ 

Frente al rancho de estantéo
que anda con los cuatro codos
deshilachados de tiempo,
subasta un rematador
las pilchas de un criollo viejo. 
Hay muchos interesados;
son vecinos todos ellos,
muchachos que hasta hace poco,
le llamaban: el agüelo. 

Recostao en el palenque,
los mira triston el viejo:
han ido a comprar barato
cosas que no tienen precio...
Y piensa con amargura:
Ya no da criollos el tiempo...¡ 

-"¿Que vale este par de espuelas?"
Y las rodajas de fierro,
son como dos lagrimones
que llorasen por su dueño.
Con ellas salió a ganar
hace ya muchos inviernos,
la novia en un bagual blanco;
la vida en un bagual negro. 

Los mozos suben la oferta:
-"Doy diez,quince,veinte pesos!",
Disputan como caranchos
el corazón del agüelo.
Al escucharles, se pone
rojo de vergüenza el ceibo. 

-"Son suyas las nazarenas"
dice a uno el martillero.
Le han vendido las lloronas
hoy, por desgracia! Hoy ,tan luego
que en el palenque ,la vida
ató su bagual más negro...
y piensa con amargura:
Ya no da criollos el tiempo...! 

Sacan a la venta un poncho,
donde garuan los flecos,
para mojarle los ojos
al que se lo lleve puesto. 

Tiene la boca zurcida
y lo gastó tanto el viento,
que al trasluz del calamaco
se ve la historia del dueño...
Guampas,chuzas y facones
lo cribaron de agujeros...
pero su filosofía
siempre le puso remiendos:
de día con un celeste;
de noche ,con un lucero. 

-Yo pago por esa pilcha
toda la plata que tengo!
-Subo una onza la oferta!
Si no hay quien dé más, lo quemo! 

Entonces cai el martillo
en lo duro del silencio...
Un joven se lleva el poncho.
Y allí cerca el gaucho viejo
está temblando de frío
en una tarde de Enero,
y piensa con amargura:
Ya no da criollos el tiempo...! 

Así pierde en la bajada ,
lo que ganó en el repecho:
una a una, las ovejas;
pilcha por pilcha, el apero... 
Quisiera salvar del lote
su mancarrón azulejo,
pa que lo agarre la noche
en un caballo estrellero.
No tiene más que uno...Y ése
se lo quema el martillero! 

Allí termina el remate.
Cobró su cuenta el pulpero.
Aura sí: al verlo de a pie,
tan amargo,tan desecho,
todos los rumbos arrollan
los lazos de los senderos
y son cuatro pialadores
que estan esperando al viejo:
en cuanto quiera salir,
lo van a dar contra el suelo! 

Entonces , aquellos mozos,
se acercan a defenderlo
y el más ladino le dice
ante temblón y risueño:
-Todos compramos sus pilchas,
pa salvárselas, agüelo.
Aqui tiene sus espuelas... 

Aqui tiene su azulejo...
Uno le trai en los brazos
igual que un niño, el apero
y otro le entibia las manos
con aquel poncho de flecos... 

...¡Porque sigue dando criollos,
muy lindos criollos , el tiempo!

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ELIAS REGULES


Carrera profesional

Graduado en la Facultad de Medicina de la Universidad de la República en 1883. Catedrático de Medicina Legal (1885-1928). Posteriormente fue Decano de la Facultad (1888-1897); su carrera culminaría en calidad de Rector de la Universidad (1922-1928).
Miembro fundador de la Sociedad Universitaria en 1875, que posteriormente daría origen al Ateneo de Montevideo.

Actuación política

Fue un destacado miembro del Partido Constitucional; representando al mismo, fue integrante del Consejo de Estado del año 1898 instituido porJuan Lindolfo Cuestas, y posteriormente diputado por Rocha en el periodo 1899-1903.

Vida literaria

Dentro de su producción literaria destaca su actuación como poeta nativista y como dramaturgo.
Fue miembro fundador y primer presidente de la "Sociedad Criolla", la primera de su género en toda América, creada el 24 de mayo de 1894 y que hoy lleva su nombre.
Participó junto a Javier de Viana, Antonio Lussich, El "Viejo Pancho", Juan Escayola, Martiniano Leguizamón y Domingo Lombardi entre otros, de la publicación El Fogón, la más importante que tuvo la región en género gauchesco, y que viera la luz en septiembre de 1895 fundada por Orosmán Moratorio y Alcides de María.

Obras: Poesía

Mi tapera (1894)
Pasto de cuchilla (1904)
Renglones sobre postales (1908)
Veinte centésimos de versos (1911)
Mi pago (1924)
Versitos criollos (1924)